Renovação de Massa com Ferrari intriga a F-1
Fábio Seixas e Tatiana Cunha
Em São Paulo
Atrás dos boxes de Interlagos, vaivém de equipamentos. No pit lane, os últimos contêineres ainda restam para serem tirados dali. No ar, enquanto os carros não entram na pista e a decisão do Mundial não começa, uma questão intriga a F-1.
Do "Independent", jornalão inglês, à "Gazzetta dello Sport", diário esportivo italiano ligado à Ferrari, passando por sites especializados e por habitués da categoria, a F-1 pergunta e busca explicações para o anúncio da renovação do contrato de Felipe Massa com a escuderia até o fim de 2010.
Foi assim nesta quarta-feira. E deve ser assim nesta quinta, quando pilotos e dirigentes começarem a circular pelo autódromo paulistano. O motivo, não a decisão de renovar. Mas o momento da renovação, tão comemorado por Massa e visto por ele como uma forma de a equipe demonstrar "carinho" por seu trabalho.
"O timing do anúncio foi uma surpresa completa", escreveu o "Independent", em sua edição de hoje. A "Gazzetta", que, como o time, pertence à Fiat, utilizou a mesma definição.
Assinado em 2001, o atual contrato do brasileiro com a Ferrari só vence em dezembro de 2008. A praxe na F-1, até pela velocidade das mudanças no mercado de pilotos, é esperar.
A Ferrari, desta vez, não esperou. Renovou com o brasileiro 14 meses antes do fim do compromisso. Daí, a surpresa.
No paddock de Interlagos, por enquanto, ninguém fala abertamente - Massa visitou a Embraer na manhã desta quarta-feira, e à tarde esteve em uma feira de transportes em São Paulo.
E, na falta de uma explicação concreta para a pressa do time, já começam a surgir teorias.
À reportagem um executivo com mais de 15 anos de F-1 disse acreditar que a renovação prematura é um sinal da saída de Jean Todt da Ferrari. O francês, diretor-geral do time, é pai do empresário de Massa. Renovando, garantiria o futuro do negócio, mesmo deixando o emprego -ele estaria conversando com a Toyota para 2008.
Parte da imprensa italiana segue a mesma linha. Mas defende que o novo contrato foi um agrado da Ferrari a Todt, para convencê-lo a ficar.
Uma terceira teoria liga a decisão a Fernando Alonso.
O espanhol, rompido com a McLaren apesar da chance de conquistar o tricampeonato no domingo, correria na Renault em 2008 e, em 2009, seguiria para a Ferrari. O destino de Massa, então, seria a Toro Rosso, que se tornaria time B de Maranello, tendência cada vez mais em voga na categoria.
http://esporte.uol.com.br/f1/ultimas/2007/10/18/ult4361u589.jhtm