Não existem provas suficientes para penalizar a Renault
A FIA já divulgou os detalhes da decisão que levou à não penalização da Renault, no caso de espionagem em que se viu envolvida com a McLaren. Em resumo, tudo se deveu ao facto do assunto se ter cingido a quatro desenhos de peças, de um monolugar com mais de um ano, pelo que a Renault não extraiu qualquer vantagem dessa situação.
Foi esta a conclusão oriunda do conselho Mundial da FIA, que explicou tudo num longo comunicado, onde foram detalhadas as razões porque não penalizou a Renault, apesar de a ter considerado culpada de possuir informação técnica da McLaren.
O Comunicado da FIA revelou ainda que as provas descobertas durante a investigação relativa aos documentos levados da McLaren pelo engenheiro da Renault, Phil Mackereth, mostrou que só alguns pontos foram do conhecimento de alguns elementos da Renault.
Apesar da quantidade de informação levada por Mackereth quando saiu da McLaren em Setembro de 2006, ter sido considerada significativa pela FIA, foi descoberto que muita dessa informação não foi disseminada dentro da equipa francesa. Foi também concluído que apenas foram mostrados quatro desenhos a outros funcionários da equipa francesa. Esses desenhos reportam-se ao sistema de reabastecimento, caixa de velocidades e amortecedores.
Apesar de tudo, a FIA concluiu que não existiram quaisquer benefícios para a Renault, mesmo que um desenho dum amortecedor da McLaren tenha sido a base para uma tentativa de clarificação das regras por parte da Renault.
No comunicado podia ler-se: «O Conselho Mundial da FIA concluiu que os quatro desenhos vistos pelos engenheiros da Renault, três deles não tinham qualquer utilidade para a equipa francesa, e não foram utilizados. O quarto desenho (do amortecedor da McLaren o “famoso” J-Damper) foi utilizado pela Renault, para preparar um pedido de clarificação de regras, onde esta fala dum hipotético sistema de amortecedor. Portanto, não o copiaram, mas inquiriram a FIA: «Se existisse um amortecedor deste estilo seria aceitável?»
Mas o comunicado da FIA diz ainda mais: «O facto da Renault não ter entendido como operava o sistema sugere à FIA que o desenho não lhes revelou o suficiente para que o campeonato pudesse ter sido afectado pela posse desse documento.»
No final, para consubstanciar o facto de não ter penalizado a Renault, a FIA alega que os casos são muito diferentes: «A informação confidencial da McLaren levada para a Renault, insere-se num contexto dum engenheiro da F1 que muda de equipa. Não se tratou dum fluxo de informação contínua, mas sim do transporte não autorizado duma determinada quantidade de informação.»
«Depois de sair da McLaren, Mackereth não voltou a ter acesso à informação mais actualizada da McLaren, nem existem provas que a Renault tenha de algum modo encorajado Mackereth para levar consigo informação confidencial para a equipa. Contudo a FIA entende que esta situação deveria ter sido resolvida pela Renault assim que tomou conhecimento que Mackereth tinha na sua posse informação ilegal. O Conselho Mundial é de opinião que os responsáveis da Renault deveriam saber que os desenhos que Mackereth mostrou continham informação confidencial doutra equipa, o que é ilegal.»
«A Renault falhou porque não reportaram esta situação aos seus superiores, como deveria ter acontecido. Se isso tem acontecido, o assunto poderia ter chegado à FIA numa fase embrionária. Nestas circunstâncias, e apesar de alguns elementos muito insatisfatórios para a FIA terem chegado ao nosso conhecimento durante as investigações, quando deliberámos sobre a gravidade da quebra dos regulamentos, o Conselho Mundial concluiu que não existem provas suficientes que comprovem que a informação foi utilizada de um modo que tenha tido impacto no Mundial de Fórmula 1.»
«Contudo, o Conselho Mundial da FIA reserva-se no direito de reabrir o caso, se novas provas surgirem, que sugiram que a equipa beneficiou de algum modo com a informação. Deve ficar claro que o aparecimento de qualquer nova informação que coloque em causa esta decisão do Conselho Mundial, este assunto poderá ser reaberto pela FIA.», lia-se no comunicado.
Perante isto, restam à McLaren dois caminhos: Ou opta pelos tribunais civis, ou tenta encontrar mais dados, as tais novas provas, que possam ser utilizados para provar que a Renault beneficiou da obtenção ilegal de documentos.
in Autosport.pt