“Buffone, buffone, buffone!”, gritaram os adeptos do Inter na direcção de José Mourinho, ao sexto dia de estágio em Riscone di Brunico. “Buffone”, que pode ser traduzido por “palhaço”, foi o adjectivo mais simpático que os tifosi encontraram para definir o que pensavam do técnico naquele momento.
Em causa, não estava o facto de o último treino antes do jogo com o Al Hilal, hoje às 17 horas portuguesas, ser fechado ao público. Estava a falta de informação. “Viajámos horas e horas, saímos de casa às cinco da manhã, chego aqui e dou de caras com isto. É um c... de m... este treinador!”, dizia um dos mais exaltados. Entre os milhares de interistas estavam também alguns que tinham preferido o treino a um passeio na montanha.
“Convenci a minha família a vir aqui para isto... Eles queriam ir a Plan de Corones [ndr: montanha perto de Brunico] e agora nem montanha, nem Inter. Não se faz, mete nojo este técnico.”
Os jornalistas sabiam desde as 13 da decisão de Mourinho mas os tifosi, que puderam assistir à sessão matinal, saíram para almoço convencidos de que à tarde se podiam deliciar com mais uns pormenores de Ibra, Adriano e companhia. “E afinal nada! Você é de onde, da ‘Gazzetta Dello Sport’? Ah, é português? Então escreva que o Mourinho é um buffone!”, dizia um, “e que mete nojo”, acrescenta outro logo atrás.
“Se perde um ou dois jogos nem sabe onde se veio meter”, concluía um terceiro. “Está a esconder o jogo para o poderoso Al Hilal, este buffone, será possível?”, dizia um quarto e assim sucessivamente.
A solução dos adeptos foi acotovelarem-se numa escada a ver um quinto do relvado quase sempre vazio, dar a volta ao campo e ver outro bocado a centenas de metros de distância ou ficar em frente às TV do Inter Channel que passavam imagens do treino... matinal.