Gasolina 98 vs 95

RMarques23

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Boas pessoal.

Muitos vão achar este tópico sem lógica, outros até o vão achar interessante, mas pronto, cá vai ele.

Em alguns carros a gasolina 98 não dá qualquer vantagem em relação à 95, mas noutros notam-se algumas melhorias (carros cuja gasolina indicada não é a 98 mas sim a 95).

Como tal, visto que nestes casos a 98 normalmente dá para fazer mais kms, gostaria de saber se alguem já experimentou e me sabe informar sobre qual a diferença de preço entre a 95 e a 98 a partir da qual deixa de compensar o uso da 98.

Eu sei que isto varia de carro para carro, e por isso queria ter o maior numero de opiniões possível. Pergunto isto porque não tenho oportunidade de fazer o teste de momento.

Muito obrigado.

Cumprimentos.
 
Se o carro vier com a indicação, convém meter a 98, pois o motor está afinado para andar com isso, caso não indicar não é necessário o gasto para a 98, há quem diga que trará ganhos, eu pessoalmente não acho, ou pelo menos não acho que os ganhos superem as perdas €€ a não ser que estejamos a falar de motores preparados, aí sim nota-se a diferença.
Mas isto é a minha humilde opinião, o que expliquei foi com o que tenho visto no mundo das moto4, algumas bem preparadas, e uns videos de carros na net[:D]
 
Do que pude constatar, já investiguei porque tive a mesma dúvida, não se deve é misturar as duas, de resto não vais sentir muita diferença muita entre as duas a não ser que tenhas um motor de 150CV para cima. Se sentires diferença vai ser mais efeito psicológico... :sh)
 
Em todos os carros se deverá notar, se apertarem com eles. Ou seja, se o carro levar uma esfrega, o comportamento será diferente com 95 ou 98. Passo a explicar:

O numero de octanas designa a capacidade do combustível resistir à "detonação" ou seja, a deflagração antes do momento correcto, pms+faísca.

A detonação ocorre essencialmente condicionada por factores como o número de rpms (mais altas), a carga do motor (mais alta) e o avanço da ignição (mais alto).

O que acontece é que as ECU's têm capacidade de adaptação e sempre que andamos "a fundo" elas vão avançado a ignição de modo a retirar mais potência do motor. Com isto é mais provavel que ocorra detonação. Aí entra o sensor de detonação (knock sensor). Este detecta o fenómeno e como é altamente prejudicial para o motor, a ECU procede ao atraso da ignição. Mas é um atraso radical no mapa da ignição, para proteger o motor faz um atraso valente.

Com gasolina 98, como a detonação ocorre mais tarde, a ECU consegue ir esticando o avanço e retirando mais potência do motor.

Obviamente num motor pequeno, de 8v, ou em condições de utilização do dia-a-dia é indiferente.

Se andarem com um multiválvulas, que faça muitas rpm, a fundo durante uma viagem grande, metam 98 e verão a diferença.

Espero ter desmistificado um pouco a coisa!
 
No meio da discussão acerca de combustíveis low cost e preços de referência é importante perceber que todos os combustíveis que os consumidores têm ao seu dispor, de marca ou low cost, standard ou premium, têm um conjunto potencial de clientes para os quais são efectivamente a escolha mais interessante. A título de exemplo olhemos para aquele que será provavelmente o combustível com as vendas mais baixas, a gasolina de 98 octanas.

Embora o consumo de gasóleo seja cada vez maior em relação ao consumo de gasolina, há ainda um conjunto muito grande de veículos, onde se incluem a totalidade dos veículos de duas rodas, que usam gasolina, e aqui a questão que se põe é: gasolina 95 ou 98? A resposta imediata, para o que basta olhar para o preço é: 95 se faz favor. Mas há circunstâncias em que de um ponto de vista técnico e económico pode fazer sentido abastecer o carro com gasolina 98.
No caso de motores modernos (tipicamente com menos de 20 anos, para motores mais antigos a análise é diferente), há basicamente duas razões para usar gasolina de 98 octanas: ou o motor assim o exige ou o estilo de condução vai permitir rentabilizar o seu uso. No primeiro caso temos alguns veículos que, devido a opções de projecto de motor, estão preparados para funcionar exclusivamente com gasolina 98, mas estes veículos são todos sem excepção veículos de elevadas prestações (e preço) onde o custo de combustível é secundário. Já para a esmagadora maioria dos veículos a gasolina o combustível especificado pelo fabricante é pelo menos gasolina 95, o que não impede usar gasolina com níveis de octanas superiores. É esta segunda situação aquela que interessa analisar com mais detalhe.

Antes de avançar é importante referir que a gasolina 98 contém a mesma energia da gasolina 95, pelo que não tem vantagens relevantes ao nível da potência do motor.
O índice de octanas traduz a resistência do combustível à detonação. Este é um processo bastante complexo cuja explicação cai fora do âmbito deste artigo mas que, a ocorrer, leva à rápida degradação do motor. O factor que importa reter é que, a cada instante, o motor é tão mais eficiente quanto mais perto está de detonar, sem que tal ocorra. Num veículo moderno esta situação de equilíbrio instável é possível porque a gestão electrónica do motor vai ajustar as condições de funcionamento ao combustível disponível, nomeadamente através do ajuste do avanço à ignição. Este ajuste é feito automaticamente sem interferência do condutor nem que ele se aperceba de tal, mas este ajuste automático tem consequências ao nível da eficiência: ao ajustar o avanço da ignição para evitar a detonação estou a penalizar a eficiência do motor, e portanto a aumentar os consumos.
Curiosamente, aqueles que podem tirar mais vantagens do uso da gasolina 98 são os condutores que se desloquem maioritariamente em meio urbano e observem as regras da eco-condução, em particular da gestão da caixa de velocidades. Para perceber porquê é necessário perceber que um motor a gasolina é mais eficiente a cargas elevadas (acelerador a fundo ou quase) e a rotações baixas. E estas são também as condições onde a detonação mais facilmente ocorre. O uso de gasolina de elevado teor de octanas vai permitir que nesta situação onde o motor é mais eficiente (baixas rotações e elevada carga) o ajuste à ignição para evitar a detonação seja minimizado não havendo assim penalização da eficiência. Durante a condução a alta velocidade típica de vias rápidas a detonação dificilmente ocorre pelo que a vantagem da gasolina 98 é pouca ou nenhuma.

Que tipo de motores mais pode beneficiar deste combustível? Motores pequenos e/ou sobrealimentados, precisamente o segmento onde mais motores novos a gasolina estão a surgir, com cilindradas entre 1.2 e 1.6 litros que tipicamente vêm substituir os tradicionais motores atmosféricos entre 1.4 e 2 litros. Quem menos beneficia? Motores de grande cilindrada, atmosféricos e que trabalhem a elevadas rotações. Como em muitas outras situações, a recomendação para um condutor interessado em usar gasolina com mais octanas é que experimente, avalie a variação do consumo, faça as contas e tire daí as suas conclusões.
Gonçalo Gonçalves

Coordenador do laboratório de veículos e propulsão do DEM-IST

Gasolina 95 e 98



 
Ah, eu em potência não sinto diferença mas eu noto diferença nos consumos, aproximadamente 0,5/0.7l/100 a menos com 98.
Quanto mais depressa andar maior a diferença.
Estou a falar de BP95 e BP98.
 
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Em todos os carros se deverá notar, se apertarem com eles. Ou seja, se o carro levar uma esfrega, o comportamento será diferente com 95 ou 98. Passo a explicar:

O numero de octanas designa a capacidade do combustível resistir à "detonação" ou seja, a deflagração antes do momento correcto, pms+faísca.

A detonação ocorre essencialmente condicionada por factores como o número de rpms (mais altas), a carga do motor (mais alta) e o avanço da ignição (mais alto).

O que acontece é que as ECU's têm capacidade de adaptação e sempre que andamos "a fundo" elas vão avançado a ignição de modo a retirar mais potência do motor. Com isto é mais provavel que ocorra detonação. Aí entra o sensor de detonação (knock sensor). Este detecta o fenómeno e como é altamente prejudicial para o motor, a ECU procede ao atraso da ignição. Mas é um atraso radical no mapa da ignição, para proteger o motor faz um atraso valente.

Com gasolina 98, como a detonação ocorre mais tarde, a ECU consegue ir esticando o avanço e retirando mais potência do motor.

Obviamente num motor pequeno, de 8v, ou em condições de utilização do dia-a-dia é indiferente.

Se andarem com um multiválvulas, que faça muitas rpm, a fundo durante uma viagem grande, metam 98 e verão a diferença.

Espero ter desmistificado um pouco a coisa!


Foi aqui que desmistifiquei isso que dizes , foi onde a SC98 se tornou mais economica que a SC95 !

Para conduzir no dia a dia e num motor 8v precisava de carregar menos no acelerador e ele nao morria tanto o que se traduzia numa autonomia superior em 30kms que a SC95 !
 
Em relação a consumos e potência (aparentemente) disponibilizada tanto no Civic 1.4 d14a2como no Colt 1.1 não noto diferença alguma seja com 95, 95E10 ou 98.

Apenas notei no civic ligeira melhoria nos consumos (0,5 - 0,7 l/100km) quando utilizei GForce 95.
 
Acho que além da já habitual discussão 95 vs 98 octanas, penso que é interessante também percebermos que a larga maioria das 98 octanas comercializadas nos postos de combustível, são aditivadas. O que eu quero dizer com isto, é que entre estas 2 gasolinas (que experimentamos), não estamos a comparar apenas a diferenças das 3 octanas.
 
E assim, de acordo com o que sei as octanas não passam de um índice de resistência à explosão ou detonação da gasolina tendo em conta uma determinada tx. de compressão, apesar de se poder tambem medir no alcool e outros combustiveis usados no ciclo otto.
Por ex., uma gasolina de octanagem elevada, tipo 100 octanas, tem uma resistência à detonação elevada, só é eficiente em motores com ciclo otto com elevada tx. de compressão, mais comum nos carros de elevadas prestações, tipo um 2.0 com 200cv ou 5.0 com 500cv. Um 5.0 com 200cv não necessita muitas octanas para atinjir o seu maximo de performance possivel, daí os motores americanos preferirem menos octanas e a gasolina americana ter menos octanas do que a europeia. Nos motores com tx de compresssão maior essa elevada resistemcia à detonação, mais octanas, é necessária apenas nesses motores, pois se se usasse uma de 95 octanas por ex. a detonação dar-se-ia antes do motor ter atingido a tx. de compressão mais elevada possivel e consequentemente um maior binário nas mesmas rpms. A octanagem não quer dizer má ou boa qualidade do combustível. A maioria dos carros a gasolina, cerca de 99%, que se vê é simplesmente excusado meter gasolina com mais de 95 octanas. É queimar dionheiro.
 
No meio da discussão acerca de combustíveis low cost e preços de referência é importante perceber que todos os combustíveis que os consumidores têm ao seu dispor, de marca ou low cost, standard ou premium, têm um conjunto potencial de clientes para os quais são efectivamente a escolha mais interessante. A título de exemplo olhemos para aquele que será provavelmente o combustível com as vendas mais baixas, a gasolina de 98 octanas.

Embora o consumo de gasóleo seja cada vez maior em relação ao consumo de gasolina, há ainda um conjunto muito grande de veículos, onde se incluem a totalidade dos veículos de duas rodas, que usam gasolina, e aqui a questão que se põe é: gasolina 95 ou 98? A resposta imediata, para o que basta olhar para o preço é: 95 se faz favor. Mas há circunstâncias em que de um ponto de vista técnico e económico pode fazer sentido abastecer o carro com gasolina 98.
No caso de motores modernos (tipicamente com menos de 20 anos, para motores mais antigos a análise é diferente), há basicamente duas razões para usar gasolina de 98 octanas: ou o motor assim o exige ou o estilo de condução vai permitir rentabilizar o seu uso. No primeiro caso temos alguns veículos que, devido a opções de projecto de motor, estão preparados para funcionar exclusivamente com gasolina 98, mas estes veículos são todos sem excepção veículos de elevadas prestações (e preço) onde o custo de combustível é secundário. Já para a esmagadora maioria dos veículos a gasolina o combustível especificado pelo fabricante é pelo menos gasolina 95, o que não impede usar gasolina com níveis de octanas superiores. É esta segunda situação aquela que interessa analisar com mais detalhe.

Antes de avançar é importante referir que a gasolina 98 contém a mesma energia da gasolina 95, pelo que não tem vantagens relevantes ao nível da potência do motor.
O índice de octanas traduz a resistência do combustível à detonação. Este é um processo bastante complexo cuja explicação cai fora do âmbito deste artigo mas que, a ocorrer, leva à rápida degradação do motor. O factor que importa reter é que, a cada instante, o motor é tão mais eficiente quanto mais perto está de detonar, sem que tal ocorra. Num veículo moderno esta situação de equilíbrio instável é possível porque a gestão electrónica do motor vai ajustar as condições de funcionamento ao combustível disponível, nomeadamente através do ajuste do avanço à ignição. Este ajuste é feito automaticamente sem interferência do condutor nem que ele se aperceba de tal, mas este ajuste automático tem consequências ao nível da eficiência: ao ajustar o avanço da ignição para evitar a detonação estou a penalizar a eficiência do motor, e portanto a aumentar os consumos.
Curiosamente, aqueles que podem tirar mais vantagens do uso da gasolina 98 são os condutores que se desloquem maioritariamente em meio urbano e observem as regras da eco-condução, em particular da gestão da caixa de velocidades. Para perceber porquê é necessário perceber que um motor a gasolina é mais eficiente a cargas elevadas (acelerador a fundo ou quase) e a rotações baixas. E estas são também as condições onde a detonação mais facilmente ocorre. O uso de gasolina de elevado teor de octanas vai permitir que nesta situação onde o motor é mais eficiente (baixas rotações e elevada carga) o ajuste à ignição para evitar a detonação seja minimizado não havendo assim penalização da eficiência. Durante a condução a alta velocidade típica de vias rápidas a detonação dificilmente ocorre pelo que a vantagem da gasolina 98 é pouca ou nenhuma.

Que tipo de motores mais pode beneficiar deste combustível? Motores pequenos e/ou sobrealimentados, precisamente o segmento onde mais motores novos a gasolina estão a surgir, com cilindradas entre 1.2 e 1.6 litros que tipicamente vêm substituir os tradicionais motores atmosféricos entre 1.4 e 2 litros. Quem menos beneficia? Motores de grande cilindrada, atmosféricos e que trabalhem a elevadas rotações. Como em muitas outras situações, a recomendação para um condutor interessado em usar gasolina com mais octanas é que experimente, avalie a variação do consumo, faça as contas e tire daí as suas conclusões.
Gonçalo Gonçalves

Coordenador do laboratório de veículos e propulsão do DEM-IST


Gasolina 95 e 98




Tenho um carro em que a recomendação do fabricante é SC98 com possibilidade de SC95 em alternativa, mas a maior parte do tempo tem andado a SC95. Nunca notei diferença quer no consumo (Até há uma ligeirissima diferença a favor da SC95) quer nas prestações. De facto a única diferença que noto é na situação descrita a azul.
 
No meu somente noto ligeiramente nas baixas RPM, e o motor faz menos vibrações.

É um 1.0 vvti 68cv de 3 cilindros algo rotativo, desenvolve potencia maxima as 6000 RPM e corta às 6500 RPM. Não sei se tem alguma influencia ou não.
 
Do que pude constatar, já investiguei porque tive a mesma dúvida, não se deve é misturar as duas, de resto não vais sentir muita diferença muita entre as duas a não ser que tenhas um motor de 150CV para cima. Se sentires diferença vai ser mais efeito psicológico... :sh)

Não há qualquer problema de as misturar. Ficas com gasolina 96.5.
 
Em todos os carros se deverá notar, se apertarem com eles. Ou seja, se o carro levar uma esfrega, o comportamento será diferente com 95 ou 98. Passo a explicar:

O numero de octanas designa a capacidade do combustível resistir à "detonação" ou seja, a deflagração antes do momento correcto, pms+faísca.

A detonação ocorre essencialmente condicionada por factores como o número de rpms (mais altas), a carga do motor (mais alta) e o avanço da ignição (mais alto).

O que acontece é que as ECU's têm capacidade de adaptação e sempre que andamos "a fundo" elas vão avançado a ignição de modo a retirar mais potência do motor. Com isto é mais provavel que ocorra detonação. Aí entra o sensor de detonação (knock sensor). Este detecta o fenómeno e como é altamente prejudicial para o motor, a ECU procede ao atraso da ignição. Mas é um atraso radical no mapa da ignição, para proteger o motor faz um atraso valente.

Com gasolina 98, como a detonação ocorre mais tarde, a ECU consegue ir esticando o avanço e retirando mais potência do motor.

Obviamente num motor pequeno, de 8v, ou em condições de utilização do dia-a-dia é indiferente.

Se andarem com um multiválvulas, que faça muitas rpm, a fundo durante uma viagem grande, metam 98 e verão a diferença.

Espero ter desmistificado um pouco a coisa!

No meio da discussão acerca de combustíveis low cost e preços de referência é importante perceber que todos os combustíveis que os consumidores têm ao seu dispor, de marca ou low cost, standard ou premium, têm um conjunto potencial de clientes para os quais são efectivamente a escolha mais interessante. A título de exemplo olhemos para aquele que será provavelmente o combustível com as vendas mais baixas, a gasolina de 98 octanas.

Embora o consumo de gasóleo seja cada vez maior em relação ao consumo de gasolina, há ainda um conjunto muito grande de veículos, onde se incluem a totalidade dos veículos de duas rodas, que usam gasolina, e aqui a questão que se põe é: gasolina 95 ou 98? A resposta imediata, para o que basta olhar para o preço é: 95 se faz favor. Mas há circunstâncias em que de um ponto de vista técnico e económico pode fazer sentido abastecer o carro com gasolina 98.
No caso de motores modernos (tipicamente com menos de 20 anos, para motores mais antigos a análise é diferente), há basicamente duas razões para usar gasolina de 98 octanas: ou o motor assim o exige ou o estilo de condução vai permitir rentabilizar o seu uso. No primeiro caso temos alguns veículos que, devido a opções de projecto de motor, estão preparados para funcionar exclusivamente com gasolina 98, mas estes veículos são todos sem excepção veículos de elevadas prestações (e preço) onde o custo de combustível é secundário. Já para a esmagadora maioria dos veículos a gasolina o combustível especificado pelo fabricante é pelo menos gasolina 95, o que não impede usar gasolina com níveis de octanas superiores. É esta segunda situação aquela que interessa analisar com mais detalhe.

Antes de avançar é importante referir que a gasolina 98 contém a mesma energia da gasolina 95, pelo que não tem vantagens relevantes ao nível da potência do motor.
O índice de octanas traduz a resistência do combustível à detonação. Este é um processo bastante complexo cuja explicação cai fora do âmbito deste artigo mas que, a ocorrer, leva à rápida degradação do motor. O factor que importa reter é que, a cada instante, o motor é tão mais eficiente quanto mais perto está de detonar, sem que tal ocorra. Num veículo moderno esta situação de equilíbrio instável é possível porque a gestão electrónica do motor vai ajustar as condições de funcionamento ao combustível disponível, nomeadamente através do ajuste do avanço à ignição. Este ajuste é feito automaticamente sem interferência do condutor nem que ele se aperceba de tal, mas este ajuste automático tem consequências ao nível da eficiência: ao ajustar o avanço da ignição para evitar a detonação estou a penalizar a eficiência do motor, e portanto a aumentar os consumos.
Curiosamente, aqueles que podem tirar mais vantagens do uso da gasolina 98 são os condutores que se desloquem maioritariamente em meio urbano e observem as regras da eco-condução, em particular da gestão da caixa de velocidades. Para perceber porquê é necessário perceber que um motor a gasolina é mais eficiente a cargas elevadas (acelerador a fundo ou quase) e a rotações baixas. E estas são também as condições onde a detonação mais facilmente ocorre. O uso de gasolina de elevado teor de octanas vai permitir que nesta situação onde o motor é mais eficiente (baixas rotações e elevada carga) o ajuste à ignição para evitar a detonação seja minimizado não havendo assim penalização da eficiência. Durante a condução a alta velocidade típica de vias rápidas a detonação dificilmente ocorre pelo que a vantagem da gasolina 98 é pouca ou nenhuma.

Que tipo de motores mais pode beneficiar deste combustível? Motores pequenos e/ou sobrealimentados, precisamente o segmento onde mais motores novos a gasolina estão a surgir, com cilindradas entre 1.2 e 1.6 litros que tipicamente vêm substituir os tradicionais motores atmosféricos entre 1.4 e 2 litros. Quem menos beneficia? Motores de grande cilindrada, atmosféricos e que trabalhem a elevadas rotações. Como em muitas outras situações, a recomendação para um condutor interessado em usar gasolina com mais octanas é que experimente, avalie a variação do consumo, faça as contas e tire daí as suas conclusões.
Gonçalo Gonçalves

Coordenador do laboratório de veículos e propulsão do DEM-IST

Gasolina 95 e 98




Podem explicar melhor o que é que o avanço ou atraso na ignição tem a ver com a autodetonação que é um fenómeno que se dá na ausência de "faísca"?
 
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