Honoris Causa, o ridículo...

Tuareg

New member
Durante anos difundiu-se sobre as massas, orquestrada e não ingenuamente, o mito que os doutoramentos honoris causa eram agraciações propostas pelos países visitados aos ilustres visitantes (as mais das vezes políticos)...

A versão mais real é que sucede menos altaneira e digna.

Normalmente são os serviços diplomáticos do país visitante, que tentam desde os preparativos iniciais para uma visita de estado efectuada pela classe política, obter e negociar tais "títulos honoríficos" para os seus «grandes chefes», tentando conferir às suas passagens por terras estrangeiras uma aura de dignidade e valia que geralmente lhes não é reconhecida no seu país. Trata-se, pois, de mais um expediente da presdigitação político-diplomática visando sacralizar o poder e os símbolos do poder junto das massas.

Este tema fez-me hoje sorrir ao ouvir a notícia que finalmente Portugal conseguira obter para um seu político um doutoramento «honoris causa» na Índia... De facto já o tentara ao tempo da visita de Mário Soares, mas tal fora recusado pelos indianos... Agora voltou-se a insistir, com o o poderoso argumento diplomático da já existência de uma recusa anterior, e «voilá»!: sai um doutoramento «honoris causa» para Cavaco Silva, em literatura (que não era o pretendido, mas lá teve que ser...), pela Universidade de Goa...

Assim vão as pequenas vaidades soberanas do reino...
 
Tal prática inter-estados da agraciação e permuta negociada de títulos honoríficos entre os seus governantes e soberanos intensificou-se durante a época do Romantismo.

Este movimento cultural defendia o prevalecer do simbólico sobre a racionalidade, defendia o prevalecer da aura das instituições sobre o seu funcionalismo... Tais disposições foram um verdadeiro maná que nem os governantes e priveligiados da época esperavam vindas de uma corrente que não tardou a suceder trans-artística.
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

A mim faz-me rir sobremaneira: tanta dignidade coberta de ridículo...


Faz-te rir? Ridiculo porquê?

O que me chateia é isto:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/8667140.htm

(nós já sabiamos que a elite indiana é pretensiosa e arrogante, não precisam de fazer manifs)

ps: tenho reparado que a generalidade dos temas faz-te rir. Ainda bem, és uma pessoa bem disposta. Rir até faz bem!
 
Vinha precisamente abrir um tópico sobre doutouramentos "Honoris Causa", o motivo era o que abaixo escrevo.


Não, isso não é ridiculo o ridiculo é este episódio.

Em 1992 o Doutouramento de Mário Soares (então PR de Portugal) pela Univ de Goa foi recusado.

O nome que na altura estava a ser negociado junto daquela Instituição de Ensino Superior para receber este importante titulo era o de José Branco, administrador de Fundação Calouste Gulbenkian entre 1961~2004, mas à ultima hora, o então diplomata em Goa, decidiu avançar com um pedido em paralelo para Mário Soares.

Os responsáveis da Universidade de Goa não gostaram, e além de vetarem a atribuição do titulo a Mário Soares, travaram o processo de José Blanco, que , estava bem encaminhado até essa data.


Citei a reportagem de hoje do CM que menciona ter a informação sido fornecida por fontes conhecedortas do processo.


A inveja e a mesquinhez de "determinados" personagens e as pessoas a ele ligadas é mesmo de [:o)].

[8] [8)]
 
citação:Originalmente colocada por Der Teufel

OT: esse texto tem varios erros ortograficos, tira um bocado credibilidade á coisa [|)], digo eu...

Fui eu que transcrevi o texto (sem ser á letra) porque ainda não está Online, e usei um teclado que est+a afica OFF.

Vou trocar e já corrjo.
 
citação:Originalmente colocada por Excalibur

citação:Originalmente colocada por Der Teufel

OT: esse texto tem varios erros ortograficos, tira um bocado credibilidade á coisa [|)], digo eu...

Fui eu que transcrevi o texto (sem ser á letra) porque ainda não está Online, e usei um teclado que est+a afica OFF.

Vou trocar e já corrjo.

ok, foi so um apontamento ;)
 
citação:Originalmente colocada por Manuel Jasmim

(nós já sabiamos que a elite indiana é pretensiosa e arrogante, não precisam de fazer manifs)
Um país que fecha os olhos a um sistema de castas devia fazer uma introspecção antes de criticar o imperialismo.

Da mesma forma que um país, onde se pretende aumentar o fosso entre ricos e pobres, criando assim algo muito semelhante a castas, deveria criticar fortemente estas mentes mesquinhas que apenas se auto promovem em vez de servirem o país.
 
O modus operandi et faciendi dos doutoramentos honoris causa por via política redundam numa mistificação, num «fait divers», numa descredibilização das instituições promotoras de tal engrenagem de ilusionismo. Do estado em primeira e última instância.
 
citação:Originalmente colocada por Tuareg

O modus operandi et faciendi dos doutoramentos honoris causa por via política redundam numa mistificação, num «fait divers», numa descredibilização das instituições promotoras de tal engrenagem de ilusionismo. Do estado em primeira e última instância.

Diz-me lá exemplos práticos de instituições que foram descridibilizadas por darem doutoramentos honoris causa por via política.
 
A noticia está já disponivel On Line



Honoris Causa

Título negado a Soares

O Presidente da República, Cavaco Silva, recebe hoje o doutoramento Honoris Causa, que, em 1992, foi negado ao então Presidente da República, Mário Soares, por veto da Universidade de Goa. A mesma Universidade foi agora pressionada para recusar também o título ao actual Chefe de Estado.


O doutoramento Honoris Causa que a Universidade de Goa (UG) atribui hoje ao Presidente da República, Cavaco Silva, foi negado a Mário Soares em 1992.

Na altura, o nome que estava a ser negociado junto daquela instituição de Ensino Superior para receber este importante título era José Blanco, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, entre 1961 e 2004, mas, à última hora, o então diplomata de serviço em Goa decidiu avançar em paralelo com o pedido para o então Presidente da República, Mário Soares.

Os responsáveis da Universidade de Goa não gostaram e, além de vetarem a atribuição do título a Mário Soares, travaram também o processo de José Blanco, que, até esse momento, estava bem encaminhado, de acordo com o que o CM apurou junto de fontes conhecedoras do processo.

Assim que Cavaco Silva aceitou o convite do presidente da Índia para visitar o país, Portugal iniciou uma nova operação no sentido de tentar convencer os responsáveis da Universidade de Goa a concederem a distinção ao actual Presidente da República. O director do Centro de Língua Portuguesa, do Instituto Camões, José Ribeiro Lume, foi então encarregue de liderar o processo e, não tivesse sido a sua persistência, provavelmente a cerimónia de hoje não aconteceria. Não que os goeses tenham alguma coisa contra Cavaco Silva ou que o seu currículo não esteja à altura de uma homenagem do género, mas porque as organizações de estudantes, as associações defensoras da liberdade e alguns professores indianos do Conselho Pedagógico – irritados por o processo ter entrado “directamente no Conselho Executivo” da Universidade – tudo fizeram para impedir a atribuição a um português daquele que é o primeiro título do género entregue pela instituição.

Os contestatários uniram forças e, aliados ao Comité de Acção de Goa – organização fundada no ano de 1953 para combater o domínio português no território –, enviaram uma exposição ao governador, apelando-lhe que vetasse qualquer homenagem.

As pressões foram tantas e a níveis tão elevados da sociedade goesa que, segundo apurou o CM, na reunião decisiva, diante de S.C. Jamir, chanceler da instituição e governador de Goa, o vice-chanceler, P.S. Zacharias, “teve de dar garantias pessoais para garantir a aprovação da homenagem” ao actual Presidente da República

Confrontado pelo CM para prestar mais esclarecimentos sobre o caso, José Miguel Lume recusou revelar pormenores da negociação. Confirmou, no entanto, que “o processo foi muito atribulado e difícil de concluir em tempo útil”, devido às “muitas resistências”.

José Miguel Lume reconheceu ainda que o papel de P.S. Zacharias “foi determinante” para a atribuição do título, confirmando que “a distinção será no âmbito do departamento de Literatura e não de Economia”, a área de formação de Cavaco Silva.

O CM tentou também ouvir P.S. Zacharias, mas tal foi impossível até ao fecho desta edição.

Completo Diário de Referência
 
citação:Originalmente colocada por KarmaCop213

O que é que têm contra os doutoramentos honoris causa? De que forma isso prejudica a vocês e ao país?

Eu nada.

Acho que é uma forma de reconhecer o mérito de alguém de um determinado pais.

O episódio Soares é que é deveras caricato, pela negativa, mas pelos intervenientes que se puseram em bicos de pés. [8]
 
citação:Originalmente colocada por Excalibur

citação:Originalmente colocada por KarmaCop213

O que é que têm contra os doutoramentos honoris causa? De que forma isso prejudica a vocês e ao país?

Eu nada.

Acho que é uma forma de reconhecer o mérito de alguém de um determinado pais.

O episódio Soares é que é deveras caricato, pela negativa, mas pelos intervenientes que se puseram em bicos de pés. [8]

É esse o erro que se conseguiu difundir junto das massas: a generalidade dos doutoramentos "honoris causa" da classe política (como ainda agora aconteceu com Cavaco) não são atribuídos voluntariosamente para reconhcer mérito. São negociados diplomaticamente para que sobre as massas haja o efeito do «prestígio identitário» vindo pelo «grande chefe»...

A objecção e repúdio a este tipo de ilusionismo político é evidente, e não necessita de outras sofisticações explicativas.
 
Voltar
Superior