Detido GNR que matou jovem em perseguição
Nuno Silva, Artur Machado
Osoldado da GNR de Matosinhos que, ontem de madrugada, alvejou dois jovens (um deles mortalmente) durante uma perseguição automóvel ficou detido e será presente, hoje de manhã, a um juiz do Tribunal de Instrução Criminal do Porto. O militar está indiciado um crime de homicídio simples com dolo eventual e por outro crime do mesmo género, mas na forma tentada. Em causa estão, respectivamente, a morte de Vítor Hugo Carvalho da Cruz, de 21 anos, atingido com um tiro, e os ferimentos graves causados a Bruno Manuel Costa, de 17 anos, que foi alvejado na barriga e está internado no Hospital de Santo António.
O condutor do carro, de 22 anos, foi detido e também será presente hoje a tribunal e o passageiro, de 21, foi interrogado pelas autoridades e libertado (ler peça em baixo). Juntamente com as vítimas, eram os ocupantes de uma viatura que encetou uma fuga desde a Maia até ao Porto.
Segundo o JN apurou, o soldado, de 29 anos - que usou uma pistola-metralhadora "Famae" de calibre 9mm - alegou que efectuou os disparos (um total de seis) quando detectou uma arma de fogo no interior da viatura fugitiva (entretanto arremessada para o exterior) e garantiu que a sua intenção era atingir os pneus. O guarda terá alegado ainda que não sabia que seguiam dois indivíduos no banco de trás do veículo, já que estes estariam deitados.
Arma arremessada
Tudo terá começado às 1.30 horas, quando uma patrulha da GNR da Maia -que se encontrava imobilizada no cruzamento das Guardeiras -suspeitou do Peugeot 106 ocupado pelos jovens. De acordo com as informações da GNR, um dos militares saiu do jipe para lhes ordenar que encostassem o veículo, mas "o condutor pôs-se em fuga, tentando atropelar o guarda".
Entretanto, a patrulha seguiu no encalço do grupo e pediu apoio a militares do posto de Matosinhos, que, mais à frente, na Rotunda da AEP, prosseguiram com a perseguição. Segundo fonte da GNR, o condutor do Peugeot 106 levou a cabo "uma condução perigosa e desenfreada, galgando passeios e circulando em contramão. Quase chocava frontalmente com um condutor".
A determinada altura, e já na zona de Pereiró (Porto), o guarda garantiu ter detectado a existência de uma arma de fogo no veículo, que entretanto foi arremessada pela janela. Trata-se de uma arma de alarme adaptada para calibre 6,35 mm, que foi posteriormente recuperada pelas autoridades. Terá sido aquele movimento que levou o soldado a efectuar os disparos um para o ar e "outros cinco em direcção aos pneus", destacou a mesma fonte.
Os dois jovens que seguiam no banco traseiro foram, contudo, alvejados por três das balas, que furaram a mala do carro. Vítor Hugo levou um tiro no pescoço que se revelou fatal. Morreu no local. O Peugeot acabou por ficar imobilizado na Rua de Pinho Leal (próximo da Avenida da Boavista), nas imediações da Escola Secundária Garcia da Orta.
A defesa do militar (que pernoitou sob detenção nas instalações da GNR de Matosinhos) está a cargo do advogado Luís Vaz Teixeira e a do condutor detido será assegurada por Carlos Duarte.
http://jn.sapo.pt/2006/10/04/primeiro_plano/detido_que_matou_jovem_perseguicao.html