Gabriel Garcia Marquez - "O Amor nos Tempos de Cólera"
Já me começam a faltar as palavras para descrever a escrita do colombiano Gabriel Garcia Marquez, Prémio Nobel da Literatura em 1982 e indiscutivelmente um dos grandes nomes da literatura mundial.
Apesar de
"Cem Anos de Solidão" ser comummente considerado a sua obra-prima, consegui gostar ainda mais deste
"O Amor nos Tempos de Cólera". É uma história sobre o amor, a perseverança, a velhice. Florentino Ariza é a personagem central da história, que espera 51 anos, uma vida inteira, por Fermina Daza, respeitável senhora de família e de sociedade que sempre foi a dona do seu coração, apesar de sempre o ter renegado.
Como é habitual em Garcia Marquez tudo nos é narrado (pois de narrativa se trata) recorrendo a lindíssimas imagens literárias, desconcertantes acontecimentos do quotidiano que encaixam perfeitamente no "realismo mágico" a que o autor é frequentemente associado, tudo pincelado com um humor magnífico muitas vezes baseado no ridículo e no exagero. Como é habitual na escrita de Marquez, os diálogos não abundam, mas os poucos com que nos presenteia são deliciosos, praticamente as personagens não dizem nada que não seja intenso, lindo ou delirantemente cómico.
Marquez é definitivamente O mestre da narrativa, usando de uma escrita sedutora, encantadora e que nos leva a devorar cada linha, cada parágrafo como se estivéssemos a olhar para uma bela paisagem. É um livro obrigatório para quem goste de ler, independentemente do seu género preferido. É também um livro para os que acreditam no amor e para os que não acreditam. Eu nunca pensei que pudesse haver amor como o de Florentino Ariza nem que alguém o pudesse narrar de forma tão sublime, mas saio deste livro plenamente convencido.
Esplêndida obra, imprescindível.