Livros - O que andam a ler?

Update às minhas leituras do último mês e meio:

"Cantos de Maldoror" de Isidore Ducasse (também conhecido por Conde de Lautreamont)

Esta obra-prima do horror é verdadeiramente inacreditável. Jamais imaginaria que alguém pudesse meter em papel de forma tão tenebrosa o lado mais horrendo do ser humano. "Cantos de Maldoror" é um livro chocante, horripilante, fantástico, repulsivo, genial, demente, épico. Uma obra-prima da literatura decadentista do início do século XX.

Levei vários meses a lê-lo pois fiz questão de o tragar lentamente. Tanto Mal, tanta depravação, tanta descrição da crueldade humana não é para se consumir de enfiada. Até porque o livro não tem uma história linear, são fragmentos soltos da rendição de Maldoror à carreira do Mal.

Obra-prima da literatura.

"Pela Estrada Fora" de Jack Kerouac

Descrição entusiasmante, divertida e on the road da Geração Beat, nos anos 50 dos EUA, antecâmara da Geração Hippie. Álcool, drogas, sexo, jazz, tudo se mistura na escrita simples e directa de Jack Kerouac. É um livro autobiográfico (com nomes fictícios) onde entram outros ícones da literatura americana como William S. Burroughs, Allen Ginsberg e principalmente o desconcertante Neal Cassady, amigo de Kerouac. Correr a América à boleia sem um tostão no bolso várias vezes de lés a lés não é para todos e depois de se ler "Pela Estrada Fora" dá vontade de ir fazer o mesmo.

"Capitães da Areia" de Jorge Amado

Foi o primeiro livro que li de Jorge Amado e adorei. "Capitães da Areia" retrata o mundo cruel dos meninos de rua de Salvador da Bahia nos anos 30/40, as suas aventuras, as suas paixões, os seus ideais (ou a falta deles), a diária luta pela sobrevivência, os laços de afecto entre eles, a ausência de amor, chega a ser comovente. Simplesmente magnífico.

"Os Pilares da Terra" de Ken Follett

Verdadeiro calhamaço de 1100 páginas divididas por dois volumes. Levou-me quase um mês a ler mas foi recompensador. É uma história verdadeiramente épica sobre um homem na Idade Média que sonha construir uma catedral como nunca existiu. A Idade Média, a Igreja, a Guerra Civil Inglesa, a perigosa ligação política/religião desde sempre existente, tudo passa por esta história fenomenal e viciante. Haja tempo e disposição para se passar tanto tempo com uma história e o resultado é um livro inesquecível.

"Navegador Solitário" de João Aguiar

A história de Solitão Francisco da Conceição Fernandes e a sua atribulada transição da adolescência para a vida adulta. A luta moral de Solitão com o seu lado "mau", ter ou não ter escrúpulos, eis a questão... Um avô já morto que lhe manda mensagens pela sua mão. Uma tia medium, uns pais frios e injustos, experiências sexuais de toda a índole, a descoberta da grande cidade, tudo isto acontece em "Navegador Solitário" onde também, por vezes subtilmente, se fala de temas como a política, o futebol, a Igreja, o provincianismo, tantas e tantas coisas numa abordagem inteligente e original de João Aguiar. Gostei.



Adorei esse livro, muito bom mesmo.
Estou para começar "A voz dos deuses" do mesmo autor.
 
Neste momento estou a ler o Codex 632 do José Rodrigues dos Santos. Em príncipio posteriormente vou ler os restantes livros da triologia, a Fórmula de Deus e o Sétimo Selo.
 
Equador, do Miguel Sousa Tavares.

Já o era para ter lido, mas nunca calhou comprá-lo: acabou por ser nestas férias, em Agosto. Já estou a acabá-lo, apesar do pouco tempo que me resta.
 
E por acaso, ninguém me sabe indicar um que esteja relacionado com o Ambiente? Aquecimento Global? Energias Renováveis? Relacionado com estes temas?
 
Eu ando a ler isto....confesso que estou a achar um bocado "desengraçado"..

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E dia 29.....vou comprar isto... [br:)]

O+Simbolo+Perdido+-+Dan+Brown.jpg



apr:)apr:)apr:)apr:)apr:)apr:)
 
Eu comecei agora a ler "Twilight", em inglês.
Junta-se entretenimento com melhoria do nível de inglês, que pode vir a ser necessário num futuro próximo.[:p]
 
Acabei de ler, de novo, os Pilares da Terra, do Ken Follet, seguidos do World Without End, a sequela, do mesmo autor.

São livros bastante interessantes, com personagens muito complexas. Um estilo de escrita único, que nos puxa o livro para as mãos sempre que olhamos para ele.

Alguém falou aí do "A voz dos deuses". Eu fiquei fã de João Aguiar com este livro e recomendo-o. Aliás, João Aguiar é o escritor português que eu mais gosto de ler, sem sombra de dúvidas.


Alguém também falou do Twillight. Eu li os 4 livros da Saga e acho que, apesar da história ser muito engraçada, os livros não são muito bens escritos, parecendo, muitas vezes, que apenas estamos mesmo a ler um livro, não nos estamos a embrenhar nas suas folhas. (Se é que me entendem). É bom para passar o tempo, mas não é um livro que nos deixe a noite acordados, nem o dia a pensar o que vai acontecer a seguir...
 
Última edição:
Update de leituras, Outubro e Novembro:

"Equador" de Miguel Sousa Tavares

Simplesmente magnífico, escrita riquíssima, romance histórico que me marcou, excelente.

"A Cidade e as Serras" de Eça de Queiroz

Confronto Cidade vs Campo, Civilização vs Natureza, um clássico imprescindível.

"Maddie - A Verdade da Mentira" de Gonçalo Amaral

Interessante qb, um dos lados da questão. Onde é que pára a verdade é que continuei sem saber.

"A Pomba" de Patrick Süskind

Sucessor de "Perfume" mas um pequeno conto de cento e poucas páginas. Bom, mas fica a sensação que podia ter sido esticado para um romance maior e mais complexo, como "Perfume".

"Norwegian Wood" de Haruki Murakami
Alguma desilusão, achei-o o livro mais fraco (pronto, o menos brilhante) de Murakami.

"O Outono do Patriarca"
de Gabriel Garcia Marquez
Sátira às ditaduras sul-centro-americanas, na sempre rica escrita de Marquez. Difícil de ler porque quase não tem parágrafos e os pontos finais também rareiam. Mas Garcia Marquez é sempre um prazer.

"A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao"
de Junot Diaz

História engraçada e que nos leva numa viagem à vida de um "cromo" nos tempos difíceis do Trujillismo.

"Eurico, o Presbítero" de Alexandre Herculano

Um clássico da nossa literatura, o confronto entre o Amor e a Fé. Tem algo de Shakespereano também.

"O Carteiro de Pablo Neruda" de Antonio Skarmeta

Tinha visto (e adorado) o filme há muitos anos e decidi ler "O Carteiro" para recordar o filme. Fiquei algo desiludido, pois é raro gostar mais de um filme do que de um livro e foi o que aconteceu. Não que o livro não seja bom, o filme é que é demais.

"A Morte de Bunny Munro" de Nick Cave
Desconcertante história de um garanhão e do seu pobre filho após a morte da sua mulher. No meio de muita comédia, acaba por ser comovente. Personagens riquíssimas numa escrita sem floreados.

"Auto-Retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo"
de Haruki Murakami

Análise de Murakami à importância da corrida na sua carreira de escritor. Fica-se a saber, entre outras coisas pessoais interessantes que os livros dele não revelam, que uma vez participou numa mega-maratona de 100 kms e chegou ao fim.

"Sexus" de Henry Miller

Clássico da literatura internacional, em parte auto-biogáfico, "Sexus" leva-nos à vida de bon vivant, de sexo, muito sexo e de um grande amor. As cenas mais eróticas são assim como que para o... pornográfico. Mas "Sexus" é muito mais do que isso, pois pelo meio Henry Miller leva-nos a reflectir um pouco sobre tudo o que nos rodeia.

"Diário de um Fumador" de David Sedaris


Livro divertidíssimo, uma série de acontecimentos burlescos no quotidiano do humorista norte-americano, que é uma espécie de Nuno Markl. Muito bom para descontrair entre duas leituras mais "sérias".


E com isto só me faltam 4 livros para atingir o objectivo que tracei para este ano: ler 50 livros.[kiss]
 
Por acaso ainda hoje me lembrei deste tópico, obrigado Raistaparta p n me fazeres ir ao sotão do fórum... até sou sensível ao pó, poupaste-me umas valentes comichões no nariz e espirradelas. [:D] [:)]

Como é q consegues ler tanto?
N fazes nada na vida? (j/k) [:p]

Seguindo ao q interessa, ando a ler o novo do J. Rodrigo dos Santos, o "Fúria Divina" e li antes o "7º Selo"

Uma pergunta, serei só eu q fica c a sensação q ele abusa em certas situações e comete um erro gramatical básico diversas vezes?
O abuso: Está sempre a dizer o nome das personagens ou das situações, no 7º Selo é uma alcunha q arranjou para a personagem «Casanova», há uma parte do diálogo com uma das personagens em q repete o nome «Casanova trinta vezes ou mais...
No "Fúria Divina" é qd os muçulmanos "falam" está smp a colocar o «Alá seja sagrado» e afins. A malta sabe q é assim q eles falam +/- mas tb numa frase dizer «Alá (...)» n sei qts vezes chateia e faz-me passar partes à frente ou ler mais na diagonal.

O erro: Aprendi q só se deve usar uma vez a interjeição (já n me recorda se é assim q se chama :confused: ) 'e' numa frase de preferência, tipo:
«Comi um bife, arroz, batatas e salada.».
O JRS é capaz de escrever:
»Comi um bife e arroz e batatas e salada.»
Sou só eu ou esta forma de escrita está errada???


Cumps,
Edd :)
PS: desculpe o testamento... [:D] :sh)
 
Eddy, eu não leio muito, a generalidade das pessoas é que lê pouco.

Leio todos os dias sim, mas em média uma hora por dia, algumas vezes mais, mas uma hora é sagrado. Vamos lá que leia 50 horas por mês. Dependendo do tipo de escrita do autor (e que influencia necessariamente o ritmo da leitura) 50 h de leitura dão para ler umas 2000 páginas. São 5 livros de 400 páginas por mês (ou 10 de 200 etc), ou seja, um livro por semana.

Não é assim tão difícil, é preciso é ganhar-lhe o gosto.[;)]

Em relação ao Rodrigues dos Santos teria de ter lido algo dele para te responder, pois há autores que assumem certos desvios gramaticais propositadamente, numa espécie de criação de um estilo próprio. Por exemplo, o Gabriel Garcia Marquez, em "O Outono do Patriarca" tem um parágrafo de 30 páginas sem pontos finais, só vírgulas (e poucas) :eek: , o que vai contra todas as normas, e nos deixa com uma enorme falta de ar quando chegamos ao final.[:D]
 
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