Que o i-Miev cumpre cabalmente na cidade já o comprovámos. Mas como são poucos os portugueses que, mesmo morando no centro da cidade, resistem à voltinha de fim-de-semana pelos arredores, desta vez ficámos com o Mitsubishi elétrico um par de dias para descobrirmos se, no caso de ser o carro único lá de casa, consegue levar-nos àquele restaurante tão famoso nos arredores ou visitar o amigo que escolheu viver no campo. Depois de um dia apressado na cidade, confirmando os extremos das capacidades dos carros eléctricos – no pára-arranca parece que a carga da bateria nunca mais acaba enquanto nas velozes vias rápidas circundantes perde 10 km de autonomia a cada três percorridos – menos de cinco horas ligado à corrente restabeleceu a totalidade da carga de bateria.
Na manhã seguinte, bem fresca e húmida, depois de desligado da tomada e arrumada a extensão na bagageira, o computador de bordo indicava um total de 136 km de autonomia, prometendo um folgado dia de romaria. Meia dúzia de quilómetros à frente, na primeira rotunda, a uns normais 50km/h, o escorregar exagerado da frente denunciou o baixo atrito dos finíssimos 145/75 Dunlop Enasave e pôs a piscar a luz do controlo de estabilidade. Dessa luz, o olhar desviou-se para a autonomia que entretanto – 5 ou 6 km depois – já estava nos 90 km... Mau, isto assim já não chega para ir e voltar do almoço. A memória relembra as palavras da Mitsubishi “a climatização é o equipamento que rouba mais energia eléctrica...” Por isso, toca a desligar o aquecimento e a ventilação, o que restabeleceu de imediato a autonomia para 120 km. Para atenuar os menos de dez graus exteriores, pouco menos do que no interior, lá encontrámos o escondido botão da resistência que aquece os bancos e que faz parte do equipamento de série. Não é a mesma coisa, mas sempre aconchega o corpo e o seu consumo quase não se reflecte na autonomia eléctrica.
Andamento sem poupanças
De resto, não poupámos em mais nada: fomos de rádio ligado, já que a música, além de entreter, também disfarça os ruídos parasitas dos plásticos que envolvem o aparelho e que são, de resto, o único sinal de uma montagem melhorável; luzes ligadas e, claro, com as escovas a desviar a chuva do pára-brisas. E no andamento também não houve quem nos pudesse acusar de empata. As boas prestações do i-Miev estendem-se às estradas nacionais: mantém, e excede, se necessário, os 80 ou 90 km/h sem quaisquer dificuldades, mesmo a subir uma íngreme serra.
Ultrapassámos vários carros com a maior facilidade, até porque a aceleração até aos 100 km/h é surpreendente (a recuperação do i-Miev dos 40 aos 100 km/h bate a maioria dos utilitários 1.3 a gasolina em 3ª). Nota muito positiva também para o nível de conforto. A suspensão digere com facilidade os buracos e as imperfeições do asfalto e a generosa distância entre eixos garante espaço suficiente para que nenhum dos quatro se sinta apertado.
Voltámos a casa com 77,7 quilómetros feitos em estradas nacionais com um gasto inferior ao da gorjeta do almoço – as auto-estradas também são caras e sorvem electricidade como uma esponja a 120 km/h – e com uma autonomia restante de 18 km.