Mas eu estou a marimbar-me para indemnizações, que ainda por cima, estou mesmo a ver como é no nosso país. Há informação que não tem preço, muito menos aquilo que depois "eles" acham que vale.
Bem sei que os sistemas de segurança são incomparavelmente mais evoluídos e mais seguros que os domésticos mas simplesmente não confio que coisas minhas estejam alojadas sob a responsabilidade de outrém. O meu PC dificilmente será alvo do interesse de um hacker, já um servidor com "toneladas" de informação... e se eles querem, conseguem. Será sempre assim.
Centralizar tem a grande desvantagem de ser mais fácil deitar abaixo. Eu não quero "morrer" só por ficar sem internet.
Isto é como ter o dinheiro em casa ou no Banco. No início, quando apareceram os bancos, muita gente resistiu profundamente a levar o dinheiro para lá. Hoje em dia, os que o guardam debaixo do colchão ou num cofre caseiro são já uma ínfima minoria. É apenas uma questão de tempo.
Levando a coisa para outro patamar, ainda hoje há muita gente que não confia nos suportes digitais mesmo que os tenha à sua frente, em casa. E portanto fazem um print em papel de todos os documentos que têm no disco. Até com fotos há quem faça isso. É uma coisa que para quem tem menos de 30 anos não faz sentido, mas para os mais velhos faz...
Muitas vezes é mais uma questão de percepção de segurança, do que de segurança propriamente dita. Por exemplo, quem tem os ficheiros pessoais no computador pessoal e depois faz um backup num disco duro externo, julga que está muito seguro por causa disso, mas o acréscimo de segurança é na realidade pequeno. Em primeiro lugar, porque utiliza o mesmo tipo de suporte para ambas as cópias (disco duro do computador e disco duro externo), em segundo lugar porque tem ambos os dispositivos na mesma casa, ou mesmo na mesma divisão (se houver um incêndio ardem os 2, se houver um assalto levam os 2), e em terceiro lugar porque os inquéritos dizem que muita gente apaga os ficheiros do computador para libertar espaço, depois de os copiar para o backup. Ou seja, fica na realidade com apenas uma cópia dos ficheiros, o que não é backup nenhum.
Já quando se recorre a serviços da cloud, as pessoas não têm noção de onde estão fisicamente os seus dados, e por isso sentem-se mais inseguras. Mas na realidade, se optarmos por um serviço de qualidade (e aqui qualidade geralmente significa ter que pagar alguma coisa, mas um disco duro também custa dinheiro, certo?), os dados estão gravados de modo encriptado em vários locais diferentes, possivelmente em países diferentes, os dados circulam eles próprios entre o serviço e os Clientes de modo encriptado, etc, etc.
Para o argumento da segurança local vs remota ser coerente, quem optasse pela primeira opção teria que se recusar a usar caixas multibanco, banca online, o site das finanças, qualquer serviço de e-mail, e mais uma data de coisas. Ora, isto são tudo coisas que lidam com dados muito sensíveis que todos nos habituámos já a confiar quase em pleno. Com tudo o resto há-de ser assim também.