O mercado das obrigações está-se a democratizar fortemente porque as empresas estão com dificuldades em financiar-se na Banca. Vai daí financiam-se directamente junto do investidor. Nunca se pode dizer que uma obrigação em abstrato tem muito ou pouco risco. Depende do emitente, isto é, do devedor. Uma coisa é certa, não existe nenhum fundo de garantia à imagem do que existe para os depósitos. O risco da obrigação é, em última análise, o risco de falência da emitente, mas pode não chegar a tanto. A emitente pode não falir mas ainda assim pode não ter dinheiro para pagar a dívida na maturidade. Basta por exemplo nessa altura não conseguir fazer o revolving da dívida com a emissão de mais um empréstimo obrigacionista, e não ter outros meios para obter a liquidez necessária. No que diz respeito às emissões que têm havido recentemente (PT, EDP, Semapa, Soane, etc) são todas empresas sólidas, mas é preciso ter bem presente que o risco de uma obrigação é sempre superior ao de um DP.
As obrigações compram-se e vendem-se na altura da emissão, mas depois também podem ser transaccionadas em mercado secundário. Tipicamente o valor de mercado de uma obrigação num momento qualquer entre a emissão e a maturidade é inferior ao valor na data da emissão. Isto sucede porque o mercado "desconta" a rendibilidade futura dessa obrigação, ou seja, desconta no preço o valor dos cupões (juros) que a obrigação pagará até ao final do prazo.
Quem estiver interessado em comprar obrigações deve marimbar-se para a TANB de que as publicidades falam e perguntar ao seu Banco qual a Taxa Líquida. Isto porque, tipicamente, a aquisição de uma obrigação ao Banco paga comissão de subscrição, comissão de guarda de títulos (ou outra coisa qualquer com nome parecido), e ainda comissão de pagamento, não esquecendo que todos os cupões pagam o IRS da praxe (25% sobre o rendimento).