Os políticos como reflexo da sociedade

Corsa1200Sport

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é muito comum ouvir-se criticas a classe politica, e este forum nao é excepcao. Fala-se muitas vezes que se conseguissemos eliminar os politicos ("uma corja, uns sanguessugas"[:D]) que isso faria bem ao pais. Ha quem ainda diga que um rei resolvia tudo[:)].

Eu sempre discordei desta opiniao, dizendo que os politicos sao o que devem ser, ou seja, representantes dos eleitores, e como tal com todos os vicios e problemas eticos da sociedade em que vivemos. Assim sendo, uma bomba na AR nao resolveria os nossos problemas, e a mudanca necessaria esta em todos nos, ao aproximarmo-nos de niveis eticos, de respeito e de conceito de bem comum que as populacoes dos paises nordicos possuem. Claro que estas mudancas demoram tempo, e nao se fazem por decreto.

Partilho com voces um artigo sobre as eleicoes autarquicas, e que fala justamente deste tema, e do quanto os politicos verdeiramente nos representam. Tenho curiosidade em ouvir a opiniao geral sobre este assunto, talvez nao tao interessante como especular sobre o freeport ou escutas, mas mais relevante, creio para o nosso desenvolvimento a longo prazo.


Helena Garrido
Rotundas ou escolas, a escolha é sua
Helenagarrido@negocios.pt

Os nossos valores, prioridades e preferências. De todas as eleições em que participamos, é nas autárquicas que mais nos damos a conhecer como povo. Porque olhamos mais para a pessoa que para o partido, quando escolhemos a equipa autárquica revelamos, por exemplo, o lugar que ocupa a seriedade ou a obra feita, e o tipo de obras, na nossa hierarquia de valores.

O poder local, que o lugar comum diz que foi a "maior conquista da democracia", é, sem dúvida, a democracia no seu estado mais puro. Eleitor e eleito, mesmo nas grandes cidades, conhecem-se e interagem mais do que na relação com o poder central. O princípio de aproximação máxima de eleitor e eleito, numa tentativa de limitar a impureza da democracia representativa aproximando-a mais da directa, é indiscutivelmente aceite. A própria União Europeia o consagra nos seus tratados através do princípio da subsidiariedade.

É exactamente essa a eleição que vamos ter no domingo. Através dela, temos instrumentos para impor os nossos valores e preferências.

O que nos tem dito o País sobre esses valores?

O país do caos urbanístico, de autarcas corruptos, de rotundas ajardinadas num país mais seco que húmido, de escolas sem jardins e mal equipadas, de edifícios megalómanos, supostos centros culturais... Tudo isto é o reflexo daquilo de que gostamos mais.

Não vale a pena culparmos os políticos. Se em cada aproximação de um acto eleitoral autárquico nos oferecem mais uma rotunda com uma espécie de escultura, a razão está em nós. Se o autarca não olha a meios para mudar a face da autarquia, e com isso ainda aproveita para arrecadar um bom dinheiro para si e para a sua família, sem qualquer disfarce e à vista de todos, a razão está em nós. Se um autarca condenado pelos tribunais e conhecido pelos seus eleitores se mantém nas corridas eleitorais e sabe que poderá ganhar, a razão está apenas e unicamente na nossa hierarquia de valores.

Sim, é verdade que o quadro legal de financiamento das autarquias consagra incentivos perversos. É verdade que promove a construção desordenada e em quantidade, sem qualquer qualidade para quem lá vive. Mas também é verdade que não revelámos no passado qualquer preocupação com isso na altura em que vamos votar.

Os autarcas sabem que uma grande obra - de cimento ou betão - que encha bastante o olho, dá votos. Sabem que dizer que têm na sua autarquia a maior qualquer coisa da Europa ou do mundo - em geral, um centro comercial - lhes pode garantir a reeleição.

Os autarcas também sabem que melhorar a escola onde andam as nossas crianças, investir no tratamento dos lixos, manter pequenas estradas, até em terra batida, em vez de querer as violentas auto-estradas, dificilmente lhes trará a reeleição.

Há algum tempo que alguns protagonistas políticos nos dizem para olharmos para o que podemos fazer para melhorar o País em vez de passarmos a vida a dizer mal dos políticos.

É nas eleições autárquicas, muito mais do que nas legislativas, que temos mais poder para fazer de Portugal um país moderno. E não o Portugal das rotundas ajardinadas com escolas degradadas.


helenagarrido@negocios.pt

in Jornal de Negócios Online
 
É bem verdade.

Eu quero é rotundas ajardinadas e os respectivos ilhéus também para não se ver quem circula ou pretende entrar na rotunda.

É tão triste..[8b]
 
Os políticos são o espelho do povo. Seja em democracia ou em ditadura. Sempre foi e sempre será assim.

Se quisermos políticos melhores temos que começar a olhar por nós abaixo.
 
O melhor exemplo da relação dos portugueses com os políticos é o Isaltino Morais ir previsivelmente ganhar com MAIORIA ABSOLUTA.

E a lista das Fátimas, Valentins, Avelinos, Narcisos, é imensa.

Estás num País (ainda estás?) onde um político gastar 2 libras num vídeo clube com o cartão de crédito do Governo é alvo de censura pública.

Aqui, as coisas são diferentes.

Em Portugal há coisas não explicáveis.
 
Já por diversas vezes, escrevi aqui, a minha opinião sobre esta questão.
Este é um País onde os cidadãos culpam todos os outros, sejam eles porque o Vizinho triunfou, porque o politico é corrupto, ou incompetente, porque o empresario não criou riqueza suficiente para todos, porque o colega é um ineficaz....[;)][:D].

TODOS são mediocres e culpados, menos EU, nunca EU. :confused::(

Esta incapacidade de fazer mea culpa, de auto-critica, é o reflexo de uma baixa formação socio-cultural, de baixa cultura e pratica de cidadania, e enquanto estas geraçoes por cá andarem, pouco irá mudar, com a agravante de que a proxima geração está a ser "educada" por estes...:([s)]
 
Já por diversas vezes, escrevi aqui, a minha opinião sobre esta questão.
Este é um País onde os cidadãos culpam todos os outros, sejam eles porque o Vizinho triunfou, porque o politico é corrupto, ou incompetente, porque o empresario não criou riqueza suficiente para todos, porque o colega é um ineficaz....[;)][:D].

TODOS são mediocres e culpados, menos EU, nunca EU. :confused::(

Esta incapacidade de fazer mea culpa, de auto-critica, é o reflexo de uma baixa formação socio-cultural, de baixa cultura e pratica de cidadania, e enquanto estas geraçoes por cá andarem, pouco irá mudar, com a agravante de que a proxima geração está a ser "educada" por estes...:([s)]

Inteiramente de acordo.

A necessidade de arranjar bodes espiatórios, sejam os politicos, patrões, empresas ou outros é de facto uma realidade com que não convivo bem.

O que me preocupa é que, a avaliar pelo que vejo aqui no fórum e não só, muitas pessoas das novas gerações já entraram nesta lógica.

Aliás, cheira-me que este tópico vai rapidamente cair no esquecimento. :(
 
Inteiramente de acordo.

A necessidade de arranjar bodes espiatórios, sejam os politicos, patrões, empresas ou outros é de facto uma realidade com que não convivo bem.

O que me preocupa é que, a avaliar pelo que vejo aqui no fórum e não só, muitas pessoas das novas gerações já entraram nesta lógica.

Aliás, cheira-me que este tópico vai rapidamente cair no esquecimento. :(

Se te queres "arrepiar" um pouco com a mediocridade reinante, vai ao diario economico (on-line) lê os comentarios que lá estão escritos, sobre o assalto de ontem á casa da neta do Antonio Champalimoud (!) :(:confused:[s)]
é de reflectir...
 
E a lista das Fátimas, Valentins, Avelinos, Narcisos, é imensa.

Desde que alimentem o Estado despesista, a stisfação das clientelas, e o caciquismo ainda tão apreciado de norte a sul, vão continuar a ser eleitos. [;)]:(
 
Esta geração já é assim, mas isto começou quando e o que motivou tais acontecimentos?
É uma questão complexa. Há uma matriz que corresponde aos tempos da desresponsabilização provocados pelo 25 do A. Tomou-se de assalto todas as convenções e tudo foi questionado. A autoridade, tal como (bem ou mal) tinha sido cultivada evaporou-se. E como a moral estilhaçou, cada um faz o que quer e quem vier a seguir que se lixe.

E isto tem andado assim, de há 35 anos a esta parte.

Um vazio total de valores.

E eu que já sou dessa geração, sinto que a geração seguinte é pior que a minha.

Um dia lá teremos de voltar à cultura de exigência.

Em que um Primeiro Ministro não tenho sobre si as suspeitas de ter feito uma Licenciatura às 3 pancadas e que possa ser um modelo para os nossos filhos.
 
Já por diversas vezes, escrevi aqui, a minha opinião sobre esta questão.
Este é um País onde os cidadãos culpam todos os outros, sejam eles porque o Vizinho triunfou, porque o politico é corrupto, ou incompetente, porque o empresario não criou riqueza suficiente para todos, porque o colega é um ineficaz....[;)][:D].

TODOS são mediocres e culpados, menos EU, nunca EU. :confused::(

Esta incapacidade de fazer mea culpa, de auto-critica, é o reflexo de uma baixa formação socio-cultural, de baixa cultura e pratica de cidadania, e enquanto estas geraçoes por cá andarem, pouco irá mudar, com a agravante de que a proxima geração está a ser "educada" por estes...:([s)]


Concordo, em parte.
Mas o facto é que ainda há pessoas que seguem a via correcta da vida, seja na pessoal, profissional.
Parece que agora são "tótós".[8b]


Chegámos a um ponto onde ser mal-educado, burlão, não se respeitar nada nem ninguém até já nem é mal visto.
É normal....:confused:

E quando chegamos a esta "normalidade", algo está anormal.....

Somos um pais de tristes e de trastes, onde enganar o próximo é o próximo objectivo.

Quando temos politicos, empresários, chefes, responsáveis, que hoje dizem ou prometem X, para amanhã fazerem precisamente o contrário como se isso fosse normal, leva também a que os comportamentos tomados por alguns sejam aqueles que infelizmente conhecemos.
 
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