Boas, então vamos desmitificar um pouco as coisas, o carro quando chega a uma determinada rotação de fábrica, a centralina está programada para deixar de injectar gasolina por forma a impedir o aumento de regime e possiveis danos para o motor.
1º ponto: O corte é de injecção e não de ignição uma vez que além dos devidos "rateres" que se iriam ouvir se assim fosse, isso não seria nada proveitoso, quer para o motor, quer para o catalizador que iria ter que engolir gasolina mal queimada, quer para os consumos, enfim, tanta coisa, basta pensar um bocadinho no funcionamento do motor...
2º ponto: existem carros nos quais nem sequer existe um redline, querem um exemplo, vejam este video e digam lá onde está o redline:
http://www.youtube.com/watch?v=UYJotpi4FQ4&feature=PlayList&p=FB495A51EB8BB66C&playnext=1&index=3
3º ponto: o corte de injecção o que faz é somente cortar a alimentação(injecção de combustivél) ao motor, ou seja os 4 injectores, caso seja injecção multiponto, ou 1 no caso monoponto, num regime pré-estabelecido de fábrica recebem um sinal da centralina para não injectarem gasolina por forma a impedir o aumento de rotação, mais nada, desta não injecção de combustivél não resulta nada danoso para o motor, basta pensar no funcionamento interno de um motor e procurar problemas relacionados com a não injecção de combustivél num determinado ponto durante segundos...
4º ponto:de esclarecer que o corte de rotação não funciona em reduções, apenas em aceleração...
5º ponto:embora já aqui o tenham referido, o corte de rotação não coincide com o regime de potencia máxima, nem se aproxima deste, um exemplo é o clio 1.6 16v, tem um regime de potência máxima ás 5750rpm e corta a injecção ás 6500rpm, ou seja são mais 750rpm, mas podia fazer mais, porque para se entrar no campo da fiablidade têm que se ter outros aspectos em conta, a fiabilidade de um motor tem a ver , quer com a pressão que as peças aguentam, quer com a temperatura, quer com a rotação, no entanto no caso do motor que meti como exemplo, a fiabilidade apenas é claramente comprometida quando se atingem rotações superiores a 7500rpm de origem, nesta altura as molas das válvulas começam a ter dificuldades em fechar atempadamente as válvulas o que pode originar um choque entre uma válvula e um êmbolo de um qualquer cilindro o que não é nada aconselhavél, outro ponto importante são as capas de bielas, da cambota, os pernes da bielas, todo este conjunto de materiais está programado para aguentar uma certa temperatura, certas cargas e uma certa rotação, mas de fábrica tais valores não são expremidos ao máximo e o motor é pensado apenas para ser fiável e atingir uma certa rotação, logo faz-se um estudo e atribui-se um valor razoavél para o corte de injecção, agora não se pense que são mais 100 ou menos 100rpm que vão fazer a diferênça e muito menos se pense que é o corte de injecção nos vários cilindros com o motor a fazer rotação que vai provocar danos, não tem como provocar, o mais que pode acontecer é provocar desgaste no apoio de motor e caixa pelos sulavancos que o corte de injecção impõe, de resto fazendo uma leitura do funcionamento do motor não é possivél encontrar problemas associados ao corte de combustivél, no fundo é o receio do desconhecido perdoem-me os mais cépticos.[

]
6º ponto: o user que tem o alfa a gasolina, que me perdoe mas se o seu carro tem corte de rotação pode muito bem entrar pelo redline dentro que não é por ai, se o motor tiver sido bem concebido e estiver à temperatura correcta não há problema nenhum a nivél mecânico resultante disso, para terminar e pelo facto de ter mencionado tb aqui o redline, o redline era particularmente útil nos carros a carburador que não tinham corte de rotação, esta era a forma encontrada então para alertar os condutores de quando estavam a esforçar o motor, nos carros actuais, o redline nem é necessário, está lá muito simplesmente e só porque estéticamente tem a sua piada e simbolismo, nalguns casos nem existe mesmo como já provei mais atrás neste post.[

]
7º ponto: andou-se aqui em torno dos ganhos de levar o carro ao corte em termos de rapidez, bem são nenhuns, perde-se tempo de facto, mas enganem-se aqueles que pensam que o carro em aceleração apenas deve ser levado ao regime de potencia máxima, regra geral para carros a gasolina como é óbvio, e atmosféricos em especial,para executar uma aceleração rápida tem que fazer o máximo de rotação possivél antes de cortar, ou seja um carro que corte ás 6500 tem que ser levado até ás 6400-6450rpm, isto porque, depois ao trocar de mudança, exemplo 2ª para 3ª, o ponteiro das rotações vai cair numa faixa de rotação mais próxima do ponto de regime máximo de potencia, caindo regra geral numa faixa de rotação onde o carro tem muito mais potencia disponivél. Isto tudo utilizando o exemplo que foi dado, 1600 16v potencia máxima de 110cv ás 5750rpm mas com corte ás 6500rpm( puxar até ás 5750, meter mudança, a rotação cai até ás 4000 digamos, tem 90cv nesta altura, puxar até ás 6400rpm,meter mudança, a rotação cai até ás 5000, o carro tem nesta altura digamos 100cv, logo a rapidez de aceleração vai ser maior, espero ter esclarecido alguma coisa e peço desculpa pelo testamento).
cumprimentos