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Mini Cooper / Peugeot 207 GT 1.6 THP
Face-a-Face Pequenos Desportivos
Entre um Mini Cooper dos novos com um motor de 120 cv disponível a partir de 25 300 euros e um Peugeot o 207 1.6 THP de 150 cv, mais do que uma escolha, estamos em presença de uma dupla tentação.
O irresistível Mini rejuvenesceu e viu as arestas limadas. Nesta segunda geração que vê agora a luz do dia, o Cooper abandonou o motor proveniente da Chrysler, o 1.6 de 115 cv produzido no Brasil, e recebeu o moderno motor de injecção directa 1.6 de 120 cv fruto da parceria BMW/Peugeot. Passou a ter 16 válvulas, distribuição «valvetronic», e é precisamente o mesmo bloco do rival de ocasião que o recebeu para um primeiro passeio pela cidade: o 207 GT 1.6 THP. Estas três letras significam «Turbo High Pressure» e é essa «pequena» diferença que garante ao leão gaulês expressar mais 30 cv que o adversário, ou seja, 150 cv. Pelo valor que pedem para ir viver para uma nova casa, acabam por ser concorrentes directos mas na realidade expressam filosofias algo diferentes. O 207 GT Turbo é um utilitário capaz de despir a pele de lobo, ocasionalmente, e levar a família numa calma passeata, e já o Mini quer, no fundo, recriar um espírito mais revivalista, garantindo ainda um carisma passível de gerar emoções algo exclusivas para o segmento em questão. No interior, o Mini consegue não só reviver um pouco o passado como, também, transmitir a sensação de estarmos a viajar num pequeno coupé. A lotação é para quatro. Para quem não incarnar o espírito que o Mini propõe, o ambiente pode ser claustrofóbico. Quem encarnar o espírito e a aproveitar tal vivência, irá apreciar por certo as aplicações em pele, de tom vermelho escuro que garantem aos bancos, ao tablier e às portas um outro aprumo e sedução. Existem ainda alguns plásticos de qualidade humilde mas foram «escurecidos» e disfarçam melhor a parca nobreza. Ainda assim, e de um modo geral, a qualidade é elevada e a montagem imperturbável.
No 207 o ambiente é arejado e quatro adultos viajam perfeitamente à vontade. Atrás a realidade é distinta da do Mini, havendo não só um bom espaço para pernas como uma largura muito mais generosa. A unidade ensaiada tinha um interior enriquecido pelo predomínio da pele (1100e) que em conjunto com os revestimentos suaves ao toque garantem um nível de qualidade referencial no segmento dos utilitários. Face a um adversário que se infiltra no nicho «Premium», a sua avaliação fica algo condicionada. Neste nível GT, os bancos são desportivos e, apesar de algo firmes, fornecem um óptimo apoio. Por estarem demasiado elevados, nem com a ajuda de todos os ajustes a posição de condução perfeita. Já no Mini o banco tanto pode ir rente ao chão como muito elevado.
Cidade e montanha
A acelerar pela cidade já é possível ouvir o turbo do 207 a inspirar como um atleta, mas é o som do Mini que mais cativa, sendo a melodia deste Cooper mais sedutora até que a do Cooper S. Para além do cativante som, o Cooper atrai pela simplicidade com que se deixa levar em cidade. A visibilidade é boa, os comandos são agora mais leves e fáceis de dosear e à precisão geral adiciona ainda o bónus: «hill holder», dispensando o ponto de embraiagem. O 207 GT também não sofre com os comandos, mas a visibilidade é menor e o motor menos disponível em baixo regime. Ainda assim, tal é um mal menor porque em cidade o que no 207 causa transtorno é um nível de conforto medíocre. A suspensão bate de forma excessivamente seca. O Mini também já foi assim mas agora, e surpreendentemente, afirma-se como o mais confortável dos dois. A taragem está mais branda 15% e o amortecimento é eficiente e empenhado no trabalho. Mas nem por isso o comportamento deixou de se situar num patamar muito elevado. É certo que perdeu alguma agressividade, mas mesmo mais cortês continua incisivo e passível de proporcionar grande entusiasmo. A suspensão «dobra» mais facilmente, mas a direcção continua muito informativa. De certa forma, está até mais previsível e, apesar de ser necessário conhecê-lo, uma vez apresentados (Mini e «piloto») sentem-se cúmplices para uma diversão que pode chegar a ser viciante. Já o Peugeot 207 necessita de menos «mãozinhas», mas é também mais contido no entusiasmo, isto porque apesar da génese de pequeno desportivo o controlo de estabilidade não permite ser desconectado acima dos 50 km/h. Se em, curvas rápidas, como por exemplo acessos a auto-estradas, o 207 agarra-se como poucos e permite passagens muito velozes sem qualquer embaraço para o condutor, já montanha acima, por curva e contra curva, existe uma luzinha amarela na instrumentação que não pára de piscar. O controlo de estabilidade não se coíbe de actuar e à saída da curva ainda vai a cortar o acelerador, tornando tudo menos interessante. O 207 é fácil de conduzir e a aderência é grande, ficando até a sensação de que sem a intervenção de tal ajuda electrónica poderia superiorizar-se ao Mini, mas assim… não. Já em recta, o ânimo é distinto e, aí, o enfadonho passa a ser o Mini. Não por desiludir, até porque o alento que revela surpreende, dada a «escassez» de potência, mas porque os 150 cv do Peugeot tornam-no muito célere. A subida é sempre progressiva e linear, não se sentindo a entrada do turbo em acção, mas a verdade é que ninguém fica indiferente, porque mesmo sem oferecer uma sensação estonteante de aceleração, o Peugeot 207 é de facto muito rápido e célere.
João Santos Matos