[Sociedade] Poligamia

Obtusoo

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A poligamia é legal em Portugal? Isto é, posso viver com quantas mulheres eu quiser? Sei que só é permitido legalmente um casamento, mas não falo em casamento formal, falo apenas num grupo de pessoas que decidem ter uma vida conjunta, e que partilham casa, mesa e cama.

Gostaria de trocar umas ideias sobre o assunto e lançar o debate sobre a poligamia.

Se alguém tiver conhecimento de direitos/obrigações desta forma de viver que possa ajudar a enriquecer o tópico, melhor ainda. [:cool:]
 
Julgo que nada o impede. Duvido é que arranjes mulheres que alinhem nisso, pelo menos a tempo inteiro.

Ainda assim, acredito que a nossa natureza não é monogâmica.
 
Não quer dizer que seja apenas um único homem com várias mulheres (situação mais comum), mas poderá ser uma mulher e vários homens, ou vários homens e mulheres juntas.
 
A poligamia é legal em Portugal? Isto é, posso viver com quantas mulheres eu quiser? Sei que só é permitido legalmente um casamento, mas não falo em casamento formal, falo apenas num grupo de pessoas que decidem ter uma vida conjunta, e que partilham casa, mesa e cama.

Gostaria de trocar umas ideias sobre o assunto e lançar o debate sobre a poligamia.

Se alguém tiver conhecimento de direitos/obrigações desta forma de viver que possa ajudar a enriquecer o tópico, melhor ainda. [:cool:]

A poligamia é legal, podes viver com quantas mulheres ou homens quiseres, desde que todos concordem com isso e não forces ninguém, são todos livres de o fazer. Mas não confundas poligamia com orgias, no médio oriente apesar de alguns países permitirem casamentos com várias mulheres, não andam envolvidos em orgias, além de pagar o chamado dote à família de cada mulher, o homem tem ainda que proporcionar uma casa a cada uma e ser capaz de as sustentar. Portanto não é propriamente aquilo que muitos imaginam.
Ilegal em Portugal é casar quer religiosamente quer no papel com mais do que um parceiro/a.

A poligamia é tão natural como a monogamia, a única diferença é que fizeram tabu do primeiro caso, inicialmente as tribos quiseram controlar o mercado de mulheres (sim eram moeda de troca tal como gado), além de que eram facilmente o motivo de quezílias entre diferentes grupos que tentavam aumentar a sua população ou satisfazer os seus guerreiros ou homens, raptando mulheres às tribos rivais (mais ou menos como quem vai roubar galinhas para comer, mas neste caso há mais sangue e emoções envolvidas). Entretanto surgiu o contexto religioso que rapidamente foi aproveitado para o controlo da sociedade através do medo percebeu-se que se podia conter a manada e então no ocidente dada a fraca oferta de mulheres por homem (sim em idade fértil há sempre mais homens que mulheres, é um dado biologicamente aceite tem a ver com a reprodução), e então para além de toda a regulação que a religião criou, decidiu ainda interferir sexualmente e amorosamente determinando que apenas se podia celebrar uniões com o sexo oposto e apenas no um para um. Apesar disso é expressamente conhecido ao longo de séculos a utilização da concubinas por parte dos reis, imperadores e afins em sociedades ditas "monogamicas", ainda nos dias de hoje se pode constatar isso na nossa sociedade, desde gente poderosa até ao gajo mais pobreta há imensos casos de pessoas que têm multiplos parceiros para satisfazer fantasias sexuais ou emocionais. Alias cerca de 70% dos clientes de prostitutas são homens casados, se calhar em vez de serem rotulados como "infiéis" (tal como os islâmicos rotulam aqueles que não crêem no Alá ou no Corão), deviam ser vistos de outra forma e como sinal de que este estigma criado em torno da poligamia na verdade está mal dirigido, existe é um grande problema com a monogamia e apenas se tenta esconder isso, devíamos na prática era estar a debater a monogamia em pleno séc. XXI.
 
Última edição:
Este tema já foi debatido aqui algumas vezes, numa delas deixei a sugestão de leitura de um livro (não sei se já existe a tradução em português) e a minha opinião.





The Monogamy Gap - Men, Love, and the Reality of Cheating, de Eric Anderson
(Oxford University Press)


Whether straight or gay, most men start their relationships desiring monogamy. This is rooted in the pervasive notion that monogamy exists as a sign of true love. Yet despite this deeply held cultural ideal, cheating remains rampant. In this accessible book, Eric Anderson investigates why 78% of men he interviewed have cheated despite their desire not to.


Combining 120 interviews with research from the fields of sociology, biology, and psychology, Anderson identifies cheating as a product of wanting emotional passion for one's partner, along with a steadily growing desire for emotionally-detached recreational sex with others. Anderson coins the term "the monogamy gap" to describe this phenomenon.


Anderson suggests that monogamy is an irrational ideal because it fails to fulfil a lifetime of sexual desires. Cheating therefore becomes the rational response to an irrational situation.

Por vezes ponho-me a pensar se alguns daqueles objectivos e metas pessoais que assolam todo o jovem quando atinge uma tal suposta maturidade, não passam de desnecessárias expectativas sociais. O casamento é uma delas. Por arrasto, a monogamia é outra.




Monogamy Gap: ser social vs. ser sexual


Um dos grandes conflitos internos de grande parte dos homens e mulheres dos dias de hoje passa pelo que muitos autores, incluindo Eric Anderson, chamam de “monogamy gap”, que eu interpreto pela disparidade e conflito entre a nossa vontade pública de portarmo-nos como seres monogâmicos e os nossos desejos mais privados irem por outros caminhos, seguindo uma vida sexual mais livre e plural. É verdade que há quem consiga combinar ambas as vias, mas dificilmente conseguirá fazê-lo sem deixar de magoar alguém com quem se “monogamicamente” comprometeu. Mesmo assim há quem prefira arriscar e continuar a viver na ilusão de que nunca será descoberto. Tal como, do outro lado da barricada, haverá quem, ainda que conhecendo a tendência promiscua do(a) parceiro(a), ache que conseguirá um dia mudar-lhe essa faceta da sua personalidade. Como disse, ilusões.




Animais racionais e muito sexuais

A monogamia é um assunto muito sensível tanto do ponto de vista biológico como sociológico.
Fazemos parte da natureza e a esta é tudo menos monogâmica e se é verdade que a nossa “biologia” predispõe ambos os sexos para a variedade sexual, também não é menos verdade que algumas das melhores coisas em que nos envolvemos vão contra os nossos instintos. É esta grande capacidade racional que nos distingue dos outros animais e faz qualquer comparação com eles parecer descabida.
Aliás, usar exemplos do reino animal para justificar ou defender certos comportamentos humanos é montar e cair na nossa própria armadilha. “Se os macacos são promiscuos, como é que podem esperar que eu seja fiel?”. Há animais que matam outros só para defender o seu território, podemos passar a defender o homicídio?


Há inúmeras provas de que nós somos mais inteligentes que qualquer outro animal e temos essa capacidade de nos envolvermos de uma forma extraordinária e a longo prazo com um único ser. Mas a grande dúvida é se os nossos instintos básicos acompanham essa opção, nunca esquecendo dois pressupostos: ignorar a compulsão não a faz desaparecer e a ocasião faz a oportunidade.


A estatística não engana. De acordo com a US Pornography Industry Revenue Statistics, só no ano de 2006, a população humana deste planeta gastou qualquer coisa como 97 biliões de dólares em material pornográfico, um valor que execedeu a soma das vendas desse ano de várias super-empresas, tais como a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple e Netflix. Quando isto é combinado com a estimativa de centenas ou milhares de relações sexuais que cada pessoa tem por nascimento (número que poderá fazer corar qualquer chimpazé pigmeu) torna-se um pouco difícil negar o nosso lado de besta sexual.




Do affair ao recreational sex


Portanto somos um outro tipo de animal, mais evoluído, mais inteligente, ao ponto de estar habilitado de fazer certas escolhas. Só que para muita gente a monogamia nem sequer é um escolha, é uma imposição (social), o que depois torna mais óbvia a escolha consequente: a infidelidade – que é, diga-se de passagem, das escolhas mais egoístas que temos à nossa disposição. Depois diz-se: escolheste, agora assume as consequências dessa escolha.


Em todo o tipo de relacionamentos pode haver pelo menos um elemento que revela o seu egoísmo. Acontece em muitos casos em que um elemento do casal pede mais tolerância face a um ocasional “deslize”, mas se este é confrontado com a hipótese de acontecer à outra parte, ele actuará dessa forma tão tolerante? Pode-se concluir que numa perspectiva pessoal, uma infidelidade é “só sexo”, “só físico”, quando aplicado ao outro, passa a ser algo mais complexo, sobretudo, emocional. (Pelo que me tem sido dado a conhecer, os homens têm muito mais facilidade em fazer esta separação que as mulheres.)


Isto leva-nos a uma das outras dúvidas muito comuns: o sexo recreativo é mais desculpabilizável que um “on-going affair” porque o amor continua? Se consentido pela outra parte, nada a acrescentar, siga para bingo: há inúmeras formas de sermos felizes com os outros. Se desconhecido: é possível (simultaneamente) amar e desrespeitar a mesma pessoa? É um desrespeito que chega a ser perigoso, porque numa relação extraconjugal, além da confiança, também se coloca em jogo algo tão importante como a saúde do parceiro traído.




Uma espécie monogâmica tão hipersexual


O homo sapiens sempre se revelou poligâmico mas, ao longo dos séculos, a evolução humana foi marcada por processos sociais de adaptação ao meio envolvente. Com a sedentarização, criou-se o núcleo familiar, no sentido mais restritivo de como o conhecemos hoje. Assim nasce a monogamia, que a religião se incumbiu de vigiar, tomando conta da consciência dos seus fiéis e de lhes “vender” o pecado “mortal” por excelência: o adultério.
A realidade é que somos seres humanos todos diferentes e, ao contrário do que se pensa comummente desde aqueles tempos, a monogamia é o modelo que menos funciona para grande parte dos cidadãos deste mundo. Não há prova mais realista disso do que o facto de mais de metade dos divórcios dos dias de hoje se deverem a infidelidades.


A outra realidade é que há casos de sucesso em relações poliamorosas e isso explica-se pelo facto destas regerem-se por princípios mais saudáveis e menos castradores. São relações que estão devidamente assentes nos pilares da honestidade e da responsabilidade: a sinceridade total entre os parceiros e a obrigatoriedade da prática de sexo seguro nas relações extra-conjugais. A questão é que muito pouca gente está predisposta a aceitar estas regras e há quem só as aceite devido a factores de ordem social ou, diria, do politicamente correcto: “acabar com um casamento historicamente rico e com muito amor, com os filhos pelo meio, por causa de umas quecas por fora?”. É esta a principal limitação de algum tipo de relações abertas: a hipocrisia. Ou seja, a maior parte das vezes vive-se em função do sexo, mas raramente se admite a sua importância para a estabilidade conjugal. Parece que o fundamental passa por manter sempre uma boa imagem social, o que depois na prática, torna este modelo não assim tão diferente de muitos outros onde vigoram relações menos liberais – enfim, um erro colossal.




Parece que não há modelos perfeitos. Mas há e, para grande surpresa destes novos pseudo-cientistas, até podem ser monogâmicos, lá está, basta pensar bem naquilo que verdadeiramente desejamos, fazer conscientemente a nossa própria escolha e viver em função dela.
A chave de qualquer relacionamento, mais que o auto-controlo e honrar as cláusulas explícitas e implícitas de um compromisso, é só uma: comunicação bilateral com total sinceridade.


Acredito que o futuro dos relacionamentos devia passar pela coragem de expressarmos os nossos sentimentos e seguir sempre os nossos desejos. Só assim conseguiremos ultrapassar a barreira do politicamente correcto que a sociedade parece querer nos impor, e que nem sempre nos traz aquela felicidade e a estabilidade apregoadas.
 

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Tenho conhecimento dum sr. que vive com duas sras., filhos das duas, tudo debaixo do mesmo tecto. Nao e casado com nenhuma delas, tem trabalho e elas as duas idem.
 
quanto à tua segunda pergunta, eu poder posso viver com quantas quiser, mas sem a minha mulher, tinham que ser outras duas, já que ela não me deixa... [:p]
 
Este tema já foi debatido aqui algumas vezes, numa delas deixei a sugestão de leitura de um livro (não sei se já existe a tradução em português) e a minha opinião.





The Monogamy Gap - Men, Love, and the Reality of Cheating, de Eric Anderson
(Oxford University Press)




Por vezes ponho-me a pensar se alguns daqueles objectivos e metas pessoais que assolam todo o jovem quando atinge uma tal suposta maturidade, não passam de desnecessárias expectativas sociais. O casamento é uma delas. Por arrasto, a monogamia é outra.




Monogamy Gap: ser social vs. ser sexual


Um dos grandes conflitos internos de grande parte dos homens e mulheres dos dias de hoje passa pelo que muitos autores, incluindo Eric Anderson, chamam de “monogamy gap”, que eu interpreto pela disparidade e conflito entre a nossa vontade pública de portarmo-nos como seres monogâmicos e os nossos desejos mais privados irem por outros caminhos, seguindo uma vida sexual mais livre e plural. É verdade que há quem consiga combinar ambas as vias, mas dificilmente conseguirá fazê-lo sem deixar de magoar alguém com quem se “monogamicamente” comprometeu. Mesmo assim há quem prefira arriscar e continuar a viver na ilusão de que nunca será descoberto. Tal como, do outro lado da barricada, haverá quem, ainda que conhecendo a tendência promiscua do(a) parceiro(a), ache que conseguirá um dia mudar-lhe essa faceta da sua personalidade. Como disse, ilusões.




Animais racionais e muito sexuais

A monogamia é um assunto muito sensível tanto do ponto de vista biológico como sociológico.
Fazemos parte da natureza e a esta é tudo menos monogâmica e se é verdade que a nossa “biologia” predispõe ambos os sexos para a variedade sexual, também não é menos verdade que algumas das melhores coisas em que nos envolvemos vão contra os nossos instintos. É esta grande capacidade racional que nos distingue dos outros animais e faz qualquer comparação com eles parecer descabida.
Aliás, usar exemplos do reino animal para justificar ou defender certos comportamentos humanos é montar e cair na nossa própria armadilha. “Se os macacos são promiscuos, como é que podem esperar que eu seja fiel?”. Há animais que matam outros só para defender o seu território, podemos passar a defender o homicídio?


Há inúmeras provas de que nós somos mais inteligentes que qualquer outro animal e temos essa capacidade de nos envolvermos de uma forma extraordinária e a longo prazo com um único ser. Mas a grande dúvida é se os nossos instintos básicos acompanham essa opção, nunca esquecendo dois pressupostos: ignorar a compulsão não a faz desaparecer e a ocasião faz a oportunidade.


A estatística não engana. De acordo com a US Pornography Industry Revenue Statistics, só no ano de 2006, a população humana deste planeta gastou qualquer coisa como 97 biliões de dólares em material pornográfico, um valor que execedeu a soma das vendas desse ano de várias super-empresas, tais como a Microsoft, Google, Amazon, eBay, Yahoo!, Apple e Netflix. Quando isto é combinado com a estimativa de centenas ou milhares de relações sexuais que cada pessoa tem por nascimento (número que poderá fazer corar qualquer chimpazé pigmeu) torna-se um pouco difícil negar o nosso lado de besta sexual.




Do affair ao recreational sex


Portanto somos um outro tipo de animal, mais evoluído, mais inteligente, ao ponto de estar habilitado de fazer certas escolhas. Só que para muita gente a monogamia nem sequer é um escolha, é uma imposição (social), o que depois torna mais óbvia a escolha consequente: a infidelidade – que é, diga-se de passagem, das escolhas mais egoístas que temos à nossa disposição. Depois diz-se: escolheste, agora assume as consequências dessa escolha.


Em todo o tipo de relacionamentos pode haver pelo menos um elemento que revela o seu egoísmo. Acontece em muitos casos em que um elemento do casal pede mais tolerância face a um ocasional “deslize”, mas se este é confrontado com a hipótese de acontecer à outra parte, ele actuará dessa forma tão tolerante? Pode-se concluir que numa perspectiva pessoal, uma infidelidade é “só sexo”, “só físico”, quando aplicado ao outro, passa a ser algo mais complexo, sobretudo, emocional. (Pelo que me tem sido dado a conhecer, os homens têm muito mais facilidade em fazer esta separação que as mulheres.)


Isto leva-nos a uma das outras dúvidas muito comuns: o sexo recreativo é mais desculpabilizável que um “on-going affair” porque o amor continua? Se consentido pela outra parte, nada a acrescentar, siga para bingo: há inúmeras formas de sermos felizes com os outros. Se desconhecido: é possível (simultaneamente) amar e desrespeitar a mesma pessoa? É um desrespeito que chega a ser perigoso, porque numa relação extraconjugal, além da confiança, também se coloca em jogo algo tão importante como a saúde do parceiro traído.




Uma espécie monogâmica tão hipersexual


O homo sapiens sempre se revelou poligâmico mas, ao longo dos séculos, a evolução humana foi marcada por processos sociais de adaptação ao meio envolvente. Com a sedentarização, criou-se o núcleo familiar, no sentido mais restritivo de como o conhecemos hoje. Assim nasce a monogamia, que a religião se incumbiu de vigiar, tomando conta da consciência dos seus fiéis e de lhes “vender” o pecado “mortal” por excelência: o adultério.
A realidade é que somos seres humanos todos diferentes e, ao contrário do que se pensa comummente desde aqueles tempos, a monogamia é o modelo que menos funciona para grande parte dos cidadãos deste mundo. Não há prova mais realista disso do que o facto de mais de metade dos divórcios dos dias de hoje se deverem a infidelidades.


A outra realidade é que há casos de sucesso em relações poliamorosas e isso explica-se pelo facto destas regerem-se por princípios mais saudáveis e menos castradores. São relações que estão devidamente assentes nos pilares da honestidade e da responsabilidade: a sinceridade total entre os parceiros e a obrigatoriedade da prática de sexo seguro nas relações extra-conjugais. A questão é que muito pouca gente está predisposta a aceitar estas regras e há quem só as aceite devido a factores de ordem social ou, diria, do politicamente correcto: “acabar com um casamento historicamente rico e com muito amor, com os filhos pelo meio, por causa de umas quecas por fora?”. É esta a principal limitação de algum tipo de relações abertas: a hipocrisia. Ou seja, a maior parte das vezes vive-se em função do sexo, mas raramente se admite a sua importância para a estabilidade conjugal. Parece que o fundamental passa por manter sempre uma boa imagem social, o que depois na prática, torna este modelo não assim tão diferente de muitos outros onde vigoram relações menos liberais – enfim, um erro colossal.




Parece que não há modelos perfeitos. Mas há e, para grande surpresa destes novos pseudo-cientistas, até podem ser monogâmicos, lá está, basta pensar bem naquilo que verdadeiramente desejamos, fazer conscientemente a nossa própria escolha e viver em função dela.
A chave de qualquer relacionamento, mais que o auto-controlo e honrar as cláusulas explícitas e implícitas de um compromisso, é só uma: comunicação bilateral com total sinceridade.

Acredito que o futuro dos relacionamentos devia passar pela coragem de expressarmos os nossos sentimentos e seguir sempre os nossos desejos. Só assim conseguiremos ultrapassar a barreira do politicamente correcto que a sociedade parece querer nos impor, e que nem sempre nos traz aquela felicidade e a estabilidade apregoadas.
Tento viver segundo o princípio de "viver e deixar viver" e não me incomoda a ideia de alguém viver numa relação poligâmica se funciona para todos os intervenientes e são felizes assim. E concordo que a sociedade moderna é muito rápida a fazer julgamentos de valor e decidir pelos outros o que é "certo" ou "errado" como se tivessem alguma coisa a ver com isso.

Não concordo é com a ideia que o ser humano é inerentemente poligâmico e monogamia é sempre uma farsa. Eu estou numa relação vai fazer 9 anos e não senti ainda necessidade de trair ninguém. Depende de cada um se está ou não bem só com uma pessoa (e depende dessa pessoa) ou sente necessidade de outras.

Aliás os psicólogos não tinham aí umas teorias que a traição nem é tipicamente por necessidade de se envolver com mais pessoas, mas sim uma procura da sensação de poder que vem da "caça" e do sucesso ao conquistar alguém? Tenho ideia que na maioria dos casos de traição quem trai não procura nem quer uma relação séria com o/a amante, nem é por falta de "qualidade" em casa. Ou seja a traição não lhe dá nada que já não tivesse, é só mesmo aquela vontade de conquistar e experimentar alguém novo. Uns sentem essa necessidade (pelos vistos a maioria), mas outros não. Ou então sentem mas têm melhor controlo de impulsos, tal como quando alguém nos chateia muito nos dá vontade de lhe partir a cara, e há quem o faça e quem se consiga controlar.

O que eu acho é que alguém que não seja capaz de se manter fiel numa relação monogâmica tem bom remédio: não se meta numa. Mais vale ser sincero, consigo e com os outros, e abrir logo o jogo à partida deixando claro que não quer "exclusividade". Quem quer porreiro, quem não quer continue a procurar e assim não há problemas para ninguém. Quem faz um contrato - primeiro informal mas mais à frente até mesmo legal através do casamento - e depois o está sempre a violar às escondidas, a mim mostra imaturidade e fraqueza de espírito.
 
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