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Jogada de mestre não é. [A escola da VP do McCain é uma jogada de mestre ou um sinal de demência ? []
e escolheram esta senhora, uma ilustre desconhecida de tudo e de todos.
Parece-me, neste contexto, uma má aposta.
Joaquim PMC
Quem pensa que esta senhora é apenas uma cara bonita (que também o é) está muito, muito enganado. E pensar assim já provou ser um erro trágico para muitos dos seus adversários passados.
Por razões profissionais, visito regularmente o Alaska. Será necessária uma pequena introdução: o Alaska é aquilo que os autores deste blog até poderiam chamar um estado socialista. Não porque seja politicamente socialista ou o estado muito interventivo(longe disso), mas porque é o estado, ou o “People of Alaska”, o proprietário de todos os recursos naturais, nomeadamente o gás e o petróleo. Houve um antigo governador que o baptizou como o “Owner State”. Fundamentalmente, o Alaska é uma grande empresa produtora de petróleo. A exploração é concessionada a privados, que pagam um royalty de 12.5% ao estado. 1/4 desse dinheiro é colocado num fundo permanente (um fundo soberano, com dividendos a serem distribuídos pelos residentes do Alaska); o restante é apropriado pela legislatura, ou seja, gasto pelo governo estadual. Esta é uma razão pela qual a dimensão do estado pode ser enganadora. O Alaska tem a população do Porto (sendo 3 vezes maior do que a França), mas o governo do Alaska não é coisa para amadores.
Entretanto, esta afluência de dinheiro nas mãos dos políticos teve os efeitos inevitáveis. Long story short: a política no Alaska era uma versão light da política em Angola. A diferença era que no Alaska votavam e tinham dois partidos por onde escolher. Mas dois partidos dominados por políticos absolutamente iguais. Era um good Ol’Boys club, como eles dizem.
Explicado isto, quem é esta senhora? Em seis meses fez aquilo que eu não pensava ser possível de fazer em 10 anos. Destroçou aquela podridão. É idolatrada no Alaska, um verdadeiro fenómeno de popularidade. E odiada por alguns, essencialmente gente ligada ao negócio do petróleo. Principalmente, pelo que tenho percebido, republicanos. Não vou contar episódios directamente ligados à indústria da extracção, mas há uns meses o negócio da construção de uma pipeline de $30b foi ganho por uma empresa canadiana. Foi a primeira vez em décadas que um concurso público desta dimensão no Alaska não foi ter aos bolsos do costume. É de direita, mas não é nenhuma maluquinha religiosa. Isso não cola no Alaska. O Alaska é o inverso do Alabama: há 10 bares para cada igreja. Sinceramente, até duvido que assista regularmente a missas ou algo do género. À parte isto, é uma Alaskiana típica: o marido tem uma traineira (é pescador de profissão e tão popular como ela visto ser o campeão de snowmobile - é tipo o Ronaldo do Alaska) onde ela trabalha aos fins-de-semana, caça, pesca, anda de trenó, pilota uma avioneta e come grelhados de veado.
Em suma: esta senhora começou a dar problemas a muita gente quando , ainda antes de ser presidente de Wasilla, a meteram numa comissão que supervisiona os procedimentos do aparelho administrativo no negócio do petróleo e meteu um colega de partido, um yes man das companhias petrolíferas, à beira da prisão e desempregado. Desde aí, há uns 10 anos, já a tentaram enterrar inúmeras vezes. Nunca foram bem sucedidos e ela é que os enterrou a eles. O Obama que se ponha a pau. E a malta em Washington também.
No contexto que descreveste (hillary) pode ter sido boa a aposta.
No entanto, caso o McCain ganhe (quase de certeza que ganha), ela será Vice Presidente. E isso, aliado à idade do McCain e ao seu historial clínico pode torná-la Presidente... será que ela tem preparação para ser Presidente?
Em todos os sistemas políticos, excepto nas ditaduras, é assim.É toda uma equipa.
Em todos os sistemas políticos, excepto nas ditaduras, é assim.
Mas existem assuntos (normalmente os mais importantes) em que a decisão política compete directamente ao Presidente.
Eu diria até que o Presidente dos EUA tem muito mais poder de decisão que os seus homólogos Europeus.
Sarah Palin, governadora do Alasca desde 2006, é uma ultra-conservadora. Casada há 20 anos, opõe-se ao aborto e tem cinco filhos, o último dos quais nascido em Abril deste ano, é portador da síndrome de Down. O filho mais velho da governadora, Track, 19 anos, entrou para o exército em Setembro de 2007 e deverá partir para o Iraque no próximo mês.
Palin é membro vitalício da "National Rifle Association", uma associação de defesa de porte de arma nos Estados Unidos. Gosta de pescar e caçar e aprecia comer hamburgueres de alce.
Em 1984 foi coroada rainha da beleza na sua terra Natal, Wasilla City, e concorreu para o concurso Miss Alasca.
Licenciou-se em jornalismo e ciência política pela Universidade de Idaho, em 1987 e chegou a estar ligada a um canal televisivo de desporto, mas a sua eleição para a assembleia municipal de Wasilla, em 1992, viria a confirmar um futuro auspicioso entre a classe política norte-americana.
É considerada "uma estrela em ascenção" no Partido Republicano pelos media norte-americanos. Em 1996, foi eleita presidente da câmara e, após dois mandatos, os republicanos encorajaram-na a candidatar-se ao cargo de vice-governadora, o que viria a acontecer em 2002. Sarah Palin falhou a eleição por 2 mil votos, mas nem assim desistiu de voltar a tentar. Em 2006, tornava-se na primeira mulher governadora do Estado do Alasca
É-lhe reconhecida preserverança na luta contra a corrupção. No entanto, Palin está a ser investigada num caso que envolve o despedimento de um comissário de segurança pública.
A governadora, 44 anos, é a agora segunda mulher a alcançar a candidatura à vice-presidência dos Estados Unidos, depois da democrata Geraldine Ferraro, em 1984.
Em todos os sistemas políticos, excepto nas ditaduras, é assim.
Explica-me então o 2004 político português []
Isso, apesar das tentativas ridículas de impeachment por motivos sexuais. Curiosamente, para os Americanos parece ser mais grave ter sexo com uma estagiária do que invadir um País com base em mentiras. []
São questões pessoais que em nada interferem com a confiança dos eleitores.
Num sentido mais amplo, claro que concordo contigo. O famoso bater de asas de uma borboleta...Numa sociedade ideal, talvez sim, mas no mundor real tudo pesa. E por vezes, são os factores menos importantes que mais pesam, tais como a aparência física, a idade, a cor do fato, a cor da pele, o sexo, enfim, tudo. Até porque as decisões dos eleitores são sempre um misto de objectividade com subjectividade. No fundo, são juízos de valor como outros quaisquer, e como é sabido as pessoas utilizam ainda que de forma inconsciente uma larga panóplia de informações para tomar as suas decisões, que são sempre fruto da inteligência emocional, como agora está em voga chamar-lhe.
Estes republicanos partem-me todo.... falam, falam, e é o que se vê.... uns hipocritas de primeira....