Que vinho bebem?

Às vezes são coisas que nos passam pela cabeça, e partilho desse "sonho".

Estive uma vez algum tempo quase para comprar terrenos/vinhas no douro que "apanhei" a 700 euros o hectare, comprava uma dezena de hectares e deixava ali a marinar para um possível futuro. Mas eram para lá da Régua, mais para o lado de espanha, e acabei por nem ir ver, uma vez que nem conheço e nem sei se a zona era boa, mas era próxima do rio. De vez em quando ainda penso que deveria ter investido mesmo sem ter nada, e logo se via, por 700 o ha...

Compreendo, em toda a sua plenitude, o que dizes, porque o mesmo tipo de realidade que se te vai impondo, vai-se-me impondo também... life's a bitch... bem entendido, claro.
Mas que a terra, enquanto elemento primordial, tem muito apelo, lá isso tem...


Depois há os sonhos concretizados, um deles que acompanhei de perto por ligações pessoais e profissionais, há 14 ou 15 anos atrás.

A hoje bem conhecida Quinta do Foz Torto, foi adquirida por um ex-empresário ligado às TI, (a hoje Teleperformance, ex-Plurimarketing, e a Altitude software eram empresas do universo dele) e que um dia decide vender todas as suas participações em tudo o que tinha, e colocar os recursos todos na compra daquela Quinta, e aí vai ele com a familia para o Pinhão de corpo e alma.

15 anos depois o Abilio Tavares tem uma marca de vinhos de excelente reputação, a crescer com novos lançamentos, uma bela quinta de enoturismo, e é um dos maiores produtores de tomate coração de boi, um dos ex-libris da quinta e da região.

Nunca foi tão feliz!
 
Sempre podem conciliar os dois mundos. Há 5 anos também decidi tornar-me viticultor. Tenho pouca área, pouco mais de 1 hectar o que dá sensivelmente umas 10 toneladas/ano. Tudo Alvarinho na sub região Melgaço/Monção. Dá bastante trabalho e por vezes os sábados, não são suficientes, principalmente na época dos fito farmacêuticos. Se deixava de trabalhar, para me dedicar apenas às vinhas? Sinceramente, não sei. Ter um negócio a céu aberto, por muitas vezes deixa-me de coração nas mãos.
Neste momento, ou num futuro próximo não me imagino a vinificar as minhas uvas. Mas isso tem a ver porque trabalho no ramo e sei bem, tudo o que isso implica.
Comecei sem saber grande coisas de viticultura. Sem ter as ferramentas e máquinas necessárias. Foi tudo do zero. Hoje em dia tiro imenso prazer desse hobby. :)

Aqui fica uma foto de uma das muitas videiras.
d1bf3c69ad30d272a1c8d8628647148b.jpg
 
Última edição:
Depois há os sonhos concretizados, um deles que acompanhei de perto por ligações pessoais e profissionais, há 14 ou 15 anos atrás.

A hoje bem conhecida Quinta do Foz Torto, foi adquirida por um ex-empresário ligado às TI, (a hoje Teleperformance, ex-Plurimarketing, e a Altitude software eram empresas do universo dele) e que um dia decide vender todas as suas participações em tudo o que tinha, e colocar os recursos todos na compra daquela Quinta, e aí vai ele com a familia para o Pinhão de corpo e alma.

15 anos depois o Abilio Tavares tem uma marca de vinhos de excelente reputação, a crescer com novos lançamentos, uma bela quinta de enoturismo, e é um dos maiores produtores de tomate coração de boi, um dos ex-libris da quinta e da região.

Nunca foi tão feliz!


Agora que falas nisso, tenho ideia que vi um programa no Imperdiveis acerca dessa Quinta, porque a história que contas é a mesma do responsável entrevistado... um homem na casa dos 40 e tal... e falar ao lado de uma das beldades do mundo vínico, a Sandra Tavares, casada com um tipo muito mais feio do que ela, o Serôdio dos Pintas e companhia (Wine & Soul).
Por isso, meu amigo, não me venhas dizer que ele queria mesmo era uma quinta e fazer vinho e tal... porque tudo o que fez foi para conseguir contratar aquela enóloga... [:D][:D][:D]
 
Sempre podem conciliar os dois mundos. Há 5 anos também decidi tornar-me viticultor. Tenho pouca área, pouco mais de 1 hectar o que dá sensivelmente umas 10 toneladas/ano. Tudo Alvarinho na sub região Melgaço/Monção. Dá bastante trabalho e por vezes os sábados, não são suficientes, principalmente na época dos fito farmacêuticos. Se deixava de trabalhar, para me dedicar apenas às vinhas? Sinceramente, não sei. Ter um negócio a céu aberto, por muitas vezes deixa-me de coração nas mãos.
Neste momento, ou num futuro próximo não me imagino a vinificar as minhas uvas. Mas isso tem a ver porque trabalho no ramo e sei bem, tudo o que isso implica.
Comecei sem saber grande coisas de viticultura. Sem ter as ferramentas e máquinas necessárias. Foi tudo do zero. Hoje em dia tiro imenso prazer desse hobby. :)

Aqui fica uma foto de uma das muitas videiras.
d1bf3c69ad30d272a1c8d8628647148b.jpg


Sim, é tudo muito bonito, mas ter um negócio dependente dos humores da natureza pode ser muito ingrato.
Eu, se só produzisse uva, também não me dedicaria totalmente à terra... para isso, teria de ser de uma ponta à outra... da videira até ao vinho no copo...


Já agora, e apenas se quiseres responder, vendes uvas para quem? Adega cooperativa? Produtor particular?...
 
O meu avô fazia vinho na sua propriedade, passei a minha infância e adolescência a ver a fazer coisas como sulfatar, podar, transplantar, vindimar, pisar, engarrafar, etc. Portanto já tive a experiência, agora aprecio mais estar sentado a ver o por do sol e a beber um copo! [:)][:)]

Sei bem o trabalho que dá! Se há coisa que sei que não quero fazer na vida, é ser agricultor!



PS: Mas algumas das melhores memórias da minha vida, são dessas experiências, da matança do porco, ir apanhar bolotas ou pinhas, ao pisar as uvas, etc!
 
Sempre podem conciliar os dois mundos. Há 5 anos também decidi tornar-me viticultor. Tenho pouca área, pouco mais de 1 hectar o que dá sensivelmente umas 10 toneladas/ano. Tudo Alvarinho na sub região Melgaço/Monção. Dá bastante trabalho e por vezes os sábados, não são suficientes, principalmente na época dos fito farmacêuticos. Se deixava de trabalhar, para me dedicar apenas às vinhas? Sinceramente, não sei. Ter um negócio a céu aberto, por muitas vezes deixa-me de coração nas mãos.
Neste momento, ou num futuro próximo não me imagino a vinificar as minhas uvas. Mas isso tem a ver porque trabalho no ramo e sei bem, tudo o que isso implica.
Comecei sem saber grande coisas de viticultura. Sem ter as ferramentas e máquinas necessárias. Foi tudo do zero. Hoje em dia tiro imenso prazer desse hobby. :)

Aqui fica uma foto de uma das muitas videiras.
d1bf3c69ad30d272a1c8d8628647148b.jpg

Daqui dá para ver que são vinhas novas, muita produção. Daria mais para vinhos correntes.
 
Sim, é tudo muito bonito, mas ter um negócio dependente dos humores da natureza pode ser muito ingrato.
Eu, se só produzisse uva, também não me dedicaria totalmente à terra... para isso, teria de ser de uma ponta à outra... da videira até ao vinho no copo...


Já agora, e apenas se quiseres responder, vendes uvas para quem? Adega cooperativa? Produtor particular?...
Adega cooperativa de Monção.
 
Daqui dá para ver que são vinhas novas, muita produção. Daria mais para vinhos correntes.
A casta Alvarinho tem um teor alcoólico muito bom. O alvarinho a poda é vara comprida, sempre 6-9 olhos por vara. É muito pouco ou mesmo nada produtiva nos 2 primeiros olhos. Acaba por produzir bem tendo vara longa. Rende é muito pouco. 62 a 65% de líquido por cada kg. Tem imensa película e grainha. Preciso mais do que 1kg para fazer 1 garrafa.

De facto são vinhas novas, neste ano da foto, penso que tive graduações de 13.4 álcool provável. É uma vinha de altitude, o que lhe dá uma excelente acidez. Tendo estes dois factores, álcool e boa acidez, garantia logo um vinho com bom potencial de guarda. Era só fazer estágio em barrica de carvalho francês para ser top.
 
O meu avô fazia vinho na sua propriedade, passei a minha infância e adolescência a ver a fazer coisas como sulfatar, podar, transplantar, vindimar, pisar, engarrafar, etc. Portanto já tive a experiência, agora aprecio mais estar sentado a ver o por do sol e a beber um copo! [:)][:)]

Sei bem o trabalho que dá! Se há coisa que sei que não quero fazer na vida, é ser agricultor!



PS: Mas algumas das melhores memórias da minha vida, são dessas experiências, da matança do porco, ir apanhar bolotas ou pinhas, ao pisar as uvas, etc!

Também gosto do por do sol e do beber e tal... mas com o tempo, tenho vindo a sentir o chamamento das coisas mais fundantes, mais básicas... e há um gozo muito especial em assistir ao milagre que é ver as coisas nascerem, crescerem...
Mas fica tranquilo, não é porque não vais querer sujar as mãos que não te convido para a minha quinta... vais na mesma... [:D][:D]
 
Também gosto do por do sol e do beber e tal... mas com o tempo, tenho vindo a sentir o chamamento das coisas mais fundantes, mais básicas... e há um gozo muito especial em assistir ao milagre que é ver as coisas nascerem, crescerem...
Mas fica tranquilo, não é porque não vais querer sujar as mãos que não te convido para a minha quinta... vais na mesma... [:D][:D]


Eu adoro sujar as mãos, ainda no outro dia estava com elas cheias de vaselina e .... ups, tópico errado!! [:)]
 
Agora que falas nisso, tenho ideia que vi um programa no Imperdiveis acerca dessa Quinta, porque a história que contas é a mesma do responsável entrevistado... um homem na casa dos 40 e tal... e falar ao lado de uma das beldades do mundo vínico, a Sandra Tavares, casada com um tipo muito mais feio do que ela, o Serôdio dos Pintas e companhia (Wine & Soul).
Por isso, meu amigo, não me venhas dizer que ele queria mesmo era uma quinta e fazer vinho e tal... porque tudo o que fez foi para conseguir contratar aquela enóloga... [:D][:D][:D]


O Abilio já é um madurote do pós 50 [:D]

E a Sandra Tavares para alem de bonita, faz uns vinhos do caraças (ela tambem é produtora)


PS. Este gajo sempre soube rodear-se dos melhores [;)]
 
Última edição:
Então bebemos do fruto das tuas videiras... Muralhas... Deu-la-Deu... Muito bem!
Não sou o maior apreciador dessas referências. Apenas vendo a uva, eles podem fazer o que bem entenderem com elas. Desde que continue a ser paga a um valor justo.

Além das minhas uvas, também já bebeste vinho feito por mim.
 
Ora bem, hoje ao jantar, Alves de Sousa Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo 2011, grande grande vinho, forte personalidade, claramente vinhas (muito) velhas, altamente complexo, rico, muita especiaria, eucalipto, fumados, final muito persistente, extremamente saboroso, uma maravilha.


G36XjCa.jpg


fjvES1X.jpg


UbzvDDE.jpg
 
A casta Alvarinho tem um teor alcoólico muito bom. O alvarinho a poda é vara comprida, sempre 6-9 olhos por vara. É muito pouco ou mesmo nada produtiva nos 2 primeiros olhos. Acaba por produzir bem tendo vara longa. Rende é muito pouco. 62 a 65% de líquido por cada kg. Tem imensa película e grainha. Preciso mais do que 1kg para fazer 1 garrafa.

De facto são vinhas novas, neste ano da foto, penso que tive graduações de 13.4 álcool provável. É uma vinha de altitude, o que lhe dá uma excelente acidez. Tendo estes dois factores, álcool e boa acidez, garantia logo um vinho com bom potencial de guarda. Era só fazer estágio em barrica de carvalho francês para ser top.

Bela cepa e bela carga. Vinha regada também ajuda a manter em boa forma a relação qualidade/quantidade. Tens recorrido sempre à rega?
Estava a ver as fotos e reparei que tens uma condução - da vinha [;)]- com as varas a crescer para baixo (cordão retombante). Que sistema usas? Lys?
 
O Abilio já é um madurote do pós 50 [:D]

E a Sandra Tavares para alem de bonita, faz uns vinhos do caraças (ela tambem é produtora)


PS. Este gajo sempre soube rodear-se dos melhores [;)]


Sim, serão 50... no programa que vi não falaram na idade e pareceu-me um homem bem conservado...
Mas é curiosa a história dele... e da própria enóloga, que era modelo e acabou a trabalhar na terra...
 
Voltar
Superior