Boa noite e bom ano para todos.
rca33, ausentei-me uns dias e já me metes em trabalhos; da próxima escreve menos. [

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O Rover 200 era apenas um dos que se vendia, mas o motor era comum a uma gama vasta que inclui o 400.
Por acaso já nem me lembrava, mas houve outro 400 e um 25 na empresa (o 400 de serviço, e o 25 particular de um colega).
Penso que nem valia a pena dizer, mas claro que também queimaram a junta cedo...
Alguns queimam cedo... temos um antigo colega de fórum que fez mais de 250.000 kms, queimou a junta uma vez aos 110 mil e outra aos 220 mil. O 214 do Jetboy deve estar com cerca de 160.000 kms, se não estou em erro, e com a junta de origem.
Não me parece que se possa comparar a Honda com a Rover em fiabilidade de modo nenhum, por um motivo muito simples:
- Como a regra dos Honda é serem extremamente fiáveis (ou era na época), ainda era mais estranho quando um falhava, por ser raro.
- Nos Rover o normal é queimarem juntas com fartura, e quando um faz muitos km sem queimar (e isso também aconteceu em raros casos) isso é pouco usual.
- Resumindo, num Honda ser fiável é algo normal, enquanto que o normal do Rover é não o ser!
Parece-me que esta diferença é esmagadora, e ajuda a explicar porque é que o menos refinado Honda (já lá vou a seguir) está sobrevalorizado, e o Rover nem consegue estar subvalorizado, mas sim valer o que ele vale - pouco.
Que a Honda é reputadíssima em fiabilidade, não haja dúvidas, e sabes que eu também partilho dessa opinião; tirando os meus Rovers, cá em casa desde 1992 andaram 4 Hondas, só tendo ficado sem um por acidente. Eu sempre tive uma brutal fé na mecânica dessa marca, e continuo a ter... na maioria dos casos. O problema mais grave que tive com um motor Honda foi o carro não pegar por ter acumulado humidade no distribuidor durante uma chuva torrencial.
Nem sempre fui cuidadoso. Nos primeiros tempos que tive o Concerto 1.6i-16, o meu primeiro carro, demorei uns 5 depósitos para começar a fazer médias abaixo dos 14. Enfim, Honda com potência, muita rotação, ... já se adivinha o resto.
Mais tarde, já com um trato mais calmo, cheguei a andar cerca de 5 minutos acima dos 190 km/h, chegando a dar 215 em plano. Íamos 5 pessoas no carro, um deles pesava mais de 100 kgs. Depois de ter dado os 215 ainda tentámos filmar o quadrante novamente, a tentar ir mais longe... mas nessa altura devo ter tido algum juízo. Poucos minutos depois estávamos parados numa estação de serviço, pausa para ir ao wc... e colectores bem vermelhinhos, coisa que nunca tinha visto.
O Jetboy sempre disse que teve imenso medo que o motor fosse partir naquela aventura; eu, sinceramente, nunca cheguei a considerar essa questão.
Mais tarde passei para o Coupé, já bem mais calmo, nunca passou dos 180 nas minhas mãos. Ao longo do tempo outros colegas com carros iguais iam partindo os motores; um deles comprou o carro novo, adora-o, ainda recentemente está a "investir" em vários pontos. Vendo bem, neste momento até tem dois, iguais. Mas há vários meses atrás partiu o motor. Há muitos mais casos no fórum.
Durante bastante tempo pensei que os Honda's partiam por falta de manutenção. Mas os D16A8 montados nos Rover Coupé... basicamente, partem todos, e partiam todos, excepto o meu. Até há pouco tempo eu tinha a fama de ter o último Rover Coupé com motor de origem no fórum MG-Rover.
Vendi-o e não durou dois meses... e tem um dono cuidadoso, que faria se não tivesse. Curiosamente, vários amigos me disseram que se eu vendesse o carro, rapidamente iria partir o motor. Foi preciso acontecer para eu começar a dar-lhes razão.
Eu dou muito valor à fiabilidade, para o bem e para o mal, é até algo que me limita imenso as escolhas. Ainda há dias comprámos um Jazz e por mais 700€ podíamos ter comprado um 206 HDi de 5 lugares com mais um ano; muitos teriam optado pelo diesel e com uma estética bem mais agradável. Eu considero os Honda muito fiáveis, incluindo os D16.
Mas o certo, sem margem para qualquer dúvida, é que não há Coupé com D16 que dure, mesmo que bem tratados. Já os K, há vários a ter de trocar junta, mas seguem em frente depois disso. Temos um colega no fórum com um MG F que já deve ter passado dos 350.000 kms, com mais de 100.000 a GPL, e o F/TF têm uma refrigeração mais fraca devido à posição central do motor.
Para analisar o refinamento geral de um carro, seria analisar necessário analisar ponto por ponto, e aqui deixa-me tecer alguns comentários / meu ponto de vista:
- É verdade que o isolamento dos Honda é mau a nível (principalmente) da zona da cava das rodas. O meu civic então até parece que a pessoa vai ficar com os pés molhados em dias de chuva. [

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No Accord não é tão mau, mas é o que sobressai face ao resto. Acho que para o uso que tem os Primacy HP ainda vão sendo dos melhorzinhos... mas são ruidosos.
No entanto, o refinamento não se vê só aí, e o motor Rover 1.4 não consegue em baixas ter o refinamento que qualquer dos motores Honda dessa geração (ou da anterior) tinham. Ao ralenti tu não os sentes a funcionar, e são muito suaves e silenciosos até às rotações mais elevadas onde começam a fazer bastante barulho.
Depende; no que toca aos D16, com duas árvores de cames, são bem menos silenciosos que um K, e o K também não é particularmente silencioso. Já os D14 e os D15, aí sim, motores SOHC acredito que sejam mais refinados, e têm fama disso; durante muito tempo, sempre duvidei disso, pois achava os D16 DOHC barulhentos. E o meu teve vários cuidados para o tornar mais silencioso, mais eficiente, e com resultados.
A Honda aqui tem um know-how que a Rover nunca chegou a ter, e isto leva-nos à questão principal:
Eu considero que tu consegues ter a franqueza de ver as coisas de um modo mais abrangente e verificar que eu não estou a falar de uma experiência isolada, e que a norma de experiência dos proprietários Rover é de (pelo menos) queimar a junta (em alguns casos, por diversas vezes).
Este é o grande problema dos Rover.
Os Rover (desde o 200 até ao 400) poderiam ter sido excelentes carros, e poderiam hoje ser excelentes compras, se fossem fiáveis.
Mas quando entramos nos "se", poderemos logo dizer que "se" o potencial cliente de um Rover tiver mais alguma verba disponível para o carro, pode comprar algo melhor e mais fiável, já para não falar em tudo o que um se poderia fazer (mas normalmente é indicador de que não se pode fazer).
A Rover em termos mecânicos parecia ter aprendido alguma coisa com a Honda e ter até melhorado nessa base, mas isto é falso.
Eles tentaram fazer um motor melhor que um Honda, quando nem igual conseguiam fazer, e a prova está à vista.
A potência de um Rover 1.4 não são os 103 ou 104 cv, mas sim um valor entre zero e cento e poucos cavalos, porque é um motor em que não se pode confiar, e isso é o pior que um carro pode ter!!!
Eu sempre confiei nos D16... neste momento confio mais nos K. Sei que se houver chatices vão ser mais baratas de resolver... no D16... ou está tudo bem, até tens algumas peças que deviam ser trocadas, mas quase nem se nota, e vais andando ou... já foi à vida.
Eu acho que a Rover fez um excelente motor; não só têm potências específicas elevadas, ainda conseguem ter doses de binário muito generosa e, ainda, consumos bastante contidos.
Novamente, comparando os D16 com o K 1.6 (que é o que eu tenho):
Coupé com D16
122 cvs @ 6800 rpms
140 Nm @ 5700 rpms
1085 kgs
consumo médio: 8,3
9,6 segs dos 0-100 km/h
400 1.6
111cvs @ 6000 rpms
145Nm @ 3000 rpms
1175 kgs
consumo médio: 7,1
10,8 segs dos 0-100 km/h
Para teres uma ideia da caixa, às 4000 rpms o Coupé vai a 125 km/h, o 400 vai a 139 km/h.
Numa condução moderada o K 1.6 é muito mais agradável de utilizar, incluindo em subidas íngremes; o binário e a forma como aparece mais cedo faz diferença, apesar da caixa mais longa e do peso superior.
Os K são excelentes motores; não foi à toa que foi utilizado em Caterham's e Lotus. Se têm sensibilidades no que toca à junta? Sim, tem, mas de pouco mais os podemos acusar. [

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Em 1998 eu olhava para um xsara 1.4 e chamava-lhe "chasso" em termos de motor, porque só tinha 75cv, 2 válvulas por cilindro e super antigo, parecendo o 1.4 Rover como um motor muito melhor a todos os níveis.
Hoje, eu compraria muito mais facilmente esse xsara 1.4 (ou um 1.8 tentando aproveitar a pouca apetência que um Citroen a gasolina tem) do que o Rover, porque a fiabilidade do motor é das bases mais importantes num automóvel.
É que quando um Rover queima uma junta, termina a viagem de reboque, e se isso não é particularmente grave a 5km de casa, se tu estiveres fora do país de férias e tiveres de interromper tudo porque ficaste apeado e com problemas para resolver, vais ficar profundamente chateado.
Nem sempre. Há quem queime a junta e faça uma boa dose de kms antes de a trocar.
Quanto ao Xsara 1.4... esse também não queima juntas? É que o problema está longe de ser exclusivo da Rover, ainda que pareça que só na Rover é uma situação problemática.
Por acaso, a Rover usou um 1.4 da PSA mas a diesel... e queimava juntas. Mais tarde foi substituído pelo mais fiável 1.5.
Se tivermos de dividr um Rover e um Citroen entre nós os dois, vai ser fácil; ambos vamos escolher por causa da fiabilidade e ambos vamos ficar contentes. [

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Não é que algum carro no mundo te garanta que não vais passar por essa situação, mas o Rover tem esse problema como algo crónico, e aí ele falha logo na sua função mais básica, que é a locomoção dos seus passageiros.
Se te avariar o motor de um vidro eléctrico, em último caso atamancas a situação, mas não ficas a pé.
Se tiveres de trocar um fole que se estragou, uma bobine que deu o berro (etc), desde que não estejas no meio do deserto, haverá uma oficina (oficial ou não) que arranja a peça em relativamente pouco tempo e segues viagem.
Num Rover, falas de uma marca que já não tem concessionários, e um problema (crónico, repito) como este da junta além de demorar tempo a resolver (o que necessita da tua disponibilidade e da oficina), sobe para custos que em situações que não controlas (como estando fora do país) te podem sair bem dispendiosas (a diversos níveis).
Sim e não. Como disse, há quem continue a andar com o carro durante alguns kms, vigiando a temperatura. Se é aconselhável? Não, o ideal era reparar logo, como em tantas outras coisas não convém adiar, como numa simples mudança de óleo atempada.
Agora vamos pensar no exemplo do Coupé 1.6... parte o motor... nestas alturas de pouco te serve saberes que tem um motor Honda, de uma marca muito reputada na fiabilidade... pensa-se que bom seria ter um série K, e queimar uma junta, quando se podia continuar viagem e com 500-600€ se resolvia, se fosse exigente. Há quem mude a junta por menos de 300€, coisa que eu não aconselho. Quanto tempo demoraria a trocar um D16 e em quanto ficaria? E quanto durará o próximo, caso não seja novo?
Recomendar a alguém que compre um carro assim é algo que eu honestamente não faria, e isto é válido para um Rover como para um carro com o motor 2.0 TDI PD das primeiras gerações (pelo menos).
É uma questão de coerência e consideração por quem vem aqui pedir uma opinião.
Eu não coloco marca nenhuma num pedestal, e normalmente não faço também o oposto.
O caso Rover só se torna mais "especial" porque surgiu uma febre por estes lados em torno destes carros, argumentando coisas que eles não são, e falando de um problema crónico grave como se estivéssemos a falar do relógio de bordo com tendência para avariar.
Os Rover não estão subvalorizados, eles são vendidos (na melhor das hipóteses) pelo valor que têm.
E reforço "na melhor das hipóteses". [

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A falência da Rover não é assim tão alheia a esta falta de qualidade, porque dos diversos Rovers que acompanhei a compra em novos, nenhum deles deixou a mínima vontade aos seus condutores / proprietários de voltar a comprar um carro dessa marca, e olha que a Rover não tinha falido na altura em que a maioria destes carros foram trocados. [

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Há vários carros com problemas crónicos, e convém estar atento e fugir deles, seja em que marca for. Sabias que os Accord i-CTDi partem colectores de escape? O de cá de casa ainda está com os originais, vamos ver quanto duram. Felizmente, ainda que seja chato, não é nada de muito grave. Espero que comecem a aparecer sinais antes de partir, para evitar a chatice a meio de alguma viagem.
Voltando à Rover, a febre está longe de estar apenas do lado de quem a defende. Há quem fala mal da marca sem ter qualquer conhecimento, incluindo muitos supostos profissionais. Chega cada história ao fórum MG-Rover de mecânicos que tentaram mudar a junta a carros que tinham a junta impecável... algumas são simplesmente inacreditáveis, até para quem percebe muito pouco de mecânica. [

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Espero que continues a participar lá no fórum; dá uma vista de olhos no conteúdo das secções do série D e do tópico do meu antigo Coupé. Há lá informação útil para quem tem um série D. [

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