RTP2 apresenta trinta propostas de negócios inovadores
Dina Margato
Frederico, de Vila Nova de Gaia, pretende comercializar contentores rebatíveis; João Raposo, de Lisboa, prestar serviços de recolha e cremação de cadáveres de animais domésticos; Daniel, de Viseu, fornecer explicações de matemática em tempo real através da internet; Joana Pais, de Monte da Caparica, converter, via bacteriana, resíduos industriais em bioplásticos. É com estes projectos que os concorrentes do concurso "Audax- Negócios à prova" disputam um prémio de 50 mil euros e o apoio logístico necessário para erguer um negócio próprio e mudar de vida.
No próximo sábado, pelas 22.40 horas, na estreia, poder-se-á conhecer as primeiras três propostas a concurso. A RTP2 dará a conhecer 30, durante 10 semanas. A parceria do canal com o ISCTE (Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa) foi criada com o propósito de incentivar uma atitude rara entre portugueses o empreendorismo. O apresentador do programa, o jornalista da área da Economia Sérgio Figueiredo, traçou um quadro negro da realidade nacional nesta matéria: "A nossa taxa de empreendorismo é a mais baixa daUnião Europeia. Em cada 100 pessoas com capacidade para gerar riqueza, apenas quatro lançam um negócio". Prosseguiu: "Não se ensina as crianças em casa a serem-no e ai do pobre desgraçado que conta aos pais que vai criar uma empresa", comenta. "Não temos uma cultura do empreendorismo".
Claramente entusiasmado com a experiência, o ex-director do Jornal de Negócios deixou ainda a mensagem "É bom quebrar tabus, é preciso dizer que é um bom vencer, é bom ganhar dinheiro, não é pecado ser rico".
Cada programa vai mostrar além do projecto, as motivações dos candidatos, através de pequenas vídeos. Em estúdio, os concorrentes têm de defender as suas propostas diante do apresentador. Para os avaliar, foram recrutados peritos na área empresarial de Francisco Murteira Nabo, presidente do conselho de administração da Galp, a Jorge Armindo, com cargo homónimo na Amorim Turismo, a Esmeralda Dourado, presidente executiva do grupo SAG. A responsável pelas Soluções Automóveis Globais elogiou a criatividade que encontrou nos projectos mas não poupou críticas ao que considerou ser transversal a todos eles: "Todos pecaram pelo deficiente plano de negócio".
Ontem, na apresentação do programa, Jorge Wemans, director da RTP2, assegurou que os 30 projectos serão acompanhados durante a prossecução. "Esse apoio é uma obrigação", disse. Para Wemans, o facto de terem existido 260 inscrições já foi uma vitória.