Saúde e os Impostos

zMax

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Nós sabemos que existem um conjunto de factores de risco que se associam a doenças.

Por exemplo, sabemos que a hipertensão arterial, alterações do metabolismo do colesterol, a idade, o sexo, entre outros são factores de risco para o AVC. Como é óbvio, há factores como a idade e o sexo que é impossível controlar. Contudo, a hipertensão arterial pode ser controlada e o metabolismo do colesterol podem ser regularizados.

Outra coisa que sabemos é que o grupo de pessoas com mais factores de risco ao terem um aumento da probabilidade de terem um efeito adverso no futuro serão igualmente uma maior fonte de despesa para o SNS na medida em que necessitarão de mais intervenções terapêuticas. Por outro lado, o grupo de pessoas com menos factores de risco terão menos efeitos adversos, logo pouparão despesa.

Após esta pequena introdução a minha questão é: será que os cidadãos que têm um estilo de vida saudável deverão ser "premiados" enquanto que aqueles que insistem em ter comportamentos errados deverão ser "sancionadas"?

Exemplos de prémios:
  • taxas moderadoras mais reduzidas.
  • redução ainda que ligeira dos impostos.
  • aumento das prestações sociais: subsidio de desemprego, por exemplo.
As sanções poderiam ser o oposto.

A ideia da sanção/prémio era fazer repercutir nos cidadãos os efeitos que as suas atitudes têm para si e os custos que têm para nós, sociedade.

Outra questão: será que esta era uma boa forma de consciencializar os cidadãos para a adoção de um estilo de vida saudável? Ou será que seria muito radical?
 
A nossa constituição socialista obviamente rejeitava qualquer discriminação nesse sentido.

Sem pensar muito no assunto, e diga-se também sem perceber, diria que essa medida iria ter um efeito devastador. Tenho a ideias que são precisamente as classes mais desfavorecidas que têm uma prevalência maior de problemas de saúde. Sejam os casos de obesidade, alcoolismo, doenças respiratórias, alergias, etc. Logo os que mais seriam chamados a pagar são os que menos podem, e aí é que o SNS ia ao charco.

Dito isto, em teoria, a ideia nem me choca muito.
 
Nós sabemos que existem um conjunto de factores de risco que se associam a doenças.

Por exemplo, sabemos que a hipertensão arterial, alterações do metabolismo do colesterol, a idade, o sexo, entre outros são factores de risco para o AVC. Como é óbvio, há factores como a idade e o sexo que é impossível controlar. Contudo, a hipertensão arterial pode ser controlada e o metabolismo do colesterol podem ser regularizados.

Outra coisa que sabemos é que o grupo de pessoas com mais factores de risco ao terem um aumento da probabilidade de terem um efeito adverso no futuro serão igualmente uma maior fonte de despesa para o SNS na medida em que necessitarão de mais intervenções terapêuticas. Por outro lado, o grupo de pessoas com menos factores de risco terão menos efeitos adversos, logo pouparão despesa.

Após esta pequena introdução a minha questão é: será que os cidadãos que têm um estilo de vida saudável deverão ser "premiados" enquanto que aqueles que insistem em ter comportamentos errados deverão ser "sancionadas"?

Exemplos de prémios:
  • taxas moderadoras mais reduzidas.
  • redução ainda que ligeira dos impostos.
  • aumento das prestações sociais: subsidio de desemprego, por exemplo.
As sanções poderiam ser o oposto.

A ideia da sanção/prémio era fazer repercutir nos cidadãos os efeitos que as suas atitudes têm para si e os custos que têm para nós, sociedade.

Outra questão: será que esta era uma boa forma de consciencializar os cidadãos para a adoção de um estilo de vida saudável? Ou será que seria muito radical?

Por acaso é uma questão que às vezes me aflora o pensamento. Tanto nesse exemplo como noutros como o consumo de drogas, hábitos tabágicos e consumo de álcool.

Penso que se calhar não será no meu tempo, mas eventualmente chegará uma altura que haverá uma discriminação neste campo.

Ainda não sei se concorde ou não.
 
Um tipo pode andar a fumar a vida toda e vai uma única vez à urgência com a gripe e paga 20€. Morre com 70 anos de avc "natural".

Anda um gajo com uma vida saudável, apanha gripes e afins todos os anos, mas como tem uma vida saudável, paga apenas 5€ por cada urgência. Face ainda à vida saudável que leva, apanha uma arritmia cardíaca e uma fractura num jogo de futebol. É hospitalizado e causa uma despesa de 6.000€ ao SNS. Face à arritmia, terá de tomar comprimidos para o resto da vida, 100€/mês, comparticipados a 50% pelo SNS. Feliz com a sua vida saudável apanha cancro aos 40 anos (sim, as pessoas saudáveis também têm cancro), inicia tratamentos e anda anos a consumir recursos do SNS, estima-se que em mais de 30.000€. No fim de vida, pelos 50 anos, tem uma falência renal e passa a fazer hemodiálise, o SNS paga 2.000€/mês para o suportar. Anda 5 anos nisto, até aos 55 anos ter possibilidade de transplante. Custo do transplante no SNS = 4.000€. No entanto, face ao seu estilo de vida saudável, mantém o "bónus" de pagar apenas 5€ nas urgências.

Conclusão: o tipo do tabaco é que andou a pagar esta treta toda.
 
É um caminho que não leva a lado nenhum. Nem o seguros particulares se atrevem a ir mais longe que as doenças crónicas.

Digamos que temos que contribuir para os excessos de todos.
 
E as doenças que acontecem nos indivíduos saudaveis....como «ficam»?

Um tipo pode andar a fumar a vida toda e vai uma única vez à urgência com a gripe e paga 20€. Morre com 70 anos de avc "natural".

Anda um gajo com uma vida saudável, apanha gripes e afins todos os anos, mas como tem uma vida saudável, paga apenas 5€ por cada urgência. Face ainda à vida saudável que leva, apanha uma arritmia cardíaca e uma fractura num jogo de futebol. É hospitalizado e causa uma despesa de 6.000€ ao SNS. Face à arritmia, terá de tomar comprimidos para o resto da vida, 100€/mês, comparticipados a 50% pelo SNS. Feliz com a sua vida saudável apanha cancro aos 40 anos (sim, as pessoas saudáveis também têm cancro), inicia tratamentos e anda anos a consumir recursos do SNS, estima-se que em mais de 30.000€. No fim de vida, pelos 50 anos, tem uma falência renal e passa a fazer hemodiálise, o SNS paga 2.000€/mês para o suportar. Anda 5 anos nisto, até aos 55 anos ter possibilidade de transplante. Custo do transplante no SNS = 4.000€. No entanto, face ao seu estilo de vida saudável, mantém o "bónus" de pagar apenas 5€ nas urgências.

Conclusão: o tipo do tabaco é que andou a pagar esta treta toda.

O problema é que vês esta possível possível procedimento do ponto de vista individual e não do ponto de vista populacional.

Se compararmos duas população. A população sem factores de risco, ou com factores de risco controlados, tem menos eventos adversos que a população com factores de risco descontrolados. Contudo, dentro dessa população haverá sempre os casos que tu relatas, mas esses dados individuais não invalidam os dados gerais para população.

As doenças dos saudáveis seriam tratadas. Como seriam tratados todos os indivíduos. A questão é refletir nos indivíduos o aumento ou a diminuição da sua probabilidade de estar doentes.
 
E como definir critérios de «vida saudável»?

O que há quem defenda é que quem «abusa», por exemplo do álcoól e do tabaco, se um dia vier a necessitar de cuidados de saúde os pague a um preço «mais elevado»....
 
O que é levar uma vida saudável? Praticar desporto e só comer coisas saudáveis? Mas quem pratica desportos tem mais probabilidades de contrair lesões, por exemplo.

Não se pode ir por aí.

Para além que não tens maneira de controlar quem tem um estilo de vida saudável, e quem não tem.

Coneço n exemplos de pessoas que só comem porcarias e são autênticos paus de virar tripas, e outros que têm mais cuidado, e mesmo assim são gordos e têm colesterol elevado, etc .. O metabolismo varia de pessoa para pessoa.
 
O que é levar uma vida saudável? Praticar desporto e só comer coisas saudáveis? Mas quem pratica desportos tem mais probabilidades de contrair lesões, por exemplo.

Não se pode ir por aí.

Para além que não tens maneira de controlar quem tem um estilo de vida saudável, e quem não tem.

Coneço n exemplos de pessoas que só comem porcarias e são autênticos paus de virar tripas, e outros que têm mais cuidado, e mesmo assim são gordos e têm colesterol elevado, etc .. O metabolismo varia de pessoa para pessoa.


A questão não é o que é vida saudável.

A questão são os factores de risco (hipertensão descontrolada, metabolismo do colesterol alterado, obesidade). Quem tem esses factores de risco tem maior probabilidade de ter doenças como o AVC.

A vantagem de pegar em factores de risco e não na vida saudável é o facto de a vida saudável ser algo difícil de medir e de definir. Mas a hipertensão nós medimos e quantificamos, o mesmo para o metabolismo do colesterol.
 
Alguém que sofre de obesidade e que se recusa a fazer dieta ou a controlar a sua alimentação ou um fumador que tenha problemas respiratórios e se recuse a deixar de fumar, por exemplo, deviam ser penalizados quando necessitassem de cuidados de saúde causados por esses problemas

Alguém a quem o medico diagnostica factores de risco e nada faz para os minorar ou continua com os mesmos hábitos que levaram a esses problemas deviam ter uma qualquer tipo de penalização nos tratamentos a que viesse a necessitar devido a esses mesmos factores de risco.
 
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Há certas coisas que não nos devemos intrometer sob pena de abrirmos precedentes que podem levar a injustiças extremas no futuro.

Acho que a saúde é uma delas. Ajudar quem precisa sim, agora discriminar não.
 
90% das pessoas acometidas de um AVC, fizeram as suas necessidades numa sanita de cor branca nas 8 horas antecedentes ao episódio.---->sanitas brancas provocam AVC´s.

99% das pessoas acometidas de um AVC apertaram a mão a outra pessoa na semana imediatamente anterior ao episódio.--->apertar a mão mata.

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Deixem-se de caça às bruxas e bodes expiatórios para os limites da ciência actual.
 
Por falar em saude e impostos, há dias li uma coisa surreal, que é o Estado comparticipar as operações de mudança de sexo e ao mesmo tempo cortar nos serviços de saúde por falta de dinheiro [8b][8b]
 
Isso já foi falado por aqui. Eu concordo com a ideia, o problema é a implementação.

Começa logo pela definição do que é "saudável". Infelizmente para grande parte dos médicos o "saudável" corresponde simplesmente ao que é "normal", ou seja dentro da média. Se a generalidade do povo tem maus hábitos aquilo que é médio e "normal" pode na verdade não ser saudável e factores vistos isoladamente raramente têm a importância que lhes dão. Por exemplo, eu posso ter colesterol alto e não ter qualquer problema de saúde, para mim pode ser normal ter colesterol alto (compensado por outras variáveis do meu metabolismo) e estar assim de perfeita saúde, mas porque está acima da média podia vir a ser prejudicado por isso.

Depois há o controlo. Como é que vamos controlar quem tem bons hábitos e não tem? Vamos mandar inspectores aparecer de surpresa em casa das pessoas para ver o que comem? Vamos obrigar a declarar toda a comida que compram? (logo em Portugal que realmente cá declara-se tudo às Finanças!) Vamos obrigar as pessoas a ir para o ginásio? E quem pratica exercício ao ar livre e assim não tem qualquer comprovativo? E quem vai para o ginásio e declara que pratica exercício todos os dias, mas está lá sentado a ver as senhoras de leggings? Etc etc etc...
 
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Por falar em saude e impostos, há dias li uma coisa surreal, que é o Estado comparticipar as operações de mudança de sexo e ao mesmo tempo cortar nos serviços de saúde por falta de dinheiro [8b][8b]
Ou a velha história comparticipar as reabilitações (com estadia e medicamentos) a toxicodependentes mas os doentes de cancro morrerem por não ter dinheiro para aviar as receitas ou transporte para receber os tratamentos.

Justiça e racionalidade no Estado português? Does not compute.

Mas calma que há-de vir já alguém dizer que temos dos melhores sistemas de saúde do mundo [:)]
 
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A questão não é o que é vida saudável.

A questão são os factores de risco (hipertensão descontrolada, metabolismo do colesterol alterado, obesidade). Quem tem esses factores de risco tem maior probabilidade de ter doenças como o AVC.

A vantagem de pegar em factores de risco e não na vida saudável é o facto de a vida saudável ser algo difícil de medir e de definir. Mas a hipertensão nós medimos e quantificamos, o mesmo para o metabolismo do colesterol.
E como catalogas a origem da hipertensão, por exemplo?
 
E como catalogas a origem da hipertensão, por exemplo?

Nos adultos é idiopático em mais de 90% dos casos, isto é, não se consegue definir a causa. Mas isso não quer dizer que seja intratável.

A hipertensão pode ser controlada com alterações do estilo de vida, como a redução do consumo de sal, aumento do consumo de carnes magras e legumes, redução de peso e ingestão rigorosa da medicação prescrita.
Contudo, o que não falta é pessoas com hipertensão que não fazem nada, pois a tensão alta não dá praticamente sintomas, a pessoas anda bem e há um desleixo completo. Mas as consequências negativas estão lá. O preço do desleixo será pago mais tarde.

A minha mãe tem hipertensão. Com dois fármacos não tinha a tensão controlada. Bastou emagrecer para a tensão ficar controlada com os dois fármacos iniciais, não necessitando assim de um terceiro fármaco.
 
Nós temos no SNS uma forma de melhorar o estado de saúde da população, idêntico à maioria dos países com SNS, que é o de premiar o corpo clínico do Centro de Saúde pelas melhorias conseguidas no tratamento do utente.
Os Seguros de Saúde não conseguem competir com esta prática, em países onde há uma grande dispersão de Serviços de Saúde.
 
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