Como assim?
Em minha opinião, não devem faltar muitos anos para a Cupra tomar de vez o lugar da Seat.
E são vários os sinais que apontam nesse sentido.
O facto de retirarem o Born à Seat para ser vendido como Cupra é apenas um deles.
Aliás, há planos para haver um Seat 100% eléctrico? Nenhum que conheçamos. Cupras? Depois do Born já se prepara um Tavascan.
Mesmo o eléctrico de 20-25 mil euros previsto para 2025, foi apresentado, oficialmente, como um produto da empresa Seat S.A. e não específico da marca Seat ou Cupra.
A indústria automóvel está a passar por transformações grandes e isso tem-se reflectido nos planos estratégicos das marcas.
O que existe em comum? Sinergias e economias de escala e, o mais importante, concentrarem-se em segmentos mais altos, do C para a frente.
No Grupo VW não é diferente.
A criação da Cupra permite à Seat S.A. ter uma marca com posicionamento mais elevado e margens mais gordas (que melhor podem absorver os custos de desenvolvimento e produção que não param de crescer).
Deverá permitir até uma marca que gere menos volume de vendas, mas mais lucros (por exemplo, a Audi e Porsche geram a maioria dos lucros do Grupo VW, mesmo não sendo as marcas que mais produzem).
Além disso resolve o busílis que era a concorrência interna da Skoda no lado mais acessível do mercado.
E vai de encontro Às decisões tomadas o ano passado no grupo, que reorganizaram todas as marcas, de modo a haver mais clareza e distinção entre todas elas.
A Seat andou sempre meio perdida e nunca se soube bem o que quis ser.
A tentativa de a tornar na Alfa Romeo do grupo nunca passou de "vaporware" e só obtivemos MPV, Toledo com marreca, e nem faltaram "badge engineering".
Os SUV da Seat tiveram e têm muito sucesso, sem dúvida. Mas não é caso único. Maior parte das marcas souberam surfar muito bem a onda de crescimento dos SUV.
Acho que nunca souberam ou nunca deixaram trabalhar a marca Seat no sentido certo (política interna do Grupo dava um belo thriller) e passar uma definição clara do que era a marca e qual a sua posição dentro do grupo para o mercado.
Veja-se que a Skoda é a marca com a imagem mais clara e forte, com as maiores vendas e maiores lucros entre as duas.
Tendo em conta o que o futuro da indústria reserva — electrificação, digitalização e até as normas de segurança da UE a começar no próximo ano —, as marcas no lado mais acessível do mercado na UE poderão ter a vida complicada, pois os custos vão subir substancialmente e não é possível esmagar mais as margens.
A criação da Cupra ajuda e muito a mitigar isso.
Eles estão a investir mais na Cupra do que na Seat.
Até se deram ao luxo de fazer um Formentor com o 5 cilindros da Audi (um motor que a Audi tem defendido com unhas e dentes como seu sem "emprestar" a ninguém) para potenciar o "buzz" À volta da Cupra.
A Seat, coitada, nem sequer agora pode ter versões desportivas dos seus modelos, como o Ibiza.
Acho que o ano chave será 2025, quando entrar a Euro7.
Se for tão má como apregoam, o lado mais acessível do mercado (A e B) vai sofrer uma enorme razia e transformação, pois a única solução será ter carros 100% eléctricos e, acreditem, não vão ser baratos (ver o utilitário eléctrico dos 20 mil euros para 2025 da VW e da SEAT… S.A.)
E nessa altura mais vale a Seat S.A. estar a vender um mini-Formentor no lugar do Ibiza e do Arona, do que investir numa nova geração destes dois.