Jan (Daniel Brühl –
“Good Bye Lenin!”, Wolfgang Becker, 2003), e Peter (Stipe Erceg) invadem casas de famílias abastadas e mudam-lhes a mobília, abalando o seu
status quo e a segurança do seu “império” reduzido a uma acumulação voraz e sem sentido de bens materiais, e ameaçando-os com a frase: “os vossos dias de abundância terminaram” que assinam “Os Edukadores”. O seu activismo pela justiça social na Alemanha é partilhado também por Jule (Julia Jentsch), a namorada de Peter, que tem uma dívida de milhares de euros por causa de um acidente de viação. Jule precisa de algo em que acreditar e, quando Peter se ausenta por uns dias, Jan inicia-a nas incursões nocturnas,.
Quando Jule descobre que a casa de Hardenberg (Burghart Klaußner), o milionário a quem deve dinheiro, está na lista de possíveis invasões, decide fazer-lhe uma visita. Mas essa investida corre mal, e eles vêem-se obrigados a raptá-lo, para mais tarde se darem conta de que foi também ele um revolucionário no Maio de 68.
Com um ritmo bem estudado, os arcos evolutivos das personagens estão construídos de uma forma consistente mas com uma boa margem de surpresa. Aos dilemas sobre o que fazer com o raptado, ou se os ideais justificam todas as acções, adiciona-se o conflito latente com o triângulo amoroso que se estabelece entre Peter, Jule e Jan, testando a longa amizade de Jan e Peter.
“Os Edukadores” fala da angústia da juventude de hoje (e também da dos jovens de antigamente), a quem parecem faltar motivos para se rebelar, ou talvez apenas falte a vontade de fazer o esforço, de pensar, de discutir os assuntos, falta-lhes tempo para se importarem com algo mais do que o “eu, aqui e agora”. De repente, tudo aquilo por que as gerações anteriores lutaram, vira-se hoje contra as novas gerações, onde as liberdades conquistadas infringem outras liberdades, mais essencias, mas que estranhamente estão ainda por conquistar.
Mas o idealismo, mesmo o deste grupo, que parece irredutível, é posto à prova quando colide com as suas fragilidades, e com o medo de perder aquilo que consquistaram.
“Os Edukadores” alia drama, comédia, tensão, amor e, sobretudo, paixão por uma causa, sem nunca cair em excessos demagógicos. Um belo filme, que fecha com o tom redentor de “Hallelujah”, na voz de Jeff Buckley.
CITAÇÕES:
“Quem tem menos de 30 anos e não é liberal, não tem coração. Quem tem mais de 30 anos e é liberal, não tem cérebro.”
“Die fetten Jahre sind vorbei” DIE ERZIEHUNGSBERECHTIGTEN
(Os vossos dias de abundância terminaram) OS EDUKADORES
“Sie haben zu viel Geld” DIE ERZIEHUNGSBERECHTIGTEN
(Vocês têm demasiado dinheiro) OS EDUKADORES
http://cinerama.blogs.sapo.pt/arquivo/758869.html