Apesar de irmãs, houve qualquer coisa que não correu muito bem para os lados da Mazda, na altura de vestir a sua pick-up.
As linhas dinâmicas que caracterizam a frente, com largos arcos não se enquadram nada num veículo caracterizado sobretudo por volumes cúbicos.
Na traseira não poderia ser mais óbvio, com os grupos ópticos caracterizados por duas linhas curvas simétricas a contrastarem não apenas com a superfície plana da traseira, como a não encaixarem nada bem na "caixa" paralelepipedica que é a ... caixa traseira.
A Ford resulta muito melhor no geral.
Já que temos algo a tender para o cubo, com a predominância de rectas e quadrados e rectângulos, todos os elementos acabam por ir de encontro a essa realidade, conseguindo um conjunto bem mais harmonioso e coeso, com formas mais regulares.
AS soluções mais simples costumam ser as melhores e aqui nota-se claramente um trabalho de over-styling por parte da Mazda, tentando diferenciar-se de forma forçada do restante universo das pick-ups com um resultado nada satisfatório.
A Ford por outro lado focou-se em elementos mais comuns, mas todos eles trabalhados de forma eficaz, conseguindo criar um conjunto decentemente desenhado e distinto sem cair no exagero estilistico, sem justificação possivel.
COnsegue fazer uma ponte eficaz entre o lado utilitário da pick-up e o lado "life-style" que ambas procuram atingir, estando muitos pontos acima da sua antecessora, com uma imagem mais robusta e musculada, sem no entanto parecer rústica, conseguindo alguma sofisticação e cuidado na sua apresentação.
Por outro lado, a Mazda, ao tentar encaixar um monte de temas visuais mais de acordo com carros de teor mais desportivo, acabou por criar uma pequena aberração.
A fazer lembrar coisas como o Cayenne, que também tentou encaixar um 911 numa carroçaria de SUV com os tristes resultados visuais conhecidos.
Pick-ups são sempre algo tramado de desenhar, devido à grande condicionante que é a forma da caixa traseira, que automaticamente nos limita a orientação estilistica escolhida. Quando se tenta algo diferente, acaba sempre por correr mais mal que bem, como a Mazda bem demonstra.
É interessante ver a discrepância de resultados que 2 pick-ups com a mesma base e partilhando parte do corpo (o volume do habitáculo é idêntico, se repararem) conseguem.