As sete mavavilhas....
As sete mavavilhas....
1. Grande Prêmio de Mônaco de 1984
Ayrton Senna dirigia o carro número 19 da equipe Toleman - sem meias comparações, é o equivalente, hoje, da Williams dirigida por Nico Rosberg. Estava apenas na sua 5ª corrida na Fórmula 1. Classificou-se na 13ª posição, o máximo que o fraco motor Hart lhe permitiu. Na largada, com os tradicionais "engavetamentos", Senna consegue rapidamente subir para a 9ª posição. Dez voltas depois de iniciada a prova, já estava em 6º. Mais adiante, o brasileiro ultrapassaria a Williams de Keke Rosberg e a Ferrari de René Arnoux, assumindo a terceira posição após a batida do então líder Nigel Mansell. Na volta 19, Senna ultrapassa o McLaren do futuramente tricampeão Niki Lauda. A partir daí, até a volta de número 31, Senna faria uma perseguição implacável a Alain Prost, descontando mais de meio minuto de diferença – o que lhe valeu a volta mais rápida da prova, a única conquistada por uma Tolleman. No entanto, uma volta antes de "colar" no francês e realizar a inevitável ultrapassagem, o diretor da prova cancela a corrida. Talvez Senna não vencesse a prova, pois é notório que o motor de seu carro poderia não agüentar. Mas aquele GP de Mônaco entrou para a história da F-1 por ter sido o dia em que o mundo conheceu a genialidade de Ayrton Senna da Silva.
2. Grande Prêmio de Portugal de 1985
Na ocasião, fazia muito frio e chovia forte. Era a segunda prova da temporada de 1985, e apenas o 17º Grand Prix de Ayrton, e ele cravou sua primeira pole-position na Fórmula 1. Senna largou muito bem, e descontou três segundos de vantagem nas duas primeiras voltas. Dez voltas depois, a distância já era de 12 segundos. No grupo que estava atrás, os grandes nomes cometiam erros sucessivos: Patrese, Rosberg e até mesmo Prost e Piquet abandonaram por conta de rodadas no meio da pista ou por chocarem seus carros contra as barreiras de proteção. Mas Senna seguia firme, tranqüilo, sempre colocando uma média de um segundo por volta nos adversários. Num dado momento, até o piloto brasileiro indicava que seria necessário cancelar a corrida. Peter Warr, o grande diretor da Lotus, deu seu parecer: "Perto do final da corrida, Senna escapou da pista e foi parar na grama chegando a dar uma rodada; Logo em seguida, com dois golpes no volante, estava novamente no asfalto. Virei para meu assistente e disse: 'Que controle de carro fabuloso!'". A corrida encerrou-se após atingido o limite de duas horas, na 67ª de 69 voltas previstas. Senna foi o vencedor com uma diferença de espantosos 62 segundos. Nascia o "rei da chuva".
3. Grande Prêmio de Mônaco de 1988 (treinos)
Eis o momento mais emblemático de toda a carreira de Ayrton Senna. Ele vivia um desafio pessoal: tinha nas mãos pela primeira vez um carro verdadeiramente "de ponta", mas ao mesmo tempo via-se frente a frente com um piloto que já tinha 5 anos na equipe, e era bi-campeão mundial e recordista de vitórias. Na primeira corrida, Prost foi o vencedor, com Senna sendo desclassificado. Na segunda, Senna venceu e Prost foi o segundo. Mônaco era o momento que podia definir os rumos do campeonato e, para isso, Senna estava absolutamente concentrado nos treinos, firme na idéia de conquistar a pole e vencer o GP. Naquela tarde de sábado, o mundo viu algo diferente de tudo que já tinha acompanhado: Senna fez seis voltas rápidas consecutivamente, em cada uma delas experimentando trajetórias diferentes, e na sua 6ª "flying lap" fez um tempo assustador de 1'23"998, nada menos que 2 (D-O-I-S !) segundos a frente de seu companheiro de equipe. Creighton Brown, um dos "chefões" da McLaren, disse que "Senna passava a milímetros do guard-rail. Foi a coisa mais impressionante que vi no automobilismo". Depois disso, Senna parou seu carro subitamente e abandonou a sessão de qualificação, afirmando estar sentindo uma "angústia fora do comum". Na prova, ele liderou folgadamente por durante 67 voltas, e tinha 52 (!) segundos de vantagem para Prost quando bateu seu carro na saída do túnel. A partir daí, Senna mudou totalmente seu jeito de ser e de pilotar. Foi o momento decisivo para que ele pudesse vir a realizar os próximos feitos.
4. Grande Prêmio do Japão de 1988
As McLaren haviam dominado a temporada de maneira incontestável, alternando apenas o vencedor. Prost estava em vantagem numérica no certame, mas tinha uma vitória a menos que Senna – o regulamento só contabilizava os 11 melhores resultados. Desse modo, a corrida em poderia ser palco de duas situações: ou o primeiro título de Senna, ou um adiamento da decisão a favor de Prost no encalço do tri. Na classificação, Senna largou mais uma vez na pole – a 12ª em 15 provas –, com Prost novamente ao seu lado no grid. Na largada, Senna tem problemas no câmbio e sai atrasado, caindo para a 14ª posição. A partir daí, a F-1 veria aquela que talvez tenha sido a maior "prova de recuperação" de sua história. Na primeira curva o piloto brasileiro pulou para 13º, e somente naquela primeira volta ele ganharia outras 5 posições. Na segunda volta, ultrapassou a Williams de Riccardo Patrese e a Benetton de Alessandro Nanini. Na terceira livrou-se de Thierry Boutsen, também da Benetton. Michele Alboreto da Ferrari foi ultrapassado na quarta volta. Na volta de número 11, Senna passaria a outra Ferrari, de Gerhard Berger. Ivan Capelli, com a March, perderia sua posição para Senna na 20ª volta. Senna se via então na 2ª colocação, 11 segundos atrás do líder Prost. Em cinco voltas a diferença foi reduzida para pouco mais de 2 segundos. Então, começou a garoar. Senna passou Prost na volta 27. A garoa cessava e Prost descontava a diferença (5 a 1,5s era a oscilação da diferença de acordo com as condições da pista). A dez voltas do final, começou a chover novamente: Senna disparou vencendo com 13 segundos de vantagem conquistando seu primeiro título na F-1.
5. Grande Prêmio do Japão de 1989
O quadro de Suzuka em 89 era diferente do ano anterior: dessa vez, Prost tinha uma vantagem de 16 pontos para Senna, com um máximo de 20 pontos disponíveis – o brasileiro precisaria vencer as duas provas finais para assegurar o título. Para Prost, bastaria terminar a frente do brasileiro em uma das duas corridas. Novamente, assim como em 88, Senna largaria na pole – uma de suas 13 naquele ano – mas Prost conseguiu sair na frente. Os carros haviam sido ajustados de forma diferente, com Senna mais veloz nas curvas, mas Prost com vantagem nas retas. Prost se manteve com uma vantagem média de 3 segundos até a volta 41, quando Senna colou no francês. Correram praticamente juntos até a volta de número 47. Foi então que Senna partiu para o "Tudo ou nada". Na chicane final da volta, mergulhou por dentro. Prost lançou seu carro para cima do de Senna antes que realizassem a curva. Com a batida, Prost era o virtual campeão. Mas Senna não havia desistido. Conseguiu voltar à pista após ser empurrado pelos fiscais. No entanto, teve de entrar nos boxes para trocar o "nariz" do carro que fora danificado na batida. Após a parada, volta à pista na volta 48 com 5 segundos de desvantagem para Nanini, o novo líder. Senna alcançou a Benetton duas (duas!) voltas depois, no mesmíssimo ponto em que tentara superar Prost. Venceu a corrida, mas acabou sendo desclassificado, sob a alegação de que "não completou a volta 47, uma vez que não contornou a chicane". O mundo sabe muito bem os verdadeiros motivos e a repercussão dessa penalidade, mas, acima disso, vibrou com um desempenho magnífico de Senna.
http://www.downforce.com.br/forum/viewtopic.php?t=19192
http://www.gptotal.com.br/