O início da carreira
Filho de uma família apaixonada por automobilismo, começou a freqüentar Monza aos 12 anos. Além dos automóveis, sua outra paixão era jogar futebol. "Desisti, mas continuo correndo: faço jogging e corro com minha Ferrari", brincava. Reservado e introspectivo, iniciou no automobilismo em
1977 ao volante de um Fórmula Monza da "Scuderia Salvati", cujo protótipo era equipado com um motor
Fiat 500 de dois cilindros. Alboreto aproveitou aquela oportunidade única e mostrou paixão ao conduzir aquele carro. No ano seguinte (
1978) se transferiu para a Fórmula Itália, categoria que contava com monopostos mais potentes.
Após conquistar os títulos da
Fórmula 3 Italiana em
1979 e o Campeonato Europeu de F3 em
1980, Michele Alboreto demonstrou versatilidade ao disputar o Mundial de Protótipos com a Lancia. Junto de seu compatriota
Riccardo Patrese, conquista sua primeira vitória nas 6 horas de
Watkins Glen de
1981. Em seu último ano com carros de "Endurance", na temporada de 1982, vence às 6 horas de Silverstone (com Patrese), os 1000 km de Nürburgring (com Teo Fabi e novamente Patrese) e os 1000 km de
Mugello (em dupla com
Piercarlo Ghinzani).
Testes com a Tyrrell e vitória com a Minardi na F-2
Com o apoio da
Ceramica Imola, Alboreto é convidado para um teste com a equipe
Tyrrell, em 1981. Completou algumas voltas e logo foi contratado para substituir
Ricardo Zunino no
Grande Prêmio de San Marino. Foram dez corridas e um nono lugar no
Grande Prêmio da Holanda, em
Zandvoort, como melhor resultado. Naquele mesmo ano, conquista a única vitória da história da
Minardi em uma prova da Fórmula 2.
A passagem pela Tyrrell
O estilo do italiano agradou
Ken Tyrrell e Alboreto permanece no time em
1982. A primeira vitória foi conquistada nesta conturbada temporada, marcada pelos acidentes fatais de
Gilles Villeneuve e
Riccardo Paletti. Revelação daquele mundial, Michele, com 25 anos na ocasião, venceu o difícil
Grande Prêmio de Las Vegas. A corrida foi muito disputada entre ele e o norte-irlandês
John Watson da
McLaren, que brigava pelo título na oportunidade com o finlandês
Keke Rosberg da
Williams. As cores azul e amarela de seu capacete, homenagem ao seu grande herói
Ronnie Peterson, passaram a ser conhecidas por todos na F-1.
Perseguição
Alboreto passou a ser sondado pelas grandes equipes da Fórmula 1, mas não podia se desvencilhar do contrato com a Tyrrell.
Enzo Ferrari, que procurava um substituto para
Gilles Villeneuve, convidou o piloto, mas Ken Tyrrell exigiu um motor turbo da Ferrari em troca da liberação do piloto. "Os italianos me criticam por não assinar com Alboreto para o próximo ano, mas o que muitos não sabem é que o convidei no meio desta temporada. Alboreto não optou por reincidir seu contrato com a Tyrrell. Em resposta, mandou-me uma carta muito educada, que mostrou seu grande caráter. Quando Alboreto estiver livre de qualquer tipo de contrato, haverá uma Ferrari à sua disposição", declarou, à época, o velho comendador.
A segunda vitória na Fórmula 1 aconteceu em
Detroit, na temporada seguinte (
1983). O brasileiro da
Brabham,
Nelson Piquet, liderava a corrida e conseguia abrir facilmente do Tyrrell de Alboreto. Há nove voltas do fim, Piquet teve um pneu furado e foi obrigado a fazer um pit-stop. O italiano assumiu a ponta e administrou sua vantagem para o finlandês
Keke Rosberg, da Williams, estabelecendo a última vitória do clássico motor
Cosworth DFV de oito cilindros na F-1 e o domínio. Foi uma corrida que do 1º ao 6º, apenas o 4º colocado era
Turbo. Acabou sendo a última vitória da equipe do
"Tio Ken" na categoria.
Alboreto na Ferrari
Enzo Ferrari contrata Alboreto para a temporada de
1984. Pilotar para o time de Maranello era seu grande sonho e a primeira vitória com a Ferrari acontece no
Grande Prêmio da Bélgica, em
Zolder. Michele Alboreto termina a temporada na quarta colocação, passando a ser muito popular na Itália.
Entretanto, seu último grande ano na Ferrari aconteceu na temporada de 1985, quando se tornou vice-campeão da Fórmula 1. Alboreto realizava grande campanha e havia vencido no
Canadá e na
Alemanha. Os "tifosi" lotaram as arquibancadas de Monza para acompanhar o
Grande Prêmio da Itália. Todos tinham esperança na vitória da máquina e do piloto da casa, que não acontecia desde a vitória de
Ludovico Scarfiotti em
1966. O sonho durou 45 voltas e Alboreto abandonou a corrida com problemas no motor. No
Grande Prêmio da Bélgica em
Spa-Francorchamps, abandonou na 3ª volta com problemas na embreagem. Era hora de reagir, já que não pontuou em duas provas e a diferença para o líder
Alain Prost ia para 16 pontos. No
Grande Prêmio da Europa, em
Brands Hatch, na
Inglaterra, o piloto italiano largou na 15ª posição. Completa a primeira volta em 9º lugar. Chegou a estar em 6º por duas voltas, mas nas voltas seguintes começou a perder várias posições. O Turbo do motor Ferrari não agüentou, chegando a sair fogo na parte traseira do aerofólio. A torcida que estava no autódromo e em seus lares não acredita no que estava vendo. O piloto consegue levar o seu carro em chamas até os boxes. Os bombeiros com seus extintores consegue apagá-lo. O francês Alain Prost, sem nenhum problema, consegue terminar a corrida em 4º lugar conquistando o campeonato. A chance de ser o segundo piloto campeão pela
Ferrari acabou; a última aconteceu em
1953 com
Alberto Ascari, além de ser o terceiro piloto como o de
Giuseppe Farina em
1950 e os dois do próprio Ascari em
1952-53 e o quarto título pela Itália. Nas últimas duas provas do campeonato, Alboreto não terminou.
Sondagem pela Williams, volta à Tyrrell e "micos" na Larrousse
Disputou mais três temporadas pelo time de Maranello e nunca mais venceu na Fórmula 1. Foi sondado pela
Williams, mas as negociações não progrediram e o piloto italiano voltou para a Tyrrell em
1989. Apesar dos problemas, conseguiu o quinto lugar em Mônaco e a terceira colocação no México. Fazia grande apresentação nos
Estados Unidos e foi obrigado a abandonar a corrida com problemas na transmissão. Alboreto saiu no meio da temporada com problemas envolvendo a equipe e seu patrocinador. "Antes do
Grande Prêmio da França, Ken Tyrrell aceitou o patrocínio da
Camel. Não gosto de quebrar contratos e pedi para a Tyrrell conversar com a
Marlboro. Mas Ken disse que o problema era meu." - revelou Alboreto, que aceita o convite da
Larrousse-
Lamborghini para disputar a pré-classificação no final do ano.
1990-1994: o desgaste na Footwork, fracassos na Scuderia Italia e volta à Minardi
Em um esporte marcado pelas repentinas mudanças de rumo, o piloto esperava reviver a melhor fase de sua carreira, em
1990, na
Footwork Arrows. A equipe desenvolve uma parceria com a
Porsche para a temporada seguinte, mas o conjunto era desastroso. Depois de três temporadas de poucos resultados, o piloto acerta com a
Scuderia Italia. O time italiano usava motores Ferrari e chassis
Lola, mas depois de 1993, uniu forças com a Minardi. Assim, Alboreto disputou sua última temporada na Fórmula 1 pela equipe de
Faenza e marcou o último ponto no Grande Prêmio de Mônaco de 1994, saindo aos 37 anos de idade.
DTM e Le Mans
No ano seguinte (
1995), Michele disputou a
DTM com um
Alfa Romeo 155 V6, porém não obteve sucesso na categoria alemã. Naquele mesmo ano, correu na IRL e retomou sua carreira nas provas de Endurance. Depois de poucos resultados positivos, Alboreto vence a tradicional
24 horas de Le Mans de
1997 e revive seus dias de glória no automobilismo. O piloto italiano dividiu o
TWR-
Porsche da equipe
Joest Racing, com o sueco
Stefan Johansson (seu ex-companheiro de equipe na Ferrari), e o dinamarquês
Tom Kristensen.
A vitória em Le Mans abre novos caminhos para Alboreto. A partir de
1998, ele disputa a "ALMS" (American Le Mans Series) pela TWR-Porsche. Em
1999, Alboreto se torna peça importante no desenvolvimento da
Audi. O último triunfo do piloto acontece nas
12 Horas de Sebring de
2001 com o italiano
Rinaldo Capello e o francês
Laurent Aïello, com o Audi
R8.
Morte trágica
Quando tudo indicava mais uma vitória em Le Mans, o mundo é pego de surpresa com uma triste notícia. Em 25 de abril de 2001, Alboreto morre após sofrer um acidente fatal testando o novo
Audi R8, que seria usado na tradicional prova francesa. A batida aconteceu no momento em que o protótipo cruzava a reta do circuito alemão de
Lausitzring, na
Alemanha, a 300 km/h. O carro levantou vôo e capotou por várias vezes até bater no guard-rail. Segundo a investigação, o acidente aconteceu por um rasgo no pneu, provocado por um objeto cortante. Terminava assim a carreira de um piloto que trabalhou duro para superar tantas adversidades.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Michele_Alboreto