Uma discussão muito interessante para se ter sobre os veículos eléctricos é qual o tipo de plataforma e formato do pack de baterias que vai vingar.
A
Polestar/Volvo anda justificar superioridade no seu desenho de pack em T/H face às duas soluções que já conheciamos: "skateboard" (Model S, i3, iPace) e o L deitado mais ou menos evidente (Zoe, Leaf, eTron, EQC, Bolt...).
Se repararem a maioria dos eléctricos -para não dizer a totalidade- têm uma carroçaria monovolumizada, nunca se perguntaram porquê? Isto é mais evidente quanto menor for o comprimento entre-eixos/mais pequeno for o veículo.
E a razão para tal é que concentrar as baterias entre os eixos obriga a elevar o habitáculo. E se se eleva o habitáculo, os bancos também sobem e a carroçaria tem que ser mais alta, resultando invariavelmente nos carros mais pequenos num formato MPV (i3, Leaf, Zoe).
No caso da Tesla, dado o maior comprimento entre-eixos e ao formato "skateboard" mais concentrado da bateria, consegue-se fugir a isso. Mas um dos trade-off é que a posição sentada nos bancos (nomeadamente nos traseiros) é estranha e demasiado flectida, muita gente nota e não gosta porque se vai "deitado" no habitáculo comparativamente a um sedan térmico.
Tesla Model S
Tesla Model 3
i3
No Leaf e Zoe vemos mesmo um pack de baterias em L deitado, ie, mais empilhado na secção traseira.
Mesmo o recente eTron ainda tem que empilhar mais baterias na secção traseira.
O ID.3 e derivados conseguem concentrar tudo num pack com a mesma altura:
A ideia da Polestar é que distribuindo as baterias em T/H (pack mais alto no túnel central), permitirá aos passageiros uma posição sentada mais confortável. Dizem também que o pack fica mais leve (alguém consegue percebe porquê?).
Contudo o habitáculo é muito mais convencional no seu layout comparativamente ao que vemos num Model 3 ou veremos num ID3.
E imagino que o centro de gravidade seja ligeiramente pior, não?
O próprio e208 tem um formato não muito diferente e que também deixa inteligentemente espaço na zona dos lugares dianteiros e traseiros. Mas será isto um compromisso (por apresentar versões térmicas e ser uma plataforma modular)? Ou um compromisso que, neste caso, até traz uma vantagem mesmo que à custa do habitáculo ser mais convencional e menos espaçoso mas com melhor "sentar"/estar?