Quebra nas vendas de combustíveis
Quebra nas vendas de combustíveis
Três maiores gasolineiras registam quebra de vendas entre dois e quatro por cento
09.05.2006 - 18h52
As três maiores empresas do mercado português de combustíveis registaram quebras de consumo entre dois e quatro por cento nos primeiros quatro meses deste ano, devido ao aumento dos preços. Os preços do litro de gasolina e de gasóleo aumentaram entre 17,8 e 14,7 por cento, respectivamente, no período de um ano, acompanhando a tendência de aumento do preço do barril de petróleo nos mercados internacionais, onde já ultrapassou os 70 dólares.
Fonte oficial da Galp Energia, que lidera o mercado com uma quota de cerca de 38 por cento, admitiu à agência Lusa uma quebra de cerca de quatro por cento nas vendas dos combustíveis nos primeiros quatro meses do ano, face a igual período de 2005. Segundo a mesma fonte, esta evolução está em linha com a tendência que vem a desenhar-se desde o ano passado.
A BP, que tem uma quota de mercado de cerca de 20 por cento, refere uma quebra de três por cento no mesmo período, embora fonte oficial da empresa especifique que a descida do consumo é maior na gasolina do que no gasóleo, devido à chamada “dieselização” do parque automóvel.
O facto de os combustíveis serem mais baratos em Espanha tem também afectado as vendas da BP, sobretudo nos postos de fronteira e no caso do consumo efectuado pelos transportadores de longo curso, afirma a mesma fonte.
Fonte oficial da Repsol, que tem cerca de 19 por cento do mercado, afirmou à Lusa registar uma quebra de dois por cento em relação a igual período do ano passado.
Os dados da Direcção-Geral de Geologia e Energia (DGGE), disponíveis apenas para os primeiros dois meses do ano, referem uma quebra no consumo dos combustíveis rodoviários (gasolina e gasóleo) de 2,5 por cento.
O secretário-geral da Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas (Apetro), José Horta, disse à Lusa que a quebra do consumo da gasolina terá sido de cinco por cento em Março, face a período homólogo, enquanto no gasóleo terá sido de 0,6 por cento.
Apesar do decréscimo na gasolina ser uma tendência dos últimos anos, a quebra no consumo do gasóleo é uma novidade apenas explicada pelo aumento dos preços, afirmou o responsável. José Horta prevê que o ano termine com uma quebra das vendas das gasolinas entre 5 e 6 por cento e do gasóleo em 1,5 por cento.
O preço médio das gasolinas sem chumbo de 95 e 98 octanas agravou-se 17,8 por cento de Janeiro de 2005 para Janeiro de 2006 e o preço do gasóleo subiu 14,7 por cento, segundo dados da DGGE.
Segundo os mesmos dados, o peso da fiscalidade no preço final dos combustíveis é de 51 por cento no caso do gasóleo, o que compara com os 52 por cento da média europeia, e de 64 por cento quando se trata da gasolina sem chumbo 95, face aos 61 por cento da média europeia.
O Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) sofreu este ano uma agravamento de 4,7 por cento nas gasolinas e de 8,0 por cento no gasóleo.