LinoMarques
Well-known member
Para aqueles que costumam reivindicar maiores velocidades de impacto para os testes Euro NCAP, aqui vai o parecer de um especialista na matéria que pode ajudar finalmente a perceber melhor o que está aqui em causa em relação à questão da velocidade dos testes.
E ajudar também a entender por que não é escândalo nenhum (pelo contrário, até é benéfico!) um carro como o BMW X5 obter "apenas" 4 estrelas.
(Artigo traduzido por mim da revista alemã mot, de 2 de Agosto de 1997)
Introdução
Apoiado pela Comissão Europeia e diferentes associações de consumidores, o TRL (Transport Research Labaoratory) britânico levou a cabo, em Julho passado, um crash-test com 13 modelos do segmento médio. Carros como o Audi A4 ou o Mercedes Classe C, que apesar de apresentarem uma estrutura frontal flexível, tinham apresentado até agora bons resultados noutros testes deste tipo, tiveram notas bastante baixas. O antigo responsável pelo Departamento Tecnológico da Volkswagen, Ulrich Seiffert, critica o método de testes do TRL: a velocidade de impacto não foi de 56 Km/h, como a regulamentação europeia estabelece, mas de 64 Km/h. Caso esta velocidade venha a impor-se como referência dos testes, a compatibilidade entre veículos mais leves e mais pesados irá diminuir. Seiffert sugere, em vez disso, uma combinação de um teste individual e de outro de compatibilidade:
E ajudar também a entender por que não é escândalo nenhum (pelo contrário, até é benéfico!) um carro como o BMW X5 obter "apenas" 4 estrelas.
(Artigo traduzido por mim da revista alemã mot, de 2 de Agosto de 1997)
Introdução
Apoiado pela Comissão Europeia e diferentes associações de consumidores, o TRL (Transport Research Labaoratory) britânico levou a cabo, em Julho passado, um crash-test com 13 modelos do segmento médio. Carros como o Audi A4 ou o Mercedes Classe C, que apesar de apresentarem uma estrutura frontal flexível, tinham apresentado até agora bons resultados noutros testes deste tipo, tiveram notas bastante baixas. O antigo responsável pelo Departamento Tecnológico da Volkswagen, Ulrich Seiffert, critica o método de testes do TRL: a velocidade de impacto não foi de 56 Km/h, como a regulamentação europeia estabelece, mas de 64 Km/h. Caso esta velocidade venha a impor-se como referência dos testes, a compatibilidade entre veículos mais leves e mais pesados irá diminuir. Seiffert sugere, em vez disso, uma combinação de um teste individual e de outro de compatibilidade:
Associações de consumidores colocam vidas humanas em risco.
(Professor-Doutor Ulrich Seiffert acerca de crash-tests a velocidades elevadas)
Mal o legislador acabou de definir as normas para o teste de simulação de acidentes na Europa para 1998, já as associações de consumidores aumentam a velocidade de impacto nos seus testes de 56 Km/h para 64 km/h. Argumento: o objectivo é determinar os pontos fracos de cada veículo.
No entanto, há algumas leis da Física que são ignoradas nesse caso. Na simulação de um impacto (veículo contra uma barreira rígida e indeformável) a desaceleração do veículo e, por conseguinte, do habitáculo, é apenas e só determinada pelo seu comportamento durante a deformação. O peso não tem qualquer importância aqui - tanto um carro leve como um pesado podem ter a mesma curva de desaceleração.
O mesmo já não se passa com as forças/energia produzidas durante a deformação. Com uma aceleração equivalente, as forças exercidas durante o impacto de um veículo com 1500 Kg são 1,5 vezes superiores às de um veículo com 1000 Kg. Na colisão de dois veículos, o mais leve está sujeito não só a uma maior diferença de velocidades, devido à sua menor massa, como a sua estrutura entra mais cedo em colapso.
Se a velocidade é então elevada para 64 km/h em vez dos 56 km/h e os veículos não podem tornar-se maiores (devido ao peso, ao espaço ocupado nas estradas e aos consumos), então a força resultante da deformação irá subir em ca. de 30%. O que significa que as frentes dos veículos irão tornar-se substancialmente mais rijas. Isto tem consequências muito negativas em acidentes reais, já que assim irá diminuir a compatibilidade entre eles - o veículo mais pesado irá abalroar o mais leve como um bulldozer. Por causa da espectacularidade dos testes, as associações de consumidores colocam vidas humanas em risco!
A subida da velocidade de impacto é absolutamente a via errada. A minha proposta é acrescentar ao teste contra uma barreira deformável determinado pelo legislador para 1998 um teste de compatibilidade, ou seja, um teste de impacto contra um veículo médio europeu. Desta forma, o teste de compatibilidade seria mais exigente para os veículos mais pesados e o teste individual mais exigente para os mais leves.
Se se atribuisse uma nota global resultante destes dois testes, os veículos mais leves teriam que ser mais rígidos e os mais pesados seriam mais flexíveis, ou seja, construídos de forma mais compatível.


