Fiat Palio 1998 (Lançado em abril de 1996)
Existiu um problema que deturpou os resultados, pois uma peça do cinto partiu-se... o que a FIAT depois corrigiu e reparou nos já vendidos...
Mas acho que em termos de carroçaria portou-se bem...
"O Palio depois do crash
Imediatamente após o choque, o suporte do cinto do passageiro se rompe. O motorista se choca contra o volante
O Fiat Palio EX 1.0 expôs motorista e passageiro "a uma situação de risco, embora isso não tenha se manifestado nos resultados dos dummies", segundo parecer do engenheiro Joaquim Huguet. A peça do banco do passageiro na qual o fecho do cinto de segurança se ancora rompeu-se. E a do banco do motorista esteve a ponto de se romper no momento da colisão do carro contra a parede (veja mais detalhes do acidente nas páginas seguintes).
"O impacto da cabeça do motorista com a parte superior do aro do volante foi tão forte que produziu um valor de HIC superior ao estabelecido atualmente como limite pela norma americana", relata Huguet. Antes do impacto da cabeça, houve choque do tórax do motorista contra o volante, primeiro na parte inferior, causando deformação na peça, e logo em seguida no centro do volante. No caso do acompanhante, diz o engenheiro, a ruptura da peça aconteceu 70 milissegundos depois do impacto. "A fratura da peça deixou o passageiro sem retenção após o choque e, a partir desse instante, joelho, tórax e cabeça se chocaram contra o painel e o pára-brisa. O acompanhante obteve bons valores no teste porque o rompimento do cinto se produziu no final do choque, atuando como limitador de carga."
Por considerar que a quebra da base do cinto não retrata uma situação normal e que a interpretação dos números poderia levar a falsas interpretações, QUATRO RODAS decidiu não divulgar os valores. Por isso, no gráfico ao lado, o boneco que representa o passageiro encontra-se em branco e as barras não trazem os valores aferidos no teste.
Apesar do incidente, a estrutura do veículo comportou-se bem, sinal de que a carroceria do Palio absorveu eficazmente o choque. "Não houve deformações significativas: o compartimento dos passageiros manteve-se íntegro." Nenhuma porta foi aberta com ferramentas e não houve vazamento de combustível."
"Sete milímetros. E Crash!
A base de aço do banco, ainda presa à haste do cinto, rasgou-se com o choque do Palio. A peça cortante, de 19 cm de comprimento, ricocheteou no interior do carro e provocou corte no banco do passageiro
Os donos dos 320000 Palio fabricados desde maio de 1998 e que estão sendo chamados agora para ajustes no cinto de segurança correram ou correm risco de vida? Para a Fiat, a resposta é não. "O carro é absolutamente seguro", afirma Appio Aguiari, diretor técnico da montadora. "Decidimos pela convocação apenas para tranqüilizar os nossos consumidores." Ele garante que não há registro de acidentes originado pela ruptura do suporte do cinto.
Se é assim, por que a peça se rompeu no crash test? Durante 2 horas, na tarde da segunda-feira 16 de outubro, os cinco homens da Fiat (o próprio Aguiari, o diretor de comunicação Marco Antônio Lage, o responsável pelo serviço técnico legislativo e normativo, Marco Antonio Saltini, o assessor técnico Carlos Henrique Ferreira, todos de Betim, e mais o engenheiro Lorenzo Rosti Rossini, da Fiat Auto, de Turim) procuraram convencer QUATRO RODAS de que o teste, feito com base na norma americana 208, não seria representativo. "Nossos carros são testados conforme critério europeu", afirmou Lorenzo Rossini. "E por essa norma, mais rigorosa, não constatamos nenhum tipo de problema no Palio." Pelo padrão europeu, o veículo se choca a 40 milhas por hora (64 km/h), contra uma barreira deformável, batendo 40% da área frontal do carro, sempre do lado do motorista. No americano, o choque é feito a 30 milhas por hora (48,8 km/h) num obstáculo rígido, atingindo 100% da área frontal.
O fato é que as quatro montadoras participantes concordaram previamente em usar a norma 208. E no teste, a peça do Palio usada para fixação do fecho do cinto do passageiro rompeu-se com o choque (veja a seqüência do acidente na ilustração ao lado). O componente metálico, de 19 cm de comprimento por 4 cm de largura, é parte da estrutura do banco. E, ao se desprender, ricocheteou com violência no interior do veículo a ponto de produzir um corte de 4 cm de largura por 3 cm de profundidade na borda do encosto do banco do passageiro. O mesmo suporte metálico do banco do motorista também rasgou e esteve a ponto de se romper, mas o impacto da cabeça do dummy contra o volante aliviou a carga na peça. A lesão provocada pelo choque superou os índices toleráveis estabelecidos pela norma americana.
O que teria originado o problema é prosaico. De acordo com os laudos da Fiat, a redução de 7 mm no espaçamento entre a haste do fecho do cinto e a base do banco teria submetido o conjunto a um esforço extra não previsto. A solução teria sido adotada em todos os modelos 1.0 da família Palio fabricados a partir de maio de 1998 porque a haste atrapalhava o manejo da alavanca do freio de mão, quando o banco dianteiro ficava na posição mais avançada. A solução encontrada pela Fiat para reduzir o esforço no conjunto foi a colocação de um espaçador de 4 mm e de uma arruela de 1 mm entre as peças metálicas.
A origem do problema foi descoberta em Turim. Tão logo ocorreu o acidente do crash, dois Palio EX teriam sido despachados para a Itália de avião. E lá, diz a Fiat, submetidos ao mesmo tipo de teste realizado pela revista. Nada de anormal foi constatado, de acordo com Rossini. Ainda assim, a empresa preferiu fazer a convocação dos 320 000 Palio 1.0, incluindo a Weekend, Siena e Strada com sistema de reclinação do encosto do banco por alavanca."
como aconteceu
Neste ponto, início do choque, o cinto de segurança do passageiro ainda não atua. O carro está a 48,3 km/h
O cinto começa a atuar 40 ms (milissegundos) após o choque, segurando o corpo do passageiro
Aos 70 ms, a base do cinto se rompe e o dummy fica desprotegido. Os joelhos se chocam contra o painel
30 ms depois, o choque da cabeça contra o painel. Haverá outro choque aos 180 ms contra o pára-brisa
Afinal basta um tacozinho de borracha e resolve-se...