Tive a dar uma vista de olhos pelo artigo do link, e já tinha visto essas regras em outros artigos.
Mas, o facto de existirem regras, não significa que tenhamos de as seguir dogmaticamente para conseguir bons resultados.
Existem outras regras de proporção, como a secção dourada, ou a definição do triângulo formado pelos eixos e cabeça do condutor.
Essas regras do artigo aplicam-se apenas a uma tipologia, os 3 volumes ou sedans
Experimenta aplicar isso a SUV's, MPV's ou 2 volumes, e temos de voltar à estaca zero.
E depois existe também a questão dos layouts, ou arquitectura.
No artigo vemos 2 exemplos com motores longitudinais frontais e tracção traseira.
É bastante mais fácil acertar proporções neste tipo de arquitectura do que num tudo-À-frente. Nos FWD, o motor encontra-se à frente do eixo dianteiro, o que acaba por complicar e muito essa questão das proporções, e muito mais hoje em dia, com os regulamentos relativos a segurança, que obrigam a ter frentes mais altas.
Nos RWD tal não acontece, estando o motor em posição mais recuada, pode-se ter uma frente mais baixa, e uma "overhang" mais curta, o que acaba sempre por ser benéfico neste capitulo!
E isso analisa apenas o perfil. Há uma outra relação importante e que muito define a "pose" do carro. Largura vs altura.
Mesmo assim, apesar do Legacy, segundo as tuas esclarecedoras imagens cumprir parte das regras, ainda assim nos parece detentor de uma estética medíocre.
Curiosamente, mesmo cumprindo parte das regras da boa proporção, existe aí uma que demonstra que não basta cumprir, há que percepcioná-la. A proporção janelas, carroçaria, que apesar de cumprir essa regra, 1/3 - 2/3, continua a parecer ter uma área vidrada demasiado alta. Pode ser das fotos, mas já no concept esse aspecto era evidenciado.
E não é ajudado pelo desenvolvimento vertical dos grupos ópticos que evidenciam a altura e não a largura, que no geral é preferivel.
Podemos obter um veiculo proporcionalmente perfeito, mas há que preencher o corpo com uma série de elementos estilisticos que ajudem a essa percepção!
Entra em acção uma questão menos objectiva, que são as opções estilisticas que definem a identidade do carro.
Como disse no post anterior, exceptuando o desenho algo complexo dos grupos ópticos frontais, o resto do carro parece ter vindo directamente da 2ª metade dos anos 90. Já parece desactualizado, apesar de ser novo.
O anterior Legacy não era nenhum virtuoso do styling automóvel, mas acaba por ser uma proposta mais elegante e mais de acordo com a época em que foi lançado.
De em vez em quando acontece. Foi como o Focus I vs Focus II. O carro mais recente parece mais velho. Não tem metade da piada do ponto de vista visual. Trocou uma boa linguagem e uma boa definição estilistica das várias partes por algo muito mais enfadonho e banal.
A Subaru não tem propriamente um historial de carros considerados "bonitos".
Mas costumam ter tudo no sitio certo, recorrendo a soluções estilisticas a tender para o banal sem chatear muita gente, exceptuando um ou outro caso.
Fazem parte de uma "bela" tradição de berlinas japonesas anónimas. Competentes, eficientes, mas discretissimos.
O problema deste Legacy é outro e tem a ver com as várias opções estilisticas tomadas na definição das partes.