Eu cresci a ouvir Pearl Jam desde os tempos do Lolapalooza, bem como
Nirvana, Alice in Chains, Soundgarden, Red Hot... mas só mais tarde
é que descobri os primórdios, com Green River e Mother Love Bone.
Desde cedo o poder da voz de barítono do Eddie e a bateria solta e
vigorosa do Abruzzese (que eu sei que não se escreve assim

) me
chamaram a atenção, bem como os geniais solos do Mike McCready, se bem
que é sempre bom referir que o primeiro dos 4 bateristas que passaram
pela banda não foi o Dave Abruzzese, mas sim o Dave Krusen (que aparece
no video do Alive a preto e branco).
Logo com o álbum de estreia, músicas como a Black (a música mais
linda de todos os tempos e que me marcou de diversas formas ao longo
da vida amorosa), Alive, Even Flow (belos tempos em que eu ia para
o Coconuts às 5ªs-feiras curtir bom som nas noites do rock a abanar
a carola e o cabelo, então, bastante comprido

), a estrondosa
Porch e a "especial" Wash, que só aparecia numa edição especial
do Ten, provaram todas que vieram para ficar.
Demorei muito pouco tempo a memorizar todas as letras de todas as
músicas, mesmo apesar de as capas dos CD's deles terem as letras,
propositadamente, incompletas. Creio que para nos dar a nós, os fãs,
um meio de saborear a música cada um à sua maneira.
Consumi avidamente todos os álbuns e, nos tempos da net, comecei a
coleccionar tudo o que era versões acústicas, ao vivo, bootlegs,
covers, improvs, etc...
À parte da discografia completa, tenho mais de 250 músicas contendo,
entre outras, os especiais de Natal para o clube de fãs, os B-Sides,
E-Sides, concertos ao vivo, etc...
Tiveram um impacto tão grande em mim que, a certa altura, até o meu
cabelo era parecido com o do Eddie

Como bom fã do grunge e do som de Seattle, andava de calças da tropa,
botas da tropa ou all-stars, camisas de flanela, cabelo comprido,
mais tarde brincos... you name it
Cheguei até a aprender a tocar muitas músicas deles em guitarra, por
culpa dum grande amigo meu (que também é o culpado desta minha
pancada, porque ele é que me deu a conhecer a banda).
Mas o meu álbum favorito é aquele a que chamam "Dissident", gravado
ao vivo em Atlanta em 1994, ficando conhecido como "Atlanta 94".
Tem, para mim, as melhores versões de todas as músicas, com a voz
do Eddie no seu melhor. Arrepia!
Já gritei, chorei, ri, curti que nem um doido ao som destes gajos e,
ainda hoje, estão sempre comigo (tenho aqui no PC do trabalho a
discografia quase completa em mp3

).
Para além da minha visão (muito parcial) da banda, há ainda que frisar
aspectos mais objectivos e que fazem deste quinteto um grupo muito
especial.
São, por exemplo, a banda que protagonizou a maior batalha jurídica
contra os gigantes da Ticket Master, tudo em nome dos fãs e de uma
tentativa de tornar justos os preços dos bilhetes para concertos.
Foram a banda que, na Dinamarca, há uns anos, parou um concerto por
causa do triste "atropelamento" que vitimou alguns membros da
plateia.
No video do Even Flow ouve-se o Eddie a pedir no início para apagarem
as luzes (os holofotes), dizendo "this is not a TV studio, it's a
****ing rock concert!".
Há um episódio também engraçado em que, a meio do Rearview Mirror
num concerto, o Eddie interrompe a música por causa de dois bacanos
que andavam à fruta

Depois de lhes pedir que se acalmassem,
naquele tom de voz lento e "tá-se bem" do gajo, e lembrando-lhes
que estavam ali num concerto de rock, ele e a banda recomeçam a
música EXACTAMENTE onde tinham parado. Uma química brutal.
E isto é importante, porque este tipo de mensagens foi algo que sempre
definiu a postura desta banda.
Já deram aqui o exemplo do Jeremy, mas também a Why Go foi inspirada
pela história duma rapariga adolescente que tinha sido injustamente
(erradamente?) mandada para uma "instituição" devido à suspeita
dos pais de que ela pudesse ser uma consumidora de drogas.
A letra é algo assim:
"She scratches a letter into a wall made of stone
Maybe someday another child won't feel as alone as she does
It's been two years, and counting, since they put her in this place
She's been diagnosed by some stupid ****, and mommy agrees,
yeah..."
E, mais à frente:
"Why go home?
What you taught me...
put me here...
don't come visit...
mother!!"
Há ainda o Alive, um hino para muitos, e que conta a história de
como o Eddie descobriu o verdadeiro pai, pela boca da própria mãe.
Aliás, o nome completo do Eddie é Edward Louis Severson III, porque
o pai era o II

E uma música ligada a esta é, também, o Better Man (can't find a
better man). Isto surge numa clara alusão ao seu padrasto, e há até
uma versão em que o Eddie introduz a música com a frase "This song...
I don't think you ever heard it, it's a new song, and... it was written
a long time ago, and it's dedicated to the bastard that married my
momma".
Falava-se, também, em tempos, de uma alegada triologia de músicas,
penso que todas do Ten, e que, juntas, contavam a história do Eddie.
O Alive era uma delas. Tenho que ir ao site do Five Horizons à
procura disso
Depois há ainda a inspiração da banda ( e do Eddie): Ramones, Neil
Young, The Who, Doors... o Eddie teve uma fase muito Doors, em que
andava sempre de garrafa de vinho tinto em punho

E há versões belíssimas de covers de músicas destas e de outras
bandas, como o Keep on Rockin' in a Free World, Baba O'Riley,
Roadhouse Blues, Androgenous Mind, etc...
Eu ficava aqui o resto da semana a escrever, vocês parem-me
