Boa Noite.
Estou aqui com uma grande dúvida.
Li que existem vantagens em comprar um carro a GPL, mas a única desvantagem que vi é que esse tipo de combustível não de tão fácil acesso nos postos de gasolina.
Existem outras desvantagens? Aconcelham?
Pedia ajuda dos condutores a GPL que digam por favor a vossa opinião dos pós e contras.
Desde já muito obrigado!!!!
Desvantagens... vejamos...
1) Não tens pneu suplente. Resolve-se com um kit anti-furo (já muitos carros, monovolumes incluído, sem ser a GPL, trazem apenas o kit anti-furo)
2) Tens "apenas" 364 postos de abastecimento de GPL em Portugal. Nas grandes cidades tens sempre onde abastecer, e a preços baixos... já fora dos grandes centros urbanos, os preços sobem pois existem poucos locais. Nada como organizar bem as viagens... o preço de GPL mais caro em Portugal é em Bragança (o único num raio de 50km), e custa €0,894... mas em Vila Real, por exemplo, já tens a €0,559... o posto que vende GPL mais barato é nas Caldas da Rainha a €0,499. Eu abasteço na Galp... utilizando vales do continente e consigo abastecer a €0,414... nos arredores de Lisboa.
3) Os depósitos são pequenos. É verdade, o meu depósito está no lugar do pneu de emergência ("roda de bicicleta"), e só leva 40L (devido à segurança do depósito, o abastecimento só vai até cerca de 80%, ou seja 33L no máximo)... mas mesmo assim, no meu Panda, consigo fazer sempre mais de 350km sempre em cidade, com trânsito e afins... em EN a autonomia sobe para perto de 500km... por €14.
4) A autonomia (a GPL) é baixa. Isso é devido ao tamanho reduzido dos depósitos, e ao facto do GPL ter um consumo superior a gasolina em cerca de 20% (já com a gasolina gasta estando a funcionar a GPL incluída). Se um carro consome 10L a gasolina... a GPL consome 12L... mas 10 x €1,505 (preço médio da gasolina simples) = €15,05/100km ... 12 x €0,604 (preço médio do GPL) = €7,25/100km... na pior das hipóteses, um veículo a GPL fica com um custo por km em cerca de metade do que custa a gasolina. Acho que isso é um bom preço que se paga por ir mais vezes à bomba não achas?... mas se acabar o GPL, ainda tens um depósito de gasolina, que além de servir para os arranques a frio, e para lubrificar as válvulas do motor, também está lá para o que der e vier... o meu Panda, com um depósito de gasolina de 35L e um depósito de GPL de 33L dá para uma autonomia conjunta de 1200km em EN ou 900km todos feitos em cidade... no pára-arranca. Claro está que só usamos a gasolina quando termina o GPL e é só até chegar à bomba de GPL.
5) O GPL tem manutenção. As conversões a GPL têm intervalos de manutenção de 15000km. Além da revisão do motor a gasolina...tens mais uma despesa com a manutenção do GPL. É caro? A manutenção do sistema de GPL consiste na troca dos filtros e ronda os €30... que é o que eu poupo por cada depósito de GPL gasto.
6) O abastecimento é mais demorado. Sim. Devido a razões de segurança, o débito de GPL é mais lento... mas nada por aí além... num depósito de 50L deves demorar mais um minuto do que abastecer a gasolina. Quando falo em razões de segurança, prende-se com o facto de não teres acesso ao combustível como acontece nos líquidos que até podes entornar para o chão. No GPL, primeiro inseres a pistola-estanque no bocal de enchimento (é um sistema estanque)... depois vais até à bomba e ficas a carregar num botão até terminar o abastecimento, ou até disparar a válvula de segurança do depósito (os tais 80%). Se largares o dito botão, o abastecimento pára. Tens mesmo que lá estar a carregar durante o abastecimento todo. Depois de parares o abastecimento, vais até ao bocal do abastecimento e destrancas a pistola. E está feito.
Mitos...
1) O GPL é um gás altamente perigoso que explode. Este é o mais utilizado pelos detratores do GPL. O depósito de GPL é em aço contra os depósitos de plástico dos combustíveis líquidos. Além disso, tem três válvulas de segurança que que são acionadas quando existem fugas ou aumento de pressão no depósito. Os depósitos de combustíveis líquidos não tem nada disto.
Ah, mas o GPL é um gás e não um líquido! Certo... é por isso mesmo que existe toda a segurança inerente ao depósito e mesmo no processo de abastecimento.
E se o carro incendiar-se, o GPL pode explodir? As três válvulas de segurança estão lá para evitar isso. O GPL como é um gás, com o aumento da pressão devido ao aumento da temperatura exterior, seja do sol de agosto ou de um incêndio, aumenta de volume (daí existir uma válvula que limita o enchimento do depósito a 80%) e o depósito tem espaço vazio para o aumento de volume e pressão do GPL... caso seja mesmo um incêndio com temperaturas de centenas de graus... e o depósito não consiga suportar o aumento de pressão do gás, as válvulas começam a soltar pequenas quantidades de GPL para o exterior do carro, que são consumidas pelo incêndio e com isso evita a explosão. Um dos casos mais conhecidos em Portugal, foi num acidente em cadeia na A25 em que vários carros se incendiaram e lá no meio estava um carro a GPL que também se incendiou... e o depósito de GPL era provavelmente a única peça do carro que estava reconhecível e que não tinha ardido. Nada como pesquisar no Google por "acidente a25 gpl".
2) O GPL tira rendimento ao motor. Isso era nos primórdios do GPL, na altura que os kits eram aspirados e aquilo de facto desafinava com frequência e os carros perdiam potência... mas isso era no tempo em que motores turbo-diesel eram coisas do futuro. Depois desses kits aspirados, já se evoluiu para a injeção sequencial gasosa de GPL (que é o que eu tenho no meu, convertido em 2013), e mais recentemente já existe a injeção sequencial líquida de GPL, que tem menos manutenção e consome menos gasolina que o kit gasoso. Tanto o kit gasoso como o kit líquido não perde performance, e até pode em certos casos como os motores turbinados, aumentar a potência e o binário, tudo depende de como se quer o carro. A mim, em 2013, perguntaram-me se queria o carro a andar menos, igual ou mais a GPL, e eu apenas referi que queria o carro a andar igual fosse a gasolina ou GPL... e de facto, não sinto diferenças nenhumas entre os dois combustíveis, mesmo quando comuto o botão.
3) O GPL retira espaço na bagageira. Sim... mas não com uma bilha como era usual nos anos 80. Existem dois tipos de depósitos. O depósito cilíndrico, que parece uma pequena cisterna e leva até 80L de GPL e está na bagageira, e o depósito tórico, que ocupa o espaço do pneu suplente... este depósito está limitado ao espaço do pneu suplente, e consoante o tamanho do espaço pode ter mais ou menos capacidade. O meu, é um tórico com buraco ao centro (tipo donut), e leva 40L (33L reais), pois está no espaço do 125/90 R15 de reserva... já existem depósitos tóricos sem buraco no centro. Acho que já nem se devem usar os depósitos cilíndricos.
4) Com o GPL não se pode estacionar em qualquer lado. Se a instalação tiver ocorrido depois de 11 de Julho de 2013, não tem restrições ao estacionamento. Estas instalações estão identificadas com uma pequena vinheta verde no pára-brisas, mais pequena que a do seguro por exemplo. As instalações anteriores a essa data, não cumprem as normas de 2013 (podem cumprir, mas terão que fazer nova IPO B para verificação dos requisitos) e não podem estacionar em recintos fechados que não tenham ventilação ao nível do solo... estes veículos estão identificados com o dístico azul na traseira do veículo.
5) Só carros velhos e com pouca potência usam GPL. Já vi de tudo... desde Citroën C1, o meu Fiat Panda, até Hummer h2, Porsche Cayenne e afins... Se antes da lei de 2013, já era difícil descobrir se o carro estava a GPL, pois muitos carros tiravam os dísticos da traseira, agora com a vinheta verde, só na bomba é que os encontramos.
Assim de repente, acho que não me lembro de mais nada, por isso passo à parte dos conselhos, como utilizador de GPL:
1) Prefere comprar um carro a gasolina, e depois converte a GPL. Tens um maior leque de escolhas, seja modelos ou versões de equipamentos, seja em carros novos ou usados. Se nos carros novos, isso tem a ver sobretudo com a escolha de versões de equipamento e motores, mas também com a possibilidade de a manutenção ao GPL poder ser feita sem ser na marca, mas sim em oficinas/instaladores credenciados e especialistas em GPL. Existem marcas a cobrar valores absurdos por manutenções de carros bi-fuel, e outras que cobram ao cliente, mas levam os carros aos instaladores para fazerem a manutenção. Nos carros usados, o não ser convertido, tem a ver também com o maior leque de escolha, mas também por quem compra um carro a GPL ter tendência para fazer muitos kms e não sabermos em que estado está a instalação, ou se foi bem feita ou afinada.
2) Mais importante que o tipo de kit a instalar, a escolha de um bom instalador é fundamental. O meu 0.9 TwinAir foi o primeiro motor a ser convertido em Portugal, e um dos primeiros na Europa. Foi feito por um dos melhores instaladores nacionais, senão o melhor, e foi sujeito a vários testes em estrada, de forma a que tudo ficasse perfeito, com um funcionamento igual seja a gasolina ou GPL. Qualquer oficina instaladora faz a instalação, mas nem todas tem arcaboiço para fazer uma boa afinação ou para corrigirem coisas que não ficaram perfeitas.
3) De vez em quando é bom andar a gasolina. Parece estúpido mas é saudável... nem que seja para a gasolina não apodrecer no depósito. Eu por regra, deixo sempre o depósito de GPL acabar, e ando uns kms a gasolina... não muitos, claro.
Já agora... deixo aqui o meu caso. Converti o Panda 4X4 em Agosto de 2013, com menos de 3 meses e com 6433km efetuados. Converti numa das melhores oficinas nacionais de GPL, e a instalação de um kit sequencial gasoso ficou em cerca de €1700. 34000km depois amortizei este investimento, e hoje com 56000km percorridos a GPL, já poupei €1300, em 3 anos e 4 meses... (€1700+€1300 = €3000). Sou de Lisboa e só faço cidade, com subidas, descidas e muito trânsito... tenho um custo por cada 100km equivalente a 4,7L de Diesel... gostaria de ver um carro a diesel a fazer essa média no meio do trânsito de Lisboa.
Se tiveres dúvidas, o melhor local são os fóruns de autogás... não os fóruns generalistas como este, pois o GPL ainda é visto com um combustível sem classe e com muitas limitações.
Fica bem.