No momento atual ainda faz sentido se estiveres no mercado á procura de um carro novo.
Daqui a 2/3 anos, com modelos como o eMégane, ID3, e-308, Astra-e e os modelos acessíveis das marcas chinesas que estão a chegar á Europa vai deixar de fazer sentido. Vejam a MG a entrar pelos mercados europeus ou a BYD. Daqui a um par de anos essas marcas estarão a competir pelos top de vendas se os fabricantes europeus não abrirem a pestana. Um Mg Mulan custa menos 3000 ou 4000€ que um eMégane ou ID3 equivalente.
Isto, para além do constante construir de mais estações de carregamento um pouco por todo o lado. As estações mais antigas continuam a existir e cada vez mais vão sendo introduzidas.
Quem conduz carros de combustão pode ter alguma ansiedade em mudar porque como é óbvio não estão habituados a procurar pontos de carregamento de elétricos e não reparam no número de postos que já existem e por que passam na rua.
Depois de mudares para um eléctrico e mudares o chip para procurar postos de carregamento elétricos em vez de bombas de gasolina reparas que não existe razão para grandes stresses.
Faço mais de 100km diáriamente para o meu trabalho, mudei para um carro eléctrico o mês passado. A diferença para mim, vindo de um carro a gasolina é que em vez de atestar uma vez por semana, passei a carregar o eléctrico num posto de carregamento ao pé do meu trabalho durante o horário de trabalho. Também tenho postos de carregamento num super-mercado ao pé de casa, na rua e quando tenho que estacionar em parques de estacionamento também costumam ter postos de carregamento. Moro num apartamento sem garagem e tenho absolutamente ZERO ansiedade em manter o carro carregado.
Claro que mudar de um diesel que faz 1000km por depósito para um EV será um choque maior, mas mesmo assim nada de mais.
E na minha experiência, tendo que usar carro por obrigação quase duas horas por dia, um BEV tem muitas vantagens face a um combustão para quem tem que conduzir constantemente e não apenas por prazer. A diferença em fadiga ao final do dia é enorme, tendo que enfrentar o trânsito.
- Por mais bem insonorizado que seja um carro a combustão, um BEV é SEMPRE mais silencioso porque o ruído do motor é práticamente inexistente. Isso diminui o cansaço que se sente ao fim de uma viagem maior.
- Um BEV é muito mais responsivo que um carro a combustão com caixa automática. Nada de hesitações da caixa quando pressionas o acelerador e a caixa tem que diminuir a relação antes de sentires a resposta do motor. Num BEV tens resposta instantânea, com mais binário e aceleração mais rápida. Muito melhor em certas situações que exijam resposta rápida.
- Comparado com um caixa manual na condução citadina quando estás preso no trânsito é uma diferença incrível em conforto. Passas de conduzir tendo de recorrer a três pedais e caixa para usares apenas um pedal.
Sinto-me muito menos cansado ao final do dia comparado com quando conduzia um carro a combustão, manual ou auto.
Independentemente de potenciais poupanças em custos de combustível ou manutenção, de que não posso falar porque este é carro de leasing, só posso dizer que vale a pena a experiência BEV. É normal que haja ansiedade com a mudança. Só agora é que estou a deixar de sentir a ansiedade do carregamento ao fim do primeiro mês e conforme vou conhecendo o carro.
Acho é que são esenciais dois factores:
- Faltam mais modelos de EVs acessíveis com preços entre 25,000-30,000€, que vão começar a ser mais comuns para o ano. Até lá os carros a combustão vão continuar a ter lugar. Acho que carros como o 500e, e-208, Jeep Avenger, Mokka-e's ou Dacias Spring têm que ficar mais baratos uns 3000€-4000€ (ou então os seus preços não acompanharem a inflação nos próximos anos).
- A autonomia mínima real desses BEVs tem que ser 400-450km. Da minha experiência isto já é suficiente, embora 500-600 fosse perfeito.