Toda essa conversa do fascismo e do Chega é própria da carneirada que abre a boquinha para comer toda a porcaria cozinhada que lhes enfiam pela goela abaixo... Os OCS tradicionais, como as TVs, jornais, polígrafos e afins, então até metem nojo com a forma como cozinham a informação toda para passar a agenda oficial.
Parece uma conversa para crianças de 3 anos, há os que são sempre maus, sempre estúpidos e sempre mal intencionados e os que são sempre bem intencionados e mesmo quando só fazem asneiras é para ajudar os pobrezinhos, o mundo é super simples, sempre dividido entre o lobo mau e o herói. Seja o Chega, seja o Milei, seja a Meloni em Itália, sejam os holandeses, tudo o que fazem é estupido e mau... Mas depois, na verdade, vai-se a ver como é que o mundo funciona e só para dar um exemplo, quem teve a coragem de finalmente aprovar uma lei que coloca um grande travão na imigração descontrolada da Europa ocidental, não são os supostos fascistas de Itália, ou da Holanda, mas sim o herói bonzinho do Emmanuel Macron...
Eu percebo que o Chega tem uma grande culpa nos rótulos que lhes colam, porque na sua gênese apostaram no crescimento acelerado da sua base a qualquer custo e de forma descontrolada, têm os louros dessa aposta já que mais de 15% de intenções de voto num partido novo e sem tradição, nem máquina autárquica é um feito inimaginável até há pouco tempo, mas também têm os problemas dessa aposta, porque além de uma comunicação bastante radical e que muitas vezes ficou ali em cima do muro entre o que é aceitável e o que já é javardo, acabaram também por atrair muito lixo da sociedade para as suas fileiras... A juntar a isto, do pronto de vista programático, ao contrário de outro projeto recente como é a IL, também acabaram por ter muitas posturas inconsistentes e incongruentes. E muitas propostas são simplesmente o típico leilão de votos em que os partidos mais populistas parecem apostados em entrar de forma um bocado hipócrita.
Felizmente hoje o mundo tornou a distribuição de informação muito mais democrática e muito menos centralizada. Quem quiser procurar um bocadinho e usar a cabeça para formar as suas próprias ideias tem ferramentas que nunca existiram no passado. Por exemplo, nos últimos tempos tenho visto alguns podcasts onde estiveram como convidados alguns dirigentes de vários partidos, nomeadamente os "burros, estúpidos e fascistas" do Chega, e aquilo que se tira de uma entrevista em que deixam as pessoas realmente falar e explicar os seus pontos passa uma imagem completamente diferente daquela que as TVs nos querem fazer passar. Por exemplo a Rita Matias que nas TV's é tratada sempre abaixo de cão, ainda há dias teve uma entrevista com o Tiago Paiva, onde se percebeu claramente que é uma miúda inteligente e determinada e que tem muito mais valor do que cabes de vento como o Miguel Costa Matos, o líder da JS que é incapaz de debitar uma ideia própria e que só atua como caixa de ressonância do focus group do PS.
Mas claro, para alguns, procurar informação e formar ideias próprias, já implica demasiado esforço mental e é muito mais simples comer o pensamento já cozinhado que as TVs servem de bandeja ao rebanho. Ainda esta semana tive uma conversa absolutamente surreal com uma pessoa da minha família cujo pensamento conheço e cuja opinião sobre vários assuntos sei perfeitamente que é de índole conservadora. Essa conversa começa porque ela me disse que nunca votaria no Chega já que aquilo é tal e qual como era antes do 25 de abril, só têm ideias fascistas. Então com calma perguntei o que achava sobre a atual política de imigração, sobre os problemas de segurança interna do pais, sobre as casas de banho mistas, se achava que somos suficientemente rigorosos com os crimes de pedofilia, se achava bem que em Portugal os crimes de corrupção quase nunca dessem direito a penas reais, o que acha das pretas giratórias entre política e empresas, o que é que achava de haver comunidades em que podem forçar uma menina de 12 anos a casar, etc... etc... Em poucos minutos tive que lhe dizer que se o chega é fascista ela também era. Ainda ficou um bocado irritada comigo por estar a compara-la a um partido como o Chega, apesar de no essencial defender exatamente o mesmo que eles.
Pessoalmente tenho muitas reservas com o Chega, acho que tem demasiadas pessoas mal preparadas, acho que o Ventura é um bocado hipócrita e ainda revela muita inconsistência e muita hipocrisia naquilo que defende, tendo no currículo várias viragens de 180º e acho que definitivamente tem que afastar das estruturas certas personagens mais sombrias. Mas com o crescimento esses problemas estão passo a passo a ser resolvidos, inclusivamente com a "contratação" de inúmeros quadros de outros partidos, além das captações mais naturais no CDS, PSD e recentemente IL, também vão buscar ao outro espectro, como por exemplo o Paulo Ralha, antigo líder do sindicato dos trabalhadores dos impostos, que esteve muito ligado às campanhas da Marisa Matias no BE e que agora é assessor para os assuntos fiscais do Chega.
Por isso, habituem-se, porque nas próximas eleições vão ter certamente mais de 15% e mais de 35 deputados e vai começar a ser cada vez mais ridículo esse discurso dos fascistas, ou de serem um perigo para a democracia. Aliás, aceitamos alegremente partidos que defendem o fim de todos os pilares da nossa politica, o fim da democracia como a conhecemos, tudo o que são regimes tiranos, como é o caso do PCP e estamos incomodados com o Chega?