Aguardava, com expectativa, o lançamento do CLA EV. Acima de tudo por ser o pontapé de saída de uma nova plataforma, do novo MB OS, baterias, etc. Um modelo feito de raiz, com tudo novo, que pelo seu formato, dimensões e "estilo", um claro concorrente do Tesla Model 3.
Confesso que me senti desiludido tanto a nível estético, como no que concerne ao conceito do interior. O carro, acima de tudo, vale pela eficiência, autonomia, performance qb no modelo de entrada e... pouco mais.
Pontos a favor:
- Plataforma de 800v, carregamento de 350kw;
- Coeficiente aerodinâmico de 0.21 e consumos muito reduzidos, em torno dos 12;
- Autonomia até 792km WLTP (provavelmente uns 600km reais), o que o vai colocar na liderança do mercado a este nível.
- Potencialidades do novo MB OS, ainda a comprovar se traz consigo mais valias na vida real.
- Frunk com 101l.
- Os bancos frontais parecem ser mais interessantes que as "backets" usadas na gama "A" da Mercedes, que pessoalmente nunca apreciei.
Pontos negativos:
- Apresentação como equipamento de série do tejadilho panorâmico fixo, sem cortina: A Tesla durante quase 1 década tem sido veemente criticada por esta solução. A Mercedes apresenta-a agora como algo "inovador" e de um esforço entre Engenheiros e Designers para permitir manter a altura do carro reduzida (inferior a 1,50m) e não prejudicar o espaço interior em altura. Referem que a existência de cortina retira espaço e que o vidro possui tratamento especial para não aquecer demasiado o habitáculo (onde já ouvimos esta conversa..?!). Será agora também o CLA alvo de "exclusão" e "haters", pela sua solução?
- Bagageira com modestos 405l e abertura limitada. Pelos vídeos, claramente inferior ao Model 3, tanto no acesso como na volumetria.
- Espaço nos lugares traseiros elogiado pela imprensa especializada mas não estão a referir o péssimo ângulo com que se fica nas pernas (demasiado dobradas). Esta situação foi muito criticada no Model 3, a Tesla corrigiu um pouco e apesar de não estar perfeito, já se encontra "aceitável" mesmo para viagens mais longas. Neste CLA, claramente, o angulo com que se fica não é aceitável seja para que viagens forem. Diria que mais do que 100km é tortura. Já vi videos com apresentadores baixos e altos e o problema está sempre presente.
Diga-se que o novo Toyota CH-R + (EV) sofre do mesmo mal. Apesar de estar melhor que este CLA, também é pior que o Model 3 e em comparação com o Model Y (para comparar com outro SUV), nem se fala. Aparentemente, nestas marcas mais tradicionais há problemas que deixam de ser comentados.
- A estética não se pode dizer que esteja má, mas concordo com algumas reviews que indicam que a ligação luminosa entre os faróis frontais não está em harmonia com a grelha existente. A faixa de luz frontal e traseira acaba por dar um ar "cheap" ao carro, por motivos distintos. A frontal por ser desnecessária e demasiado "BYD" (não acrescenta harmonia, não acrescenta tecnologia e não acrescenta imagem de marca) e a traseira por adotar uma linguagem de estilo de leds isolados que de nobre tem pouco e não acrescenta valor ou qualquer mais valia tecnológica.
A título de exemplo, basta olhar para a solução apresentada no Audi A5 e mais recentemente no A6 para se compreender como implementar uma faixa de luz que proporcione um efeito upmarket e com funções superiores e simultaneamente que faz sentido com os restantes elementos da traseira.
- No interior, o "painel tecnológico" pode ser interessante mas não compensa a perda de botões físicos integrados de forma quase eximia e que eram uma mais valia na Mercedes até ao momento (para o AC, radio, modos de condução alguns atalhos etc.), umas saídas de ventilação centrais dignas de um segmento baixo e uma consola central que além de espaços de arrumação, nada acrescenta.
- Nas portas, somente 2 botões para abrir os vidros frontais, retirando os botões traseiros. Temos a VW a abandonar uma solução falhada e a Mercedes e Volvo a adotarem a mesma.
Ainda nas portas, perde-se os botões das memórias dos bancos elétricos, dos bancos aquecidos e ganha-se um "boneco" do banco estilizado mas que não resulta esteticamente. Felizmente voltaram a ter feedback e a não serem somente sensitivos.
- Ponto ainda negativo para os botões do volante e da consola central que, além de serem sensitivos (no caso do volante), quando se carregam é a peça toda que mexe e não de forma isolada cada botão. Era preferível serem totalmente físicos ou então com um bom sistema de vibração háptica, como acontece precisamente na Tesla. A peça toda mover-se é das sensações mais foleiras que decidiram inventar na industria automóvel.
- Os materiais, principalmente os inferiores, não me parecem estar ao nível de um carro que custará + de 50k. Mas este segmento na Mercedes, pelo menos a mim, nunca me surpreendeu, nem mesmo no lançamento do Classe A. Sempre foi mais aparência do que qualidade "real".
Seria capaz de comprar o modelo pela sua autonomia, eficiência, motor, tecnologia, fabricante, pós venda etc. Mas teria de estudar se saberia lidar com os contras todos, nomeadamente ao nível da habitabilidade e do interior tão pouco... Mercedes. Para adotar esta filosofia de "simplicidade", infelizmente acho que o Model 3 continuará a ser uma escolha superior e mais sensata.