Podem querer fazer as mistificações que quiserem, mas a verdade é que a nossa economia precisa de mais mão-de-obra de qualificação média e baixa. E de mais pessoas jovens. Podemos todos optar por viver num mundo de wishful thinking, de quem acha que o ideal era termos ume economia a fervilhar de empresas de alto valor acrescentado. Também eu queria isso. Mas a verdade é que o nosso tecido produtivo é o que é. E precisa de gente para trabalhar. Não ter gente é deixar dinheiro em cima da mesa. Portugal precisa de mais imigrantes. O ideal era que precisasse de doutores e engenheiros, mas infelizmente quanto a esses lugares nem para os portugueses há (que acabam por ir para fora), quanto mais para imigrantes. Precisa de gente para os serviços, para a indústria, para a construção. E precisa porquê? Porque não os temos cá! Tão simples quanto isso. E não, não é um problema de salários. Se acham que bastaria pagar salários mais elevados para cativar portugueses então têm bom remédio: nas vossas vidas, sempre que puderem influenciar uma decisão de emprego, sempre que precisarem de uma prestação de serviço, uma obra, etc, peçam um português e paguem-lhe mais 50 ou 60% por ele.
Agora podem discutir à vontade as diferenças culturais, o desconforto, a sensação de desconfiança daquilo que é diferente, até preconceito racial que muita gente não consegue disfarçar. Podem discutir a tensões no tecido social que uma mudaça destas acarreta. Que acarreta de facto, não sou naif a ponto de achar que não muda nada. Mas não me venham é dizer que o segundo país mais envelhecido da Europa, em que diariamente há milhares de empresários a recusar encomendas por não terem forma de as satisfazer, com a CIP a fazer lobbying junto dos governos para conseguir nem que seja metade dos 130 mil novos empregados de que precisa, com os produtores agrícolas sempre aflitos para encontrar quem trabalhe nas colheitas, o setor social sem gente para cuidar dos nosso velhos como muito bem foi dito aí em cima, o sector da saúde sem auxiliares e pessoal de limpeza, Teixeiras Duarte e Motas-Engis da vida a oferecer salário + alimentação + alojamento e mesmo assim a penar, etc, etc, não me venham dizer, repito, que temos imigrantes a mais, porque não temos.