Vingança do Hamas nas ruas, milícias armadas e um acordo de paz incerto. Mesmo com cessar-fogo, Gaza ainda pode mergulhar numa guerra civil
Assim que os bombardeamentos pararam, o Hamas tomou as ruas e vingou-se dos "colaboradores". Clãs e milícias armadas lutam contra o grupo terrorista, mas há dúvidas sobre as suas intenções.
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Homens armados e de cara tapada saíram para, supostamente, patrulhar as ruas, alguns com bonés que diziam mesmo “polícia”. Vídeos nas redes sociais davam conta de
cenas de violência, com homens a serem espancados. O canal de Telegram Frente Interna da Palestina, com ligações ao Hamas, confirmou a operação:
“Um número de colaboradores e informadores foram apreendidos e detidos na Cidade de Gaza, depois de se ter provado que estiveram envolvidos em espionagem a favor do inimigo”, foi escrito. E depois foi deixada a promessa de uma vendetta daqui para a frente: “Os serviços de segurança e de resistência estão a conduzir uma
campanha de larga escala no terreno por todas as áreas da Faixa de Gaza, de norte a sul, para localizar e deter colaboradores e informadores.”
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Residentes garantiram à BBC que cerca de 300 homens do Hamas atacaram o local onde estava o clã.
Oito militantes do grupo e 19 membros dos Doghmush terão morrido nos confrontos, que levaram à fuga de dezenas de outras pessoas do local.
“Desta vez as pessoas não estavam a fugir dos ataques de Israel”, disse à televisão um dos habitantes.
“Estavam a fugir do seu próprio povo.”
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O surgimento de resistência armada à “Resistência” (como se auto-intitula o Hamas) não é novo. O grupo independente de monitorização de conflitos ACLED publicou um relatório em setembro onde dá conta de que,
desde o início da guerra, cerca de 400 palestinianos foram mortos por outros palestinianos — eram “agentes da polícia, líderes de clãs e de gangues, ladrões, ativistas anti-Hamas, indivíduos acusados de colaborar com Israel e comerciantes acusados de especulação”.
A esmagadora maioria ocorreu quando terminou o cessar-fogo de março de 2025, o que levanta a possibilidade de a violência se intensificar agora que há outro cessar-fogo incerto em vigor.
https://observador.pt/especiais/vin...-gaza-ainda-pode-mergulhar-numa-guerra-civil/