A Crise Económica da Década de 20

Só se evita austeridade com uma política monetária expansionista que aumente a massa monetária sem fazer dívida. Com os riscos todos que daí advêm.
Uma medida criativa seria dar um subsídio de valor fixo a cada europeu durante uns 6 meses. Um valor fixo cumpriria um objectivo de equidade beneficiando relativamente mais os países e os cidadãos mais pobres. Uma forma de limitar os riscos inflacionários seria fazer entrar esse subsídio no cálculo da liquidação anual de imposto de cada cidadão. Quem não tivesse sofrido perda de rendimento com a crise teria que repor esse subsídio no cálculo do imposto. Quem tivesse perdido (por exemplo quem tivesse perdido o emprego) não repunha nada.
 
Só se evita austeridade com uma política monetária expansionista que aumente a massa monetária sem fazer dívida. Com os riscos todos que daí advêm.
Uma medida criativa seria dar um subsídio de valor fixo a cada europeu durante uns 6 meses. Um valor fixo cumpriria um objectivo de equidade beneficiando relativamente mais os países e os cidadãos mais pobres. Uma forma de limitar os riscos inflacionários seria fazer entrar esse subsídio no cálculo da liquidação anual de imposto de cada cidadão. Quem não tivesse sofrido perda de rendimento com a crise teria que repor esse subsídio no cálculo do imposto. Quem tivesse perdido (por exemplo quem tivesse perdido o emprego) não repunha nada.

Como os EUA?

Infelizmente o BCE está proibido de realizar esse papel
 
Sumula da entrevista de Centeno, ontem na TVI (retirado do facebook do PSG):

- País só chega em 2022 ao nível em que estava no fim de 2019. Dois anos para recuperar;
- recessão grave: 6,5% do PIB no primeiro mês e meio (30 dias úteis), o que se agrava no mês e meio seguinte, diz o ministro das Finanças. Queda do PIB no segundo trimestre pode superar os 20%. No ano inteiro, perto de 10%. Não é bem uma recessão, é uma destruição de economia.
- défice dispara, despesa com as medidas já anunciadas é superior a seis mil milhões de euros (3% do PIB). Falta quantificar a perda de receita de impostos;
 
Os USA continuam a emitir dívida (Bonds, TBills, etc.); para tal basta ver como a dívida em termos absolutos cresce a ritmo assustador.
A ideia de que nos States o dinheiro vai aparecer por "passe de mágica" não é correcta.

Quer a emissão de dívida, com a posterior compra por parte dum BC; quer a versão de "imprimir dinheiro" (imaginem que ainda tínhamos escudos por ex) não são soluções mágicas.
São soluções de recurso, com bastantes consequências. Não há soluções mágicas.
 
https://www.razaoautomovel.com/2020/04/primeiro-trimestre-2020-mercado-venda-tipo-combustivel-motor

Com março a refletir já os efeitos do Covid-19 em Portugal, no final do primeiro trimestre de 2020, o total de matrículas automóveis em Portugal revela um quase equilíbrio entre o número de automóveis ligeiros com motor a gasolina e com motor a gasóleo.
Isto acontece devido a uma queda numérica superior a 14 mil unidades nos ligeiros de passageiros, enquanto a redução dos ligeiros de mercadorias foi de pouco mais de dois mil carros.

(negrito da minha autoria)
 
Última edição:
Sumula da entrevista de Centeno, ontem na TVI (retirado do facebook do PSG):

- País só chega em 2022 ao nível em que estava no fim de 2019. Dois anos para recuperar;
- recessão grave: 6,5% do PIB no primeiro mês e meio (30 dias úteis), o que se agrava no mês e meio seguinte, diz o ministro das Finanças. Queda do PIB no segundo trimestre pode superar os 20%. No ano inteiro, perto de 10%. Não é bem uma recessão, é uma destruição de economia.
- défice dispara, despesa com as medidas já anunciadas é superior a seis mil milhões de euros (3% do PIB). Falta quantificar a perda de receita de impostos;

E não vai haver austeridade :rolleyes:
 
Se o total de ligeiros de Janeiro-Março 2020 foram 45 282 uma queda de 14k é muito forte.
Igualmente para os ligeiros de mercadorias: 6 636 no 1º trimestre de 2020 resultante duma queda de mais de 2k veículos em relação ao período homólogo de 2019.
 
Os USA continuam a emitir dívida (Bonds, TBills, etc.); para tal basta ver como a dívida em termos absolutos cresce a ritmo assustador.
A ideia de que nos States o dinheiro vai aparecer por "passe de mágica" não é correcta.

Quer a emissão de dívida, com a posterior compra por parte dum BC; quer a versão de "imprimir dinheiro" (imaginem que ainda tínhamos escudos por ex) não são soluções mágicas.
São soluções de recurso, com bastantes consequências. Não há soluções mágicas.

Que consequências?
 
Só uma redução do PIB em 10% em 2020 e mantendo a divida igual implica que o endividamento em percentagem do PIB de 131%, sem contar com a redução brutal de receita fiscal...
 
Que consequências?

Compra de dívida (pública e privada) entre outros activos por BCs:

- Os valores de compra de activos (muitos deles privados) são astronómicos. Os cidadãos não tem qualquer tipo de controle (democrático) sobre que activos são comprados; e já sabemos que em instituições onde há dinheiro a rodos há um potencial enorme para maquinações, favorecimentos, corrupção, compadrio e que os organismos fiscalizadores fechem os olhos a formação de oligopólios. Estamos a falar de quantidades estratosféricas de capital; quem tiver acesso privilegiado e prioritário a esse capital (liquidez numa altura de escassez de capital, terá uma vantagem enorme em relação aos restantes cidadãos/empresas. Podem também ser os primeiros a converter essa liquidez em bens "tangíveis" o que é uma vantagem injusta; esses bens que normalmente são escassos sofrerão valorização (imobiliário por exemplo) logo há aqui uma vantagem completamente injustificada. Que controle democrático há sobre esse processo?
E sabemos, que normalmente, quem tem muito capital (sobretudo obtido por vias "fáceis") tenderá a pressionar os organismos de forma a continuarem a beneficiar de tal sistema. Não perceber que tal situação é uma espiral perigosa e (IMHO) inadmissível é um grande erro.

- Como este tipo de (crony)"capitalismo" gera rendimentos astronómicos, quem terá maior capacidade de captar os maiores génios são este tipo de empresas. A sociedade como um todo beneficia duma via em que mentes brilhantes vão para o Citi e para a Goldman montar instrumentos financeiros como CDOs (lixo especulativo) e outros do mesmo tipo, ou se esses génios forem para instituições como o Instituto Max Planck, fazer R&D em genética, bioquímica, física, química orgânica, etc? Eu não tenho dúvidas sobre qual a mais benéfica.

- A competição entre as empresas fica completamente distorcida; quem tiver maior acesso a este tipo de programas consegue bater empresas com menor foco em lobby e maior foco em R&D e prestar o melhor serviço ao cliente.

- O tipo de gestão das empresas fica muito mais focado no curto prazo e muito mais irresponsável: buybacks de acções, distribuição de dividendos chorudos, pagamentos de brutos salários aos CEOs/outros. Tudo sustentado em emissão de dívida para sustentar essas orgias. A sustentabilidade da empresa no longo prazo fica para segundo plano ... ainda para mais com a ideia instalada de que "somos To Big to Fail", logo nem que a gestão dê barraca, há sempre de aparecer a "ajuda divina" para resgatar a situação.
Por outras palavras: menos meritocracia e muito mais crony capitalism.

No caso de emissão pura e dura de moeda:

- Acho que é razoavelmente consensual que a longo prazo, emitir moeda não é solução para nada. Normalmente dá barracada. Mais moeda em circulação geral, para o mesmo nível de produção de bens e serviços não resolve nada. É algo completamente artificial. Mais tarde ou mais cedo a careca fica à mostra e os bens tangíveis começam a escalada de preços. Quem perceber numa fase inicial, que está a jogar o jogo da dança das cadeiras para adultos converte a moeda em bens tangíveis. Quem não o fizer, mais cedo ou mais tarde fica com moeda com cada vez menor poder (real) de compra.

- É imoral um estado ter uma moeda, que serve como meio de troca e como meio de reserva de valor e duma forma intencional, desvalorizar a mesma. Os cidadãos que escolheram conter o seu consumo imediato, para o fazerem numa situação futura (poupança) ou para reserva de segurança futura estão a ser burlados. Repito ... burlados. É uma charlatanice, e ao meu ver completamente imoral.


Bem isto é o que me lembrei assim à pressa. E também porque não quero meter aqui uma muralha de texto.
Mas o tema é duma complexidade e ramificações muito vasta.
 
Só uma redução do PIB em 10% em 2020 e mantendo a divida igual implica que o endividamento em percentagem do PIB de 131%, sem contar com a redução brutal de receita fiscal...

Se a SS apoiar a sério a quantidade avassaladora de pessoas que irá necessitar de apoio, parece-me que teremos transferências do OE para a SS. E com a queda das receitas ficais ...

Tendo em conta que:

- SS sob pressão; expansão significativa dos gastos ao mesmo tempo que tem menor coleta via 34,75% por posto de trabalho;
- Coleta fiscal (IRS, IRC, ISP, etc.) em queda;
- Contração do PIB;
- Ida aos mercados para emitir dívida que compense a queda da coleta fiscal.

A dívida em relação ao PIB vai levar com um estouro enorme. Espero (sinceramente) estar muito enganado, porque o cenário para o país é bastante preocupante.
 
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