A Crise Económica da Década de 20

Se a SS apoiar a sério a quantidade avassaladora de pessoas que irá necessitar de apoio, parece-me que teremos transferências do OE para a SS. E com a queda das receitas ficais ...

Tendo em conta que:

- SS sob pressão; expansão significativa dos gastos ao mesmo tempo que tem menor coleta via 34,75% por posto de trabalho;
- Coleta fiscal (IRS, IRC, ISP, etc.) em queda;
- Contração do PIB;
- Ida aos mercados para emitir dívida que compense a queda da coleta fiscal.

A dívida em relação ao PIB vai levar com um estouro enorme. Espero (sinceramente) estar muito enganado, porque o cenário para o país é bastante preocupante.

Isso é mais que certo.

Queda abrupta do PIB+ quebra abrupta da receita+aumento abrupto da despesa por via de apoios sociais dado um aumento brutal da divida pública. Não tem nada que saber.:sh)

Basicamente a austeridade é inevitavel.

Mas o Costa tem razão. Não vai ser a austeridade de 2008, 2011, 2012, 2013.

Vai ser a austeridade de 2020, 2021, 2022.
 
Que solução alternativa?

Soluções milagrosas não existem. A situação actual resulta dum processo de degradação da gestão de crises e que torna a resolução dos problemas cada vez mais difícil.
Se reparares o intervencionismo vem sempre em expansão: crise dos S&L, LTCM, Dot-Com, 9/11, falência do Lehman/problemas na Freddie e na Fannie; crise das dívidas soberanas europeias e agora esta.

Como há uma expansão (quase) contínua no valor das dívidas particulares e estatais (quando analisado o quadro de longo prazo), o problema é cada vez mais difícil de abordar. E nenhum governo ou banco central vai tentar começar a abordar este tipo de problema de forma isolada, se os outros não o fizerem. E como a raposa que guarda o galinheiro normalmente não tem grande interesse em modificações do status quo, o procedimento habitual é empurrar com a barriga. O que basicamente tem sido uma questão de expansão das dívidas estatais/particulares através duma compra estratosférica de activos por parte dos BCs.

Já em 2009/2010 havia muitas pessoas a dizer que o tipo de medidas iria provocar um problema ainda maior; e que o próximo cisne negro seria ainda mais dramático. Mas estas pessoas foram ridicularizadas e a via seguida foi mesmo a "kick the can".

Eu não tenho a veleidade de ter grandes certezas do que resultaria numa situação desta magnitude. Mas para mim o foco do combate a crise deveria ser muito mais baseado em suportar subsídios de desemprego e apoios básicos do tipo RSI, para que os consumidores tenham hipóteses de continuar a viver com o mínimo de dignidade e que as empresas continuem a ter clientela (continuem a produzir bens e serviços). Colocaria muito menos ênfase em apoiar empresas mal geridas (com somas astronómicas de capital) e que agora estão em dificuldades. Não estou a dizer que não haja apoio nenhum. O que estou a dizer é que não tem que ser o BCE o BoJ, FED, BoE a ficar a fazer a papinha toda a estas empresas, comprando bonds das mesmas a yields completamente irreais. Isto não é capitalismo, é uma distorção completa do que é o capitalismo.
 
Última edição:
Estas questões sobre austeridade ou não austeridade são tudo politiquices e questões de semântica e controle de narrativas. Basicamente conversa para entreter crianças.

Havendo cratera no OE não há grande ciência. No curto prazo tapa-se a cratera com emissão de dívida.
Todo este buraco será cobrado, mais tarde ou mais cedo, via impostos e/ou menor grau de prestação das funções estatais. Nem que seja ao longo das próximas décadas ...

Agora neste jogo, há pessoas que serão mais afetadas pela maior cobrança de impostos, outras serão mais afectadas pela menor função de "amortecedor social" por parte do estado; outras serão afectadas pelas duas situações (aposto que a grande maioria de nós).
 
“Estranho é que se crie a ideia que os trabalhadores da administração publica são privilegiados”


https://observador.pt/programas/res...s-da-administracao-publica-sao-privilegiados/

José Abraão, da Federação de Sindicatos da Administração Pública, espera ver garantidos os rendimentos e postos de trabalho. “Não é com reduções salariais que se enfrentam crises”, frisa.


Claro que não, é com aumentos!!! Toda a gente sabe isso!!! Tudo garantido!!! E quem paga isso tudo??

[:)]

:sh)[8b]
 
Nem um, um! [s)]

Empresário grande ou médio, pequeno ou micro, que tenha os tomates no cepo, lá está para ser ouvido. O que têm estes académicos para propor a milhões de pessoas cuja vida está a caminho de ser destruída?

Que ideias têm sobre como pagar rendas, créditos, salários e impostos, a quem nesta altura já não dorme, já não tem paz, a pensar que se está a afundar no desespero, a despedir gente válida, competente e com família sem sequer saber como os vai indemnizar?

25 teóricos, excelentes a pensar modelos, especialistas em rácios, tabelas, curvas, crescimentos, défices e assim.

Banco de Portugal, Universidades e especialistas: os 25 nomes que estão a falar sobre a economia com António Costa
 
Nem um, um! [s)]

Empresário grande ou médio, pequeno ou micro, que tenha os tomates no cepo, lá está para ser ouvido. O que têm estes académicos para propor a milhões de pessoas cuja vida está a caminho de ser destruída?

Dentro da academia, podia ter pessoas de diferentes áreas (p.ex. engenheiros) mas parece essencialmente um grupo de economistas.

Entretanto, o Die Welt tornou público que os vários organismos alemães foram contactados / pressionados pelos chineses para falarem de forma positiva deles, o que resultou numa espécie de recomendação do governo para ninguém o fazer! [:D] A máquina de propaganda chinesa é extraordinária, vamos acabar todos a falar mandarim...
 
Andava eu no 5o ano e já a minha prof de geografia dizia que as futuras gerações iriam pagar bem caro a abertura da China ao Mundo... Fosse ela ainda viva estaria cá a dizer "ainda se lembra do que vos disse à uns anos?"...
 
Ora bolas, não percebo nada de economia:

Há pouco ouvi o comentador da SIC José Gomes Ferreira a dizer que quem teve o seu rendimento afectado pode já pedir para não pagar as rendas das casas.

Ora, mas depois disse que de acordo com as regras, essa pessoa terá que pagar ao inquilino nos 12 meses seguintes o que não pagou...

A ver se eu percebi:

- os patrões não vão pagar aos empregados os rendimentos perdidos durante estes meses (obviamente porque não têm receitas na actividade económica);
- mas esses empregados vão ter que pagar as despesas que agora suspenderam, por exemplo aos senhorios ou aos bancos;

Está aqui a falhar-me qualquer coisa neste tal de "ciclo da economia" ou lá como se chama, tipo do género que quem se está a lixar com um F maiúsculo é sempre o mesmo!!!!
 
Os patrões tem de pagar 30% do layoff sem rendimentos, os senhorios não vão ver cheta de renda, mas este consegue ver que só os arrendatários é que vão ser f*didos.

Alguém pegue na foice e comece a organizar o avante sff.
 
Os patrões tem de pagar 30% do layoff sem rendimentos, os senhorios não vão ver cheta de renda, mas este consegue ver que só os arrendatários é que vão ser f*didos.

Alguém pegue na foice e comece a organizar o avante sff.
Estou muito longe dos ideais do Avante.

Mas pelo que eu ouvi, o arrendatário não paga agora mas tem de pagar depois durante 12 meses aquilo que não pagou agora.

Portanto o senhorio vai acabar por ver esse rendimento mais tarde, ou pelo menos ficará com esse rendimento por receber sempre em caso de litígio.

Ora, o arrendatário não vai ver os rendimentos perdidos agora pagos no futuro, nem que a vaca tussa!

Estou a ver mal o filme?
 
Estou muito longe dos ideais do Avante.

Mas pelo que eu ouvi, o arrendatário não paga agora mas tem de pagar depois durante 12 meses aquilo que não pagou agora.

Portanto o senhorio vai acabar por ver esse rendimento mais tarde, ou pelo menos ficará com esse rendimento por receber sempre em caso de litígio.

Ora, o arrendatário não vai ver os rendimentos perdidos agora pagos no futuro, nem que a vaca tussa!

Estou a ver mal o filme?


Já abriu a linha de crédito a custo zero para os inquilinos. Os senhorios não tem culpa da quebra de rendimentos do inquilino e muito provavelmente tem responsabilidades para com a banca.
Portanto é justo que receba o que é devido.

O empregado que continue a laborar a 100% continua a receber por inteiro.
O que for para lay off perde 20% dos rendimentos.
O que ficar desempregado vai bater à porta do fundo de desemprego.

O empresário que viu a sua empresa impedida de laborar é que se **** desta vez, não fatura mas continua praticamente com o mesmo nível de despesa. Se quiser que peça crédito!
 
Estou muito longe dos ideais do Avante.

Mas pelo que eu ouvi, o arrendatário não paga agora mas tem de pagar depois durante 12 meses aquilo que não pagou agora.

Portanto o senhorio vai acabar por ver esse rendimento mais tarde, ou pelo menos ficará com esse rendimento por receber sempre em caso de litígio.

Ora, o arrendatário não vai ver os rendimentos perdidos agora pagos no futuro, nem que a vaca tussa!

Estou a ver mal o filme?
Estás. O senhorio pode precisar do dinheiro e não o vai ter agora.

Senão vai ter no futuro ninguém sabe, mas toda a gente já conhece o que é um processo de despejo e quem é que fica no final sempre a arder.

Dica: não é o inquilino.
 
Estás. O senhorio pode precisar do dinheiro e não o vai ter agora.

Senão vai ter no futuro ninguém sabe, mas toda a gente já conhece o que é um processo de despejo e quem é que fica no final sempre a arder.

Dica: não é o inquilino.
Processos de despejo à parte, que isso é outro filme...

Então e o inquilino não precisa do rendimento que deixou de receber por parte do seu empregador?

Agora se a lei fosse, rendimento do inquilino reduzido a 66%, renda automaticamente reduzida na mesma quantidade sem pagamento posterior ao senhorio.

Aí eu percebia o filme.

O que eu estou a ver agora, é sempre o mesmo a lixar-se!

E felizmente não estou nessa situação.
 
Compra de dívida (pública e privada) entre outros activos por BCs:

- Os valores de compra de activos (muitos deles privados) são astronómicos. Os cidadãos não tem qualquer tipo de controle (democrático) sobre que activos são comprados; e já sabemos que em instituições onde há dinheiro a rodos há um potencial enorme para maquinações, favorecimentos, corrupção, compadrio e que os organismos fiscalizadores fechem os olhos a formação de oligopólios. Estamos a falar de quantidades estratosféricas de capital; quem tiver acesso privilegiado e prioritário a esse capital (liquidez numa altura de escassez de capital, terá uma vantagem enorme em relação aos restantes cidadãos/empresas. Podem também ser os primeiros a converter essa liquidez em bens "tangíveis" o que é uma vantagem injusta; esses bens que normalmente são escassos sofrerão valorização (imobiliário por exemplo) logo há aqui uma vantagem completamente injustificada. Que controle democrático há sobre esse processo?
E sabemos, que normalmente, quem tem muito capital (sobretudo obtido por vias "fáceis") tenderá a pressionar os organismos de forma a continuarem a beneficiar de tal sistema. Não perceber que tal situação é uma espiral perigosa e (IMHO) inadmissível é um grande erro.

- Como este tipo de (crony)"capitalismo" gera rendimentos astronómicos, quem terá maior capacidade de captar os maiores génios são este tipo de empresas. A sociedade como um todo beneficia duma via em que mentes brilhantes vão para o Citi e para a Goldman montar instrumentos financeiros como CDOs (lixo especulativo) e outros do mesmo tipo, ou se esses génios forem para instituições como o Instituto Max Planck, fazer R&D em genética, bioquímica, física, química orgânica, etc? Eu não tenho dúvidas sobre qual a mais benéfica.

- A competição entre as empresas fica completamente distorcida; quem tiver maior acesso a este tipo de programas consegue bater empresas com menor foco em lobby e maior foco em R&D e prestar o melhor serviço ao cliente.

- O tipo de gestão das empresas fica muito mais focado no curto prazo e muito mais irresponsável: buybacks de acções, distribuição de dividendos chorudos, pagamentos de brutos salários aos CEOs/outros. Tudo sustentado em emissão de dívida para sustentar essas orgias. A sustentabilidade da empresa no longo prazo fica para segundo plano ... ainda para mais com a ideia instalada de que "somos To Big to Fail", logo nem que a gestão dê barraca, há sempre de aparecer a "ajuda divina" para resgatar a situação.
Por outras palavras: menos meritocracia e muito mais crony capitalism.

No caso de emissão pura e dura de moeda:

- Acho que é razoavelmente consensual que a longo prazo, emitir moeda não é solução para nada. Normalmente dá barracada. Mais moeda em circulação geral, para o mesmo nível de produção de bens e serviços não resolve nada. É algo completamente artificial. Mais tarde ou mais cedo a careca fica à mostra e os bens tangíveis começam a escalada de preços. Quem perceber numa fase inicial, que está a jogar o jogo da dança das cadeiras para adultos converte a moeda em bens tangíveis. Quem não o fizer, mais cedo ou mais tarde fica com moeda com cada vez menor poder (real) de compra.

- É imoral um estado ter uma moeda, que serve como meio de troca e como meio de reserva de valor e duma forma intencional, desvalorizar a mesma. Os cidadãos que escolheram conter o seu consumo imediato, para o fazerem numa situação futura (poupança) ou para reserva de segurança futura estão a ser burlados. Repito ... burlados. É uma charlatanice, e ao meu ver completamente imoral.


Bem isto é o que me lembrei assim à pressa. E também porque não quero meter aqui uma muralha de texto.
Mas o tema é duma complexidade e ramificações muito vasta.

Excelente resumo.

Além do que já disseste, a distorção do risco criada por estas intervenções chega a ser cómica (como obrigações gregas a 10 anos estarem abaixo dos 2% [:)]).

Depois o dinheiro vai todo para acções e imobiliário. Pudera.
 
Voltar
Superior