Não adiantava nada a inclusão de portagens na IC19 por uma simples razão; a mentalidade não muda.
O português é comodista (e contra mim falo) e se puder levar o carro até à secretária leva-o. Ponto final.
Agora, no meio destes há que distinguir alguns factores diferenciadores e que são importantes.
Eu morei em Rio de Mouro durante uns anos e trabalhava na Quinta da Fonte em Porto Salvo. Durante uns tempos tentei de ir de transportes públicos, mas depressa me fartei. Para fazer uns míseros 15 quilómetros demorava, de transportes públicos, pelo menos uma hora e meia e envolvia apanhar três transportes diferentes. O comboio até ao Cacém, um autocarro até São Marcos e depois outro autocarro até Paço de Arcos. Já nem me lembro do custo, mas sei que não era particularmente económico. Demorava menos tempo de bicicleta, por exemplo, e aquilo é a subir (pelo menos na volta).
Por opção e por necessidade profissional passei a ir de carro. Não foi por isso que demorava muito menos tempo (nunca menos de 40 minutos), mas ia comodamente sentado e não dependia de terceiros, leia-se horários dos transportes.
No final do ano passado, tomei a decisão de vir morar para o Montijo. Acabo por fazer 50 quilómetros por percurso, pago portagens, mas demoro 35 minutos. Se decidir ir de transportes públicos demoro, pouco mais de uma hora. Mas sinto que tenho mais qualidade de vida!
Tudo isto para dizer o quê? De facto este problema das acessibilidades tem muito que se lhe diga. Temos dois grandes eixos rodoviários no lado ocidental de Lisboa, a A5 e IC19. Acho-os igualmente importantes, mas não existe transversalidade de infraestruturas, pelo de menos de transportes públicos, o que levanta problemas para quem tem que os usar parcialmente.
É absurdo ter que atravessar meia Lisboa para ir para o sul ou para a zona oriente, mas essa é uma contingência da localização geográfica da cidade. Afinal de contas o caminho mais curto entre dois pontos ainda é uma recta. O que me irrita, é o facto de não haver assim tantas alternativas rodoviárias para entrar/atravessar Lisboa e ainda menos alternativas, válidas e acessíveis a todos nos transportes públicos.
Acho que as vias de comunicação são fundamentais para o progresso de um país e não questiono a importância de um novo aeroporto ou do TGV, mas parece-me que existem outros problemas que deviam ser considerados prioritários, tal como a finalização urgente do eixo Norte-Sul (sem ser taxado), a conclusão da CRIL, o prolongamento da IC16 (?) até ao Algueirão, uma quarta travessia do Tejo (sim, porque só três é insuficiente) e isto só para falar do nosso "problema" de Lisboa. Quantos casos existirão por este Portugal fora tão o mais importantes que este e que não são considerados?
Continuo a dizer, não é que não existam recursos, eles estão lá, mas são mal aproveitados.