Há, naturalmente, alternativa a tais extremos de «8 e 80» ou «pouco mais que zero para todos». Somente que ela implica o incómodo do dar-se conta (sobretudos pelas partes que dos sistemas sócio-económicos retiram as vantagens em tendência de predação e não da benigna simbiose equilibrada...) que os capitalismos (incluindo o comunismo, esse capitalismo de estado...) de modo algum servem para optimizar e harmonizar o funcionamento humanizado do sistema capital-social-energia-técnica-matérias, como contra-exemplos com MUITAS provas dadas.
A parte do 80 terá que perceber que ao invés de espremerem ou desenvolverem ainda mais a situação para obter um «81-7», ou um «90-9», há que pensar em aliviar e equilibrar o 8 (oito), tornando as relações em «70-18», »60-28», ou, ainda mais desejavelmente num «90-50», num «100-70», optimizando-se a produção de riqueza e a sua redistribuição.
É curioso como Bill Gates tem essa noção presente, ainda que embora em registo post-mortem, ao afirmar que compreende quem realmente construíu a riqueza que lhe é atribuída, pelo que os seus herdeiros disporão somente de 5% dessa riqueza como herança, sendo os restantes 95% desejavelmente devolvidos ao mundo por intermédio de uma ou várias fundações.
E Bill Gates mostra também de onde tem que vir tal consciência: do 80. Ao 8, perdido e fechado no labirinto do Poder real, tal é impossível sem se formatar pelo que a Lei, muito mais influenciada e compatível como o 80, definiu como crime. Ao Estado tal tornou-se-lhe também virtualmente impossível (apesar da gestão da redistribuição da riqueza social ser uma função, por excelência, do Estado) sem se ver caricaturado como «Estado interventivo», «anulador do jogo liberal» onde teima em persistir o sinal da predação. Resta pois ou um milagre ou que o 80, os detentores e reais controladores das vantagens do sistema sócio-económico, tenham assomos de justiça social. Como de milagres, pelo meu lado, estamos conversados...
E justiça social de preferência praticada em vida e não em registo post-mortem...