A vida do Maia em 50 discos

Infelizmente hoje em dia dá-se muito mais importância ao embrulho, ao pacote, do que ao que está lá dentro, e se é assim nas relações humanas, como poderia ser diferente na música?:(
Nem ia por aí....porque isso sempre existiu.
A mentalidade de hoje é "comprar" música ao metro (leia-se GB).
O grosso das pessoas já nem se lembra da última vez que compraram um CD, abriram o booklet, leram e disfrutaram da música sem qualquer compressão... Hoje vive-se a geração dos iPODs, MP3 e toda a treta que veio acabar com as gravações e formatos de qualidade! Ainda assim é de louvar o resurgimento do vinil (que era mais que óbvio dada a pirataria).
Actualmente conheço muito poucas pessoas que compram tanta música como eu. Chego a comprar 10 albúns por mês... o pessoal que conheço "saca" 5GB num mês, ou mais :rolleyes:
Mas eu tenho o prazer de continuar a ouvir a música tal como ela deve ser ouvida [:p]
 
Nem ia por aí....porque isso sempre existiu.
A mentalidade de hoje é "comprar" música ao metro (leia-se GB).
O grosso das pessoas já nem se lembra da última vez que compraram um CD, abriram o booklet, leram e disfrutaram da música sem qualquer compressão... Hoje vive-se a geração dos iPODs, MP3 e toda a treta que veio acabar com as gravações e formatos de qualidade! Ainda assim é de louvar o resurgimento do vinil (que era mais que óbvio dada a pirataria).
Actualmente conheço muito poucas pessoas que compram tanta música como eu. Chego a comprar 10 albúns por mês... o pessoal que conheço "saca" 5GB num mês, ou mais :rolleyes:
Mas eu tenho o prazer de continuar a ouvir a música tal como ela deve ser ouvida [:p]
Eu também, até porque tenho um bom sistema de som e nada como aliar dois prazeres. Sempre fui adepto do disco original, com toda a indumentária anexa. Infelizmente não atinjo a tua marca dos 10 cd's por mês, mas o ano passado bati recordes e cheguei aos 46.

Comprei recentemente um MP4 (o meu primeiro). O curioso é que só lá tenho música que não existe (ainda) em original. [;)]
 
Apesar de não ser o meu disco preferido dos Pixies, é a primeira vez que me levanto e aplaudo de pé a tua escolha, pois a maioria desconhecia e outras gosto mas até agora nenhuma como "Surfer Rosa".apr:)

E sei que este gesto virtual se irá repetir mais algumas vezes.[;)]
 
Apesar de não ser o meu disco preferido dos Pixies, é a primeira vez que me levanto e aplaudo de pé a tua escolha, pois a maioria desconhecia e outras gosto mas até agora nenhuma como "Surfer Rosa".apr:)

E sei que este gesto virtual se irá repetir mais algumas vezes.[;)]

Eu sei que é o "Doolittle". Mas como disse, apenas o valor sentimental fez a diferença, o que numa lista deste género também acaba por contar, certo? [;)]

E sim, vai-se repetir. :)
 
Last edited:
Eu também, até porque tenho um bom sistema de som e nada como aliar dois prazeres. Sempre fui adepto do disco original, com toda a indumentária anexa. Infelizmente não atinjo a tua marca dos 10 cd's por mês, mas o ano passado bati recordes e cheguei aos 46.

Comprei recentemente um MP4 (o meu primeiro). O curioso é que só lá tenho música que não existe (ainda) em original. [;)]
Não tenho MP3 ou MP4, utilizo o telemóvel para esse efeito e basicamente é para ligar ao rádio do carro.
Para teres uma ideia, no mês passado aproveitei a promo do Media Market e comprei uns 8 vinis a 15€ mais uma série de CD's.
É outra "loiça" realizar o ritual de abrir o CD, ler o booklet, as letras e ao mesmo tempo disfrutar do CD ou o Vinil.
Em alguns casos tenho o mesmo albúm em CD e vinil [;)]
 
Eu sei que é o "Doolittle". Mas como disse, apenas o valor sentimental fez a diferença, o que numa lista deste género também acaba por contar, certo? [;)]

E sim, vai-se repetir. :)

É o "Doolittle" quando é, por vezes é o "Bossanova", mas normalmente é o "Doolittle" sim, escolher o melhor álbum dos Pixies é tarefa hercúlea e se calhar pendo mais para o "Doolittle" por causa de duas canções verdadeiramente dementes, de fazer corar qualquer alienado: "Tame" e "Gouge Away".

Mas podias ter metido aqui o "Trompe Le Monde", obra magnífica mas não tão magnífica como as outras dos Pixies, que a minha reacção seria a mesma:apr:)
 
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38. I-Wolf - Burdy Meet The Babylonians (2004)

I-Wolf (Wolfgang Schlogl) repete a presença neste top. Depois de ter sido feita referência a ele como produtor do álbum dos Hipnótica, eis que surge novamente, mas agora com o seu segundo trabalho a solo, fora dos Sofa Surfers. E é um verdadeiro lobo este austríaco.
Aqui tudo pode acontecer e acontece mesmo. Senão vejamos: podemos encontrar punk-funk, música dos Balcãs, indy-rock, new wave, dance-hall jamaicano, hip-hop, spoken word, enfim, isto é música do mundo num só disco. Mas o que ressalva, além do inesperado com que podemos contar a qualquer momento, é que tudo faz sentido, tudo entusiasma e excita.
"Um Prazer" tem uma batida e um sub-grave viciante, com a brasileira Joyce Muniz a cantar numa espécie de bossa qualquer coisa; "Money Money" tem Karandilla e, imagine-se, um rejuvenescido Shaun Ryder (sim, esse mesmo dos Happy Mondays), em delicioso krautrock dos Balcãs (?); "A Modern Life", óptimo scratch/dub/funky; "Innerity Pressure", com MC Santana e a portuguesa Inês (ainda hoje não faço a mínima ideia quem seja); a maravilha de "Kingdom Prize" com duelo de vozes em afro-broken-beat com guitarras lá mais para o final. Prosseguimos de imediato numa psicadélica viagem cigana em "Urban Gipsy", "They Don’t Care" tem Warrior Queen em grande estilo pelo meio de panóplia de sons de outros mundos (com novamente os sub-graves, felizmente espalhados um pouco por todo o disco).
E a surpresa continua mesmo até ao final, "We Shall Be Together" parece deslocada do contexto do disco, mas afinal tudo parece fora de sítio. Pura ilusão.
I-Wolf é um estilista da fusão. Fá-lo com uma mestria como poucos e este disco é (foi) uma autêntica pedrada no charco. Esqueçam os preconceitos e não se assustem como nenhum dos sub-géneros falados. Oiçam várias vezes e depois ponham toda a gente a ouvir.

Posto de escuta:
Money Money
Um Prazer
 
Last edited:
O de ontem: seminal e bom q chegue. Mas agora põe isto em repeat...

O de hoje: só conheço partes, pequenas partes. A rever.
 
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37. Isolée - We Are Monster (2005)

O alemão Rajko Muller, conhecido pela designação Isolée, diz que compõe música de dança para ouvir ao pequeno almoço. Isso é em parte verdade, basta ouvirmos Beau mot Plage , um dos melhores temas de electrónica de sempre e que no início da década inundou as pistas de dança. A sua música sempre se caracterizou por ter uma elegante matriz rítmica que se pode estender a velocidades variáveis, na mesma linha das produções de Mathew Herbert, Ricardo Villalobos ou Akufen.
“We Are Monster” mantém os princípios, mas alarga-os a novos horizontes. Guitarras eléctricas vagueiam em paisagens lunares, envoltas em ritmos house, sons digitais aparecem em melodias mais ou menos ordenadas, linhas de baixo “disco” na linha dos americanos Metro Area, tudo com enorme sensibilidade pop. Por vezes, no meio da aparente redução de processos, surgem novas camadas, quer pelo aparecimento de novas subtilezas, quer pelo regresso da melodia, que parecia ter desaparecido. Há ainda canções que parecem aproximar-se do formato canção, como as fantásticas e divagantes “Schrapnell” ou “Today”.
Sim, serve perfeitamente para ouvir de manhã. Mas electrónica assim requintada, ouve-se a qualquer hora.

Posto de escuta:
My Hi-Matic
Pictureloved
Schrapnell
Today (apenas 30’)
 
Andei afastado da net uns dias...

E chego aqui, apenas p/dizer q continuas a entrar em campos q desconheço Miguel [;)]
 
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36. Amon Tobin - Supermodified (2000)

Amon Tobin é um mago do corte e costura sonoro. Brasileiro radicado em Londres, aparece frequentemente ligado ao movimento drum n’ bass que explodiu na década de 90, mas isso é muito pouco para (tentar) explicar a música deste mutante psicadélico.
Já com o fantástico “Permutation” de 98, os ritmos jazzísticos eram samplados e sobrepostos em ambientes que piscavam o olho ao delírio mental, mas sempre com melodia condutora. “Supermodified” mantém a inspiração anterior, com batidas densas e complexas em constante mutação. Tudo flui com uma naturalidade que à partida não se parece revelar. Até nos esquecemos que a base do trabalho continua a ser o drum n’ bass, tal é a panóplia de sons que nos é posta em demonstração. Em Tobin, o interesse está em moldar todos esses sons à sua volta, criando um todo absolutamente original. Em resumo, um disco com sons que parecem não bater certo, mas que não poderiam estar noutro lugar, como aliás o são todos os trabalhos deste magnífico mutante. Mais do que este disco, é já uma discografia vasta e de eleição.
“Slowly” é uma das músicas da minha vida.

Posto de escuta:
Slowly
Marine Machines
Natureland
Fout Ton Montis
Get Your Snack On
 
Não conhecias o "Surfer Rosa"? Xame on you! [;)]

Como estes últimos discos de electronica foram um sucesso (not [:D]), sai mais um.
É mesmo uma vergonha!![8b]
Mas como sabes, sou um novato na música. Não tenho tempo de ouvir tudo o que de bom se fez no passado, quando eu ainda era uma semente ou um bebé recém-nascido.[:D]


Amon Tobin é mais uma que não conheço, mas que terei todo o prazer em descobrir. Até aprecio algumas coisas na onda do drum n'bass (apesar de não ser um conhecedor, longe disso!).[;)]
 
Amon Tobin é um mago do corte e costura sonoro. Brasileiro radicado em Londres, aparece frequentemente ligado ao movimento drum n’ bass que explodiu na década de 90, mas isso é muito pouco para (tentar) explicar a música deste mutante psicadélico.
Já com o fantástico “Permutation” de 98, os ritmos jazzísticos eram samplados e sobrepostos em ambientes que piscavam o olho ao delírio mental, mas sempre com melodia condutora. “Supermodified” mantém a inspiração anterior, com batidas densas e complexas em constante mutação. Tudo flui com uma naturalidade que à partida não se parece revelar. Até nos esquecemos que a base do trabalho continua a ser o drum n’ bass, tal é a panóplia de sons que nos é posta em demonstração. Em Tobin, o interesse está em moldar todos esses sons à sua volta, criando um todo absolutamente original. Em resumo, um disco com sons que parecem não bater certo, mas que não poderiam estar noutro lugar, como aliás o são todos os trabalhos deste magnífico mutante. Mais do que este disco, é já uma discografia vasta e de eleição.
“Slowly” é uma das músicas da minha vida.

Há duas ou três semanas passadas, colocáste no tópico vizinho esta música. O som arrebatador proporcionado por Slowly, gerou-me tal interesse que fez-me partir á descoberta de mais. Tinha de saber o que mais havia.
Nos resultados da pesquisa, não encontrei mas sim veio ter comigo, uma coisa chamada Easy Muffin. Rendi-me a tal ambiente com que jogou nos sentidos. Super cativante e viciante ritmo que leva o espirito para bem longe.
Experimentem conduzir durante a noite, por uma cidade qualquer, ao som disto.
Easy Muffin e Slowly conheço desde a mesma altura; pouquíssimos dias!
Easy Muffin é uma das músicas da minha vida!
 
Há duas ou três semanas passadas, colocáste no tópico vizinho esta música. O som arrebatador proporcionado por Slowly, gerou-me tal interesse que fez-me partir á descoberta de mais. Tinha de saber o que mais havia.
Nos resultados da pesquisa, não encontrei mas sim veio ter comigo, uma coisa chamada Easy Muffin. Rendi-me a tal ambiente com que jogou nos sentidos. Super cativante e viciante ritmo que leva o espirito para bem longe.
Experimentem conduzir durante a noite, por uma cidade qualquer, ao som disto.
Easy Muffin e Slowly conheço desde a mesma altura; pouquíssimos dias!
Easy Muffin é uma das músicas da minha vida!

Pois coloquei, deve ter sido na altura em que andava a ordenar a lista. Boa memória! apr:)

Easy Muffin (de mais um grande álbum) é mais um excelente exemplo da genialidade de Tobin. É muito bom naquilo que faz. [:cool:]
 
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35. The National - Boxer (2007)

Se há bandas que têm sido faladas com frequência nos últimos tempos por estes lados, quer directa ou indirectamente, elas são os Arcade Fire e os The National. A unanimidade em torno destes últimos é quase geral e só é interrompida por aqueles, ou quando se discute qual o melhor disco: "Alligator" ou este "Boxer". Discussão saudável, mas inconsequente, na minha opinião. Colocar duas obras-primas em confronto é quase tão inútil como afirmar que o Benfica ainda vai ser campeão este ano, ou que o Sporting vai ganhar a Liga dos Campeões para o ano. Adiante.
"Alligator" é um prodigioso exercício de tensão e explosões, com certa decadência à mistura que lhes fica(va) tão bem. Guitarras angulares, berraria de Matt Berninger (vocalista e letrista de primeira água), trilhavam os caminhos de uma ponte entre a alma e sangue dos Tindersticks e um indie-rock explosivo. Quando "Boxer" saiu diziam que era calmo, calmo demais, faltavam as "explosões". De repente muitos já o consideravam o melhor disco da banda. Mas novamente, não é isso que interessa. O importante é que são doze músicas absolutamente imaculadas, de um alegre negro, ligeiramente trágico e de um romantismo inigualável, como se tivessem sido limpas as (belas) arestas do disco antecessor. Piano e guitarras macias, baterias de veludo que sobem e descem e melodias do melhor que pode haver (não há uma música que não consideremos espectacular ao fim de 3 ou 4 audições).
Para a história, fica um disco feito de música para atingir o coração, mas que também se sente com arrepios na pele. Verdadeiro apelo ao sentimento, portanto. E isso é do melhor da vida.

Posto de escuta:
Mistaken For Strangers
Apartment Story
Slow Show
Fake Empire
Guest Room
Squalor Victoria
Racing Like a Pro
Ada
Gospel
 
Album verdadeiramente fantástico ! Quase impossível de destacar uma música das restantes, ainda assim destaco a Slow Show, a Fake Empire ou a Green Gloves.

É daqueles albuns que adoro ouvir à noite, ou naqueles dias em que saio mais enervado do trabalho. Coloca-se o Boxer a tocar no carro e quando chego a casa parece que todo o dia ficou para trás.

Também acho que é quase fútil discutir se Alligator é melhor ou pior do que Boxer, pois é um dado adquirido que são dois dos GRANDES albuns desta década e que ficarão para a história da música.

Os National para mim são uma paixão ainda recente, mas parece-me que vai ser um amor de uma vida.
 
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