Deduzo que não conheça o posicionamento comercial premium da Chrysler no mercado com maior poder financeiro do Mundo (ler EUA), e outro pormenor a Alfa Romeo tende a fazer volume de venda e respectivo retorno por unidade no Giulia no EUA não na Europa.
Dai ter referido a concorrência interna na FCA na marca doméstica no EUA da Chrysler (já no terreno com o 200), é uma ilusão pensar que a Alfa vai fazer volume significativo na Europa ou retirar quota de mercado a uma Audi, BMW ou VW principalmente em familiar médio.
A fusão com a Chrysler Group foi a linha de escapatória para abrir literalmente novos mercados para a Alfa (EUA e RPC).
A Chrysler não tem posicionamento premium nem nos EUA nem em lado nenhum.
A concorrência interna que poderia haver era entre a Chrysler e Dodge, com modelos a concorrer entre si, já que não eram mais que exercícios de badge-engineering, estratégia que não correu bem para nenhum dos 3 grandes que a adoptaram.
A FCA ao ter reposicionado as suas marcas não está mais que a repetir o que já foi efectuado na Ford e na GM com a entrada da crise. Criar posicionamentos distintos das suas marcas, livrando-se de outras no processo, e sem recorrer a esses truques baratuchos de badge engineering.
E veja-se o resultado. A base CUSW já originou um Dart (segmento C), um 200 e um Cherokee (segmento D) e em nenhum deles os podemos acusar de algum traço de badge-engineering. Modelos sacados da mesma plataforma feito da maneira correcta.
A Chrysler concordo que tinha uma certa "aura" aspiracional, sobretudo motivada pelo 300, mas nunca conseguiu olhar "olhos nos olhos" uma Lexus, BMW ou Mercedes, o trio premium a abater nos EUA.
Nem mesmo as outras candidatas ao podium premium, Acura, Infiniti, Audi, Cadillac e Lincoln, olhavam para a Chrysler como uma rival.
E o reposicionamento acordado na última apresentação do grupo era claro como água: Dodge é o músculo, Chrysler o carro do povo, indo atrás da Toyota, Nissan, Chevrolet, Ford, Honda, etc...
Perdeu-se muito tempo quem sabe tempo demais. A Alfa já pode ter saído de maneira quase irremediável da memória das pessoas para o segmento D. Eu como Alfista acho indesculpável aquilo que o Grupo Fiat tem feito com a nossa marca nos últimos anos. Salvou a Alfa da falência é verdade mas depois também não deu a devida continuação à marca. Não se pode admitir que a Alfa esteja um mês sequer sem um representante do segmento D no mercado quanto mais 4 anos. Não se pode admitir que depois de um objecto icónico como o 147 saia uma coisa como o Giulietta que apesar de ser bonito não é nenhuma obra prima como o anterior. E quanto ao segmento D? Onde é que anda? Eu não percebo o desinvestimento todo nas marcas de topo do Grupo Fiat (Ferrari e Maseratti são coisas à parte). Que raio é feito da Lancia? Eu sou Alfista mas não apoio cegamente essa malta da Fiat. Pelo contrário tenho muitas dúvidas que a Alfa no seio da Fiat seja o melhor lugar para estar.
Quando se dá mil e uma voltas para conseguir os 5 mil milhões de euros necessários para o relançamento da Alfa, onde se inclui o spin off da Ferrari, certamente não deve sobrar muito dinheiro para investir no relançamento simultâneo de outra marca como a Lancia.
Falta de fundos tem sido dos maiores problemas da FCA para avançar com os planos megalómanos que vão sendo conhecidos. Daí talvez a necessidade de estar sempre a mudá-los para coincidir as ambições com os trocos disponiveis.[

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O ridículo é que supostamente antes deste novo Giulia que está a ser desenvolvido já tinham um projecto feito para outro Giulia com tracção dianteira que o Marchionne mandou para trás porque achava que não passava a nova imagem que queria para a marca. O que não percebo é porque raio é que pelo menos não fez um rebadge desse modelo e o comercializou como Fiat tal como vão fazer com o Fiat 127 que partilha componentes com o Mazda MX-5.Para mim o Marchionne já devia ter saído á uns anos da liderança deste grupo.
Ao contrário do MX-5/124, o sucessor do 159 não dependia de um acordo comercial com outro construtor.
Por isso, pôde colocar na prateleira esse modelo.
Quanto à questão da liderança, o problema é que estamos a ver isto com olhos europeus.
Tentando ver a coisa de forma global podemos ver que no geral, são muito mais os sucessos que os insucessos.
Nos EUA, dependendo dos números de vendas de Março, poderá ser o 60º mês consecutivo de aumento de vendas da Fiat/Chrysler. São 5 anos de aumentos constantes de vendas.
Tudo bem que o mercado americano recuperou muito mais depressa que o europeu, mas se não tivesse havido o investimento em modelos chave, certamente a história seria outra.
Os lucros do grupo aumentam de ano para ano.
O lançamento da Fiat nos EUA correu bastante bem, considerando que apenas têm o 500 por lá, um modelo que de americano não tem quase nada. O 500L é uma nota de rodapé e espera-se que o 500X permita que a marca dê o salto necessário para volumes mais expressivos.
Pode-se criticar algumas decisões como a criação da Ram ou da SRT.
Se a Ram actualmente é uma das galinhas de ovos de ouro da FCA, ainda tem problemas de reconhecimento de marca, por esta ser ainda associada à Dodge.
Quanto à SRT nunca se compreendeu bem o porquê da sua existência e felizmente a situação já foi corrigida, passando a ser mais um departamento do grupo que apimentará versões de modelos Dodge e, talvez, Jeep, e terá a seu cargo o Viper, que volta a ser um Dodge.
A aposta na Russia não deu em nada, mas tem a mais ver com o cenário politico actual.
E na China, estão atrasados para a festa, mas já têm por lá fábricas para produzir Jeeps, e esperam que se torne um sucesso por lá, e a meu ver, tem tudo para dar certo, dado a apetência actual por SUV's.
Felizmente na América do Sul a coisa manteve-se mais ou menos estável, com grande parte dos lucros da marca Fiat (não grupo) a ser providenciados pela performance comercial nesse continente.
Na Euroland, repare-se, que só o ano passado o mercado deu um vislumbre de recuperação.
E essa recuperação é tremida, com grande parte a ser sustentada por mega-descontos e incentivos estatais, como aconteceu na Espanha.
Num mercado que contraiu 4 milhões de unidades anuais de 2008 até 2013, onde a única forma de vender produto era com descontos brutais, esmagando qualquer possibilidade de rentabilidade, apostariam neste mercado?
Posso não concordar com tudo o que o Marchionne tem feito, mas apesar da enfraquecida posição na Europa, o grupo no geral em si é bastante mais sólido que em 2009, com a chegada da Chrysler.
Dado que estão a reinventar-se e a investir em simultâneo na recuperação de um sem número de marcas, a aposta inicial no mercado americano verificou-se como a mais correcta, pois é a que está a providenciar o guito necessário para a fase seguinte.
E a aposta global é necessária.
Marcas excessivamente dependentes do mercado europeu estão ainda a tentar levantar-se. Veja-se o caso da PSA ou da Opel (apesar de integrada na GM).
Como é que poderiam recuperar uma Lancia que só vende no mercado italiano? Podemos criticar a gestão da Fiat na Lancia, mas isso é um problema de décadas e não apenas do Marchionne. O mal já tinha sido feito atrás nos anos 90, quando decidiram apostar apenas na Alfa como o braço desportivo do grupo, remetendo a Lancia para uma vertente exclusivamente "chic".
A Jeep vai no bom caminho para se tornar um fenómeno global, e agora é ver se conseguem sacar algo semelhante para a Alfa a começar no próximo ano.
A expansão comercial da Maserati parece estar a dar frutos, pelo que pode ser que o mercado global também esteja disposto a acolher uma mais acessível Alfa. Veremos.
Como o Mrodrigues disse, esperemos pelo 24 de junho para ver e analisar o ínicio da ressurreição.
As expectativas são demasiado altas pelo que acredito, que maior parte delas vão sair goradas. Mas prontos...
Há que dar mérito ao homem, que pegou em dois grupos coxos e os colocou a dar lucro enquanto decorria uma crise mundial.
Onde a Daimler-Benz falhou, a Fiat conseguiu suceder... Não é todos os dias que se pode falar de gestão automóvel "italiana" com tanto apreço[

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