rogerAjacto
Well-known member
Vou contar-vos uma história para vocês compreenderem o sentido da minha afirmação.
Quando comecei a trabalhar, um dia tive que tratar de mas injunções judiciais e dirigi-me às instalações de um cliente. Este cliente era um engenheiro agrónomo que tinha uma empresa ligada a viveiros e estava muitissimo bem de vida.
O engenheiro agrónomo tinha origens humildes (classe média baixa) e guiava um Fiat Stilo que tinha comprado assim que começou a ganhar dinheiro. O homem sentia.se muito satisfeito com o carro, usava-o para as suas deslocações normais do dia-a-dia, para ir visitar os avós a Trás-on-Montes ao fim de semana e ainda se aventurou em largas viagens por Espanha com ele. O carro, segundo ele, nunca tinha dado problemas, tinha consumos razoáveis para a classe, era confortável, ele gostava do design e dos materiais interiores e servia perfeitamente as suas necessidades. O dinheiro que ganhava era usado para pagar o colégio dos filhos.
No entanto um dia resolveu comprar um série 3 importado da Alemanha. Quando lhe perguntei porquê, ele disse-me que apenas usava o carro para deslocações a clientes. Sucede que vários clientes começaram a desconfiar do facto de o dono de uma empresa que ostentava resultados tão bons guiar um carro tão "foleiro" e começaram a pensar que ele andaria a aldrabar balanços ou a fazer-se passar pelo que não era. Consequentemente começaram a exigir preços mais baixos a pensar que ele era na realidade um miserável que andava com a corda na garganta. A partir do momento em que apareceu com um BMW, as coisas mudaram e nunca mais discutiram preços.
Moral da história: há muitas marcas e segmentos de automóveis e essas marcas e segmentos são dirigidos a vários públicos. Esses públicos têm preferências específicas. Há muitas pessoas para quem o carro é um meio de ir do ponto A para o ponto B e que apenas querem fazê-lo com conforto. Não estão interessados em impressionar pessoas nem em adquirir máquinas cujas potencialidades nunca serão usadas em pleno por eles. Um FIAT Bravo, um Renault Megane, um Peugeot 308 ou um Toyota Corolla fazem todo o sentido para quem tiver dessas necessidades. Mas obviamente expõe-se ao "julgamento social" de passar por "pobre" incapaz de gastar dinheiro em marcas premium! Quer queiramos, quer não, a FIAT tem esse estigma associado.
Mas isso é tipico em Portugal.
Estamos no pais em que um Eng. se suja as mãos é um moço. Só tratam bem aqueles que andam de fato e gravata.
Por aqui as aparencias contam muito.
No outro dia fui a um hotal que tinha 2 parques de estacionamento. No frontal metiam os carros bons. No outro os piores. E isso mostra logo a mentalidade de quem gere aquilo.
A mesma pessoas, com carros diferentes tem outro estaturo. E é tratada logo de maneira diferente.

