Artigo do Pedro abrunhosa

Fiquei impressionado com a clareza de visão ideológica do Pedro Abrunhosa, de quem tinha, desde há muito tempo, uma fraca impressão, sobretudo ditada pelos seus dotes vocais para cantar!...

Na escrita e na análise revelou-se outro Pedro Abrunhosa. [;)]
 
Fiquei impressionado com a clareza de visão ideológica do Pedro Abrunhosa, de quem tinha, desde há muito tempo, uma fraca impressão, sobretudo ditada pelos seus dotes vocais para cantar!...

Na escrita e na análise revelou-se outro Pedro Abrunhosa. [;)]


A música, ou se gosta, ou não se gosta.
A letra,nem sempre é fácil de perceber o que realmente quer dizer. Por vezes até parece que não faz sentido. Mas por exemplo, repara bem nesta:

"Dealer E Dilema Pedro Abrunhosa

Composição: (Pedro Abrunhosa / Pedro Abrunhosa)
Tenho um quadrado de cimento em que me deito,
Não há lugar para um futuro tão estreito,
Sigo o asfalto, lá do alto do meu prédio
Tenho pr'a mim que a tentação não tem remédio.
E se me mato, se me trato em directo,
Abro o jornal, qualquer canal, sou predilecto,
E na TV, no DVD, fazem-me estrela,
Ontem ninguém, hoje, quem sabe, uma novela.
Tanto barulho, tanto engulho no deserto,
Está aqui escrito que este plano bate certo,
Mato o juíz, mato a perdiz, mato o sobreiro
Com um só tiro, mas um tiro bem certeiro.
Diz quanto custa à minha custa o teu perdão,
Um carro novo com motor de foguetão,
Uma vivenda, uma merenda a vida inteira
Fazer Domingo de Segunda a Sexta-feira.
Eu não sei onde é a saída,
Se é no beco ou na avenida.
Ai, País, País é um problema, vive
Entre o dealer e o dilema,
Entre a sesta e o sistema.
Entre o dealer e o dilema
Entre a sesta e o sistema.
Tenho um petardo lá na cave do anexo,
Vem nos jornais que sou um gajo complexo,
No futebol talvez o leve pr'a tribuna,
Não há lugar onde o país mais se desuna.
Sou visionário ao contrário do que se pensa,
Ter tantos cargos faz a vida tão intensa,
Entre a medalha, e a canalha nunca vai,
Se é de madeira esta cadeira um dia cai.
Tenho a certeza que à mesa sou honesto,
Um envelope no decote compra o resto,
Um escadote pra subir até ao fundo,
Lugar cativo lá no céu do outro mundo.
Quero uma estátua de prata à minha porta,
Que a redenção é coisa que não me importa,
Quero um cavalo, quero um trono onde me sente
Se não for rei, porque não ser presidente?
Eu não sei onde é a saída,
Se é no beco ou na avenida.
Ai, País, País é um problema, vive
Entre o Dealer e o dilema,
Entre a sesta e o sistema.
Entre Dealer e o dilema
Entre a sesta e o sistema."
http://www.youtube.com/watch?v=u3QUXoGyRtE&feature=channel_page


Pelo menos a mim, vejo muita crítica, muitas chamadas de atenção... de forma muito camuflada. Ouve com atenção[;)]
 
A música, ou se gosta, ou não se gosta.
A letra,nem sempre é fácil de perceber o que realmente quer dizer. Por vezes até parece que não faz sentido. Mas por exemplo, repara bem nesta:

"Dealer E Dilema Pedro Abrunhosa

Composição: (Pedro Abrunhosa / Pedro Abrunhosa)
Tenho um quadrado de cimento em que me deito,
Não há lugar para um futuro tão estreito,
Sigo o asfalto, lá do alto do meu prédio
Tenho pr'a mim que a tentação não tem remédio.
E se me mato, se me trato em directo,
Abro o jornal, qualquer canal, sou predilecto,
E na TV, no DVD, fazem-me estrela,
Ontem ninguém, hoje, quem sabe, uma novela.
Tanto barulho, tanto engulho no deserto,
Está aqui escrito que este plano bate certo,
Mato o juíz, mato a perdiz, mato o sobreiro
Com um só tiro, mas um tiro bem certeiro.
Diz quanto custa à minha custa o teu perdão,
Um carro novo com motor de foguetão,
Uma vivenda, uma merenda a vida inteira
Fazer Domingo de Segunda a Sexta-feira.
Eu não sei onde é a saída,
Se é no beco ou na avenida.
Ai, País, País é um problema, vive
Entre o dealer e o dilema,
Entre a sesta e o sistema.
Entre o dealer e o dilema
Entre a sesta e o sistema.
Tenho um petardo lá na cave do anexo,
Vem nos jornais que sou um gajo complexo,
No futebol talvez o leve pr'a tribuna,
Não há lugar onde o país mais se desuna.
Sou visionário ao contrário do que se pensa,
Ter tantos cargos faz a vida tão intensa,
Entre a medalha, e a canalha nunca vai,
Se é de madeira esta cadeira um dia cai.
Tenho a certeza que à mesa sou honesto,
Um envelope no decote compra o resto,
Um escadote pra subir até ao fundo,
Lugar cativo lá no céu do outro mundo.
Quero uma estátua de prata à minha porta,
Que a redenção é coisa que não me importa,
Quero um cavalo, quero um trono onde me sente
Se não for rei, porque não ser presidente?
Eu não sei onde é a saída,
Se é no beco ou na avenida.
Ai, País, País é um problema, vive
Entre o Dealer e o dilema,
Entre a sesta e o sistema.
Entre Dealer e o dilema
Entre a sesta e o sistema."
http://www.youtube.com/watch?v=u3QUXoGyRtE&feature=channel_page


Pelo menos a mim, vejo muita crítica, muitas chamadas de atenção... de forma muito camuflada. Ouve com atenção[;)]
Não, não! Não me estava a referir às suas composições, mas, e apenas, aos dotes vocais, à sua voz sobretudo sem vibrato e que apenas lhe permite declamar sobre a música, que, de resto, percebe-se muito bem o alcance vasto do que escreve! [;)]

Para além disso ele é muito bem coadjuvado pelas meninas do coro... [br:)] [;)]
 
Fiquei impressionado com a clareza de visão ideológica do Pedro Abrunhosa, de quem tinha, desde há muito tempo, uma fraca impressão, sobretudo ditada pelos seus dotes vocais para cantar!...
Deixa lá Pé, o grandes pensadores também não mostravam grandes dotes no karaoke [:)]
 
Ou então interessa ler com outra mente...
...é mesmo fácil deitar as culpas de tudo o que corre mal a quem lá está em cima. Mesmo quando não a tenha. Mas fica sempre bem o discurso de oposição e revolucionário. Especialmente se usarmos palavras caras como "tendência neo-liberal escamoteada" ou " conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana" (estas são boas, aliás...)

Senão, vejamos - fala o Pedro Abrunhosa da situação do ensino, por exemplo. Claro, é melhor deixar que os professores que eu conheci continuem a (não) ensinar o que (não) me ensinaram a mim. Felizmente, grande parte da minha vida passei um pouco ao lado desse problema, mas ainda tive a sorte de frequentar uma C+S para ver "do que é feito o mundo real".

Acho curiosa a forma como Pedro Abrunhosa diz, no entanto: "Perante José Sócrates somos todos um número" e pergunto - como sugere o douto que se governe em Portugal?
Longe de ser um acérrimo defensor de José Sócrates, reconheço-lhe no entanto mérito em muitas das suas decisões. Mas não compreendo quando vêm criticar o governo por se reger por estatísticas... mas como entendem que se deva governar um país? Se até uma "simples" empresa está sujeita a isso, como podia m país ser diferente? Com toda a complexidade da sua gestão, com todas as veriáveis, particularidades...

Não curiosa, mas acho engraçada a forma como diz, no entanto: "O pior disto tudo é que não se vislumbra alternativa no horizonte". É verdade, caro Sr. Abrunhosa - é realmente muito mais fácil estar fora do jogo e criticar que de facto estar lá dentro. Mas permta-me a sugestão: não diz que o seu avô era o homem de que precisamos? Que lhe siga o exemplo o neto... esperamos pelas suas sugestões para a governação, já que as críticas são iguais às dos outros (se mais floreadas).
 
. Um sistema de ensino público forte, coeso e estável, assim como um sistema de saúde e de justiça, é o pilar de uma sociedade justa e livre, onde a igualdade de oportunidades não seja uma expressão vã.

O trabalho dos professores, desde há muito, vem sendo desacreditado pelas sucessivas tutelas, numa incompreensível espiral de má gestão que levará um dia a que os docentes sejam apenas administradores de horários e reprodutores de programas impostos cegamente.

Hoje, chamaríamos a isto ‘aula de campo’. E se as houvesse ainda, não sei a que alínea na avaliação docente corresponderia esta inusitada actividade. O meu avô nunca foi avaliado como deveria. Senão deveria pertencer ao escalão 18 da função pública, o máximo, claro, como aquele senhor Armando Vara que se reformou da CGD e não consta que tivesse tido anos de ‘trabalho de campo’.

Perante José Sócrates somos todos um número: as polícias as multas que passam, os magistrados os processos que aviam, os professores as notas que dão e os alunos que passam.

Quando se fala o que realmente se pensa dá nisto: um excelente artigo deste grande senhor e compositor.
 
Ou então interessa ler com outra mente...
...é mesmo fácil deitar as culpas de tudo o que corre mal a quem lá está em cima. Mesmo quando não a tenha. Mas fica sempre bem o discurso de oposição e revolucionário. Especialmente se usarmos palavras caras como "tendência neo-liberal escamoteada" ou " conflitualidade laboral latente, transversal à actividade humana" (estas são boas, aliás...)

(a) Senão, vejamos - fala o Pedro Abrunhosa da situação do ensino, por exemplo. Claro, é melhor deixar que os professores que eu conheci continuem a (não) ensinar o que (não) me ensinaram a mim. Felizmente, grande parte da minha vida passei um pouco ao lado desse problema, mas ainda tive a sorte de frequentar uma C+S para ver "do que é feito o mundo real".

(b) Acho curiosa a forma como Pedro Abrunhosa diz, no entanto: "Perante José Sócrates somos todos um número" e pergunto - como sugere o douto que se governe em Portugal?
Longe de ser um acérrimo defensor de José Sócrates, reconheço-lhe no entanto mérito em muitas das suas decisões. Mas não compreendo quando vêm criticar o governo por se reger por estatísticas... mas como entendem que se deva governar um país? Se até uma "simples" empresa está sujeita a isso, como podia m país ser diferente? Com toda a complexidade da sua gestão, com todas as veriáveis, particularidades...

(c) Não curiosa, mas acho engraçada a forma como diz, no entanto: "O pior disto tudo é que não se vislumbra alternativa no horizonte". É verdade, caro Sr. Abrunhosa - é realmente muito mais fácil estar fora do jogo e criticar que de facto estar lá dentro. Mas permta-me a sugestão: não diz que o seu avô era o homem de que precisamos? Que lhe siga o exemplo o neto... esperamos pelas suas sugestões para a governação, já que as críticas são iguais às dos outros (se mais floreadas).

(a) Acho uma piada imensa ver que quem citica os professores se baseiam nas (más) experiências como alunos numa fase em que, obviamente, a qualidade dos professores era sempre alvo do pensamento de cada aluno. Ou não. O que não foi ensinado? Que criaturas tão horríveis leccionaram a estes alunos durante 12 anos de escolaridade (contando o ensino secundário)? Tendo em conta que apenas no 1º Ciclo existe um único professor, quer dizer que houveram certamente mais de 50 incompetentes (ou inúteis bem pagos como certa pessoa decidiu dizer) que não ensinaram aquilo que os alunos, na sua clarividência de pensamento desejavam.
Fico perplexo com tamanho azar. Eu, após os meus 16 anos de estudo (apesar de continuar em situação diferente) não consegigo detreminar uma tabela no excel com a média de competência de todos os professores.

(b) Quanto às estatísticas saliento a forma como se obtem as mesmas. Ora voltando à educação parece-me bastante irreal que dizer que temos uma taxa de aproveitamento escolar de x%. O que é o aproveitamento escolar? Um sim no final do ano por parte do professor a dizer que pasa de ano? E se o aluno não souber nenhuma competência básica para transitar e o professor face as condições actuais, decidir "ir na onda socratiana" e transitar o dito? Ora cá temos mais um número no total desejado. Se quero ser governado assim? Não obrigado.
Sugestões? Ora bem. Porque não preparar, executar e avaliar. Depois é voltar ao mesmo. Na educação (peço desculpa de ser este apenas o exemplo) começamos pela preparação. Preparamos mal, segundo a percepção de objectivos e realidade dos que se sentam numa secretária a jogar FreeCell e pressupor de como será dar aulas. Pois assim fica complicado sair um plano com traços concretos e reais face às sociedades em questão. Depois deveria surgir o executar. Mas como o noticiário está próximo há que saltar esse passo. Ou seja, não há margem de manobra a quem está no dito campo para agir. Passa-se assim à fase da avaliação. Esta avaliação deverá ser, não consoante a visão de quem está no campo, mas de quem precisa desesperadamente de uns números. Mais uma vez: se quero ser governado assim? Não, obrigado outra vez.

(c) Por fim e quanto às alternativas, cada vez me parece mais que rapidamente estaremos a começar mais uma temporada (infelizmente não de um ano) do mesmo. Isto porque não se vêem alternativas, e ora não estou a ver a pessoa em causa a candidatar-se ao cargo. Aqui concordo que é mais fácil falar do que fazer. E para terminar pegaria nesta frase para caracterizar o trabalho de alguns membros do actual governo: é mais fácil falar do que fazer.


Cumprimentos.
 
Só me vou pronunciar sobre os professores.


O problema, não é os professores não serem avaliados. O problema, são as turmas terem em média 23 alunos e uma professora quando em média, o estado paga um professor para cada 8 alunos. E isso, podem vir as avaliações que vierem, mas o problema mantém-se.:sh)

Mas felizmente, grande parte do pessoal prefere "malhar" nos professores, esses indivíduos que tanto mal causam à sociedade, em vez de estudarem os reais problemas, seja da educação, seja de outra coisa qualquer.
 
O Pedro Abrunhosa é uma grande exemplo de um músico inteligente, com grande análise critica e que soube ganhar um lugar de eleição no panorama nacional

Tem uma instrumentalidade fabulosa e uma profundidade sonora ao alcance de poucos e a sua fraca voz (taxativamente aos nossos critérios básicos) esfuma-se quase sem se perceber
 
(a)

(b)

(c)

a) apenas falando da minha experiência pessoal na C+S Samora Correia, turma 5ºG 1991/1992 - o professor de música deu 3 aulas (se bem me lembro) durante o ano inteiro. As aulas de Ciências Sociais... tive uma ou duas semanas no início e outras duas no final do ano. A Matemática... esta exige um parágrafo.
Ora, quem dava aulas era um Sr Engenheiro que teve o desplante de me dar um 20! Um 20! Imagine-se, a um aluno que nem sabia o que era um triângulo isósceles, escaleno... um 20 a um aluno que teve a desfaçatez (ou burrice, hoje em dia não sei) de lhe dizer que me tinha marcado uma pergunta certa que estavam na verdade errada. Disse que "tinha percebido que eu sabia mas me tinha enganado" (sim, além de engenheiro era vidente, pelos vistos). Um professor que me lembro de na aula pedir sugestões para a resolução de um (hoje esquecido) problema, dizer que a minha estava errada e de seguida reeti-la. E depois me dizer "tinas acertado, mas queria ser eu a dizê-la".
Enfim... professores bem diferentes do avô do Pedro Abrunhosa (e não estou a dizer isto ironicamente, que acredito que fosse de facto um grande homem).
Ora, já lá vão 3 em... bem, não me lembro quantas disciplinas tinha nesse ano, mas penso que seja um retrato suficiente do que os que não tiveram a (enorme... ainda hoje não tenho como agradecer aos meus pais o esforço desenvolvido) sorte que eu tive suportaram até sair ou acabar. Não me admiro que me cheguem os dedos das mãos (talvez apenas uma) para contar os que de facto fazem algo de que se orgulhem hoje (e não falo só de ser licenciado... pessoas como o Marco são excelentes no que fazem, ele é mecânico).

Isto, nem estou a entrar (mas poderia, lembrasse-me eu do que aprendi em particular) na qualidade da matéria, mas apenas nas das pessoas a quem fui confiado.


b) Preparar, executar e avaliar. Excelente. Mas estás a falar de coisas diferentes.
No teu exemplo, preparar o sistema, colocá-lo em marcha e avaliar o seu desempenho. Mas não isso que se está a falar. Não falamos de uma avaliação do sistema, mas das "ferramentas" (os professores).
Já frequentei e dei cursos acreditados e neles os formadores são avaliados. Dei um curso de formação de formadores e em duas das minhas sessões lá estava um avaliador a olhar para mim e a tirar apontamentos. Se levo a mal? De forma alguma. Se me comporto de forma diferente nessa sessão? Tento não, mas seria idiota dizer que não tento não errar. Mas esta valiação parece-me de uma necessidade tão evidente...
Como posso eu não querer avaliar os professores? Como podem eles, que defendem a avaliação (e eu tb) como o garante da qualidade da formação, não pretender se sujeitos a essa avaliação? Que se estudem estes moldes? Concerteza, mas auto-avaliação?! (vide sketch dos gato fedorento)

E penso se poderá o sistema alguma vez funcionar se as suas componentes não funcionarem correctamente...


c & +) Não é que eu entenda que o Governo seja um conjunto da fina flor de mentes brilhantes que se juntou para... enfim, não penso. Não acho que tudo seja correcto.
Mas, diferença importante, não acho que tudo seja errado. E mais importante... criticar é fácil. Até eu consigo. O problema é quando me perguntam como fazer, porque depois tenho de dizer que não sei.
E isso irrita-me. E irrita-me quem se esconde atrás do manto da crítica para se fazer ver (vide partidos vários) sem apresentar nenhuma sugestão válida.
 
Para ser justo... tive excelentes professores, tb. Lembro-me de vários nomes, que não quero enumerar... seria injusto para com os que esquecesse.

Mas acho que deveria haver uma diferenciação entre estes e os outros. E não a sinto.
 
Só me vou pronunciar sobre os professores.


O problema, não é os professores não serem avaliados. O problema, são as turmas terem em média 23 alunos e uma professora quando em média, o estado paga um professor para cada 8 alunos. E isso, podem vir as avaliações que vierem, mas o problema mantém-se.:sh)

Mas felizmente, grande parte do pessoal prefere "malhar" nos professores, esses indivíduos que tanto mal causam à sociedade, em vez de estudarem os reais problemas, seja da educação, seja de outra coisa qualquer.

As turmas têm em média 28 alunos, não 23. Há professores que têm 10 turmas, o que perfaz 280 alunos e em média 560 testes no mínimo para ver,...[;)]
 
Só me vou pronunciar sobre os professores.


O problema, não é os professores não serem avaliados. O problema, são as turmas terem em média 23 alunos e uma professora quando em média, o estado paga um professor para cada 8 alunos. E isso, podem vir as avaliações que vierem, mas o problema mantém-se.:sh)

Mas felizmente, grande parte do pessoal prefere "malhar" nos professores, esses indivíduos que tanto mal causam à sociedade, em vez de estudarem os reais problemas, seja da educação, seja de outra coisa qualquer.

Tenho uma quantidade razoavel de professores na familia, nos mais variados postos, e o grande problema parece-me mais a vontade dos sindicatos malharem no governo, no entanto apresentar alternativas coerentes é que é complicado. E apresento esta opinião em segunda mão, já que eu não tenho conhecimento suficiente do sistema para conseguir distinguir a informação da desinformação que polui os media.

Obviamente que um p.m. não vai conhecer por nome 10 milhões de pessoas, portanto como é que pode governar de forma estratégica o Pais? Com base em indicadores, para interpretar a situação do passado, como já disseram, é exactamente o mesmo que fazem os gestores de grandes empresas.
 
a) apenas falando da minha experiência pessoal na C+S Samora Correia, turma 5ºG 1991/1992 - o professor de música deu 3 aulas (se bem me lembro) durante o ano inteiro. As aulas de Ciências Sociais... tive uma ou duas semanas no início e outras duas no final do ano. A Matemática... esta exige um parágrafo.
Ora, quem dava aulas era um Sr Engenheiro que teve o desplante de me dar um 20! Um 20! Imagine-se, a um aluno que nem sabia o que era um triângulo isósceles, escaleno... um 20 a um aluno que teve a desfaçatez (ou burrice, hoje em dia não sei) de lhe dizer que me tinha marcado uma pergunta certa que estavam na verdade errada. Disse que "tinha percebido que eu sabia mas me tinha enganado" (sim, além de engenheiro era vidente, pelos vistos). Um professor que me lembro de na aula pedir sugestões para a resolução de um (hoje esquecido) problema, dizer que a minha estava errada e de seguida reeti-la. E depois me dizer "tinas acertado, mas queria ser eu a dizê-la".
Enfim... professores bem diferentes do avô do Pedro Abrunhosa (e não estou a dizer isto ironicamente, que acredito que fosse de facto um grande homem).
Ora, já lá vão 3 em... bem, não me lembro quantas disciplinas tinha nesse ano, mas penso que seja um retrato suficiente do que os que não tiveram a (enorme... ainda hoje não tenho como agradecer aos meus pais o esforço desenvolvido) sorte que eu tive suportaram até sair ou acabar. Não me admiro que me cheguem os dedos das mãos (talvez apenas uma) para contar os que de facto fazem algo de que se orgulhem hoje (e não falo só de ser licenciado... pessoas como o Marco são excelentes no que fazem, ele é mecânico).

Isto, nem estou a entrar (mas poderia, lembrasse-me eu do que aprendi em particular) na qualidade da matéria, mas apenas nas das pessoas a quem fui confiado.


b) Preparar, executar e avaliar. Excelente. Mas estás a falar de coisas diferentes.
No teu exemplo, preparar o sistema, colocá-lo em marcha e avaliar o seu desempenho. Mas não isso que se está a falar. Não falamos de uma avaliação do sistema, mas das "ferramentas" (os professores).
Já frequentei e dei cursos acreditados e neles os formadores são avaliados. Dei um curso de formação de formadores e em duas das minhas sessões lá estava um avaliador a olhar para mim e a tirar apontamentos. Se levo a mal? De forma alguma. Se me comporto de forma diferente nessa sessão? Tento não, mas seria idiota dizer que não tento não errar. Mas esta valiação parece-me de uma necessidade tão evidente...
Como posso eu não querer avaliar os professores? Como podem eles, que defendem a avaliação (e eu tb) como o garante da qualidade da formação, não pretender se sujeitos a essa avaliação? Que se estudem estes moldes? Concerteza, mas auto-avaliação?! (vide sketch dos gato fedorento)

E penso se poderá o sistema alguma vez funcionar se as suas componentes não funcionarem correctamente...


c & +) Não é que eu entenda que o Governo seja um conjunto da fina flor de mentes brilhantes que se juntou para... enfim, não penso. Não acho que tudo seja correcto.
Mas, diferença importante, não acho que tudo seja errado. E mais importante... criticar é fácil. Até eu consigo. O problema é quando me perguntam como fazer, porque depois tenho de dizer que não sei.
E isso irrita-me. E irrita-me quem se esconde atrás do manto da crítica para se fazer ver (vide partidos vários) sem apresentar nenhuma sugestão válida.

Começo a resposta a demonstrar respeito pela tua opinião apesar de não concordar com nada do que dizes.[;)]

a) Ora como é possível alguém ter 20 como nota num ano onde a escala vai de 1 a 5? Não compreendo.
Falas de 3 professores como maus exemplos num ano em que nem sequer te lembras de quantas disciplinas tiveste. Ora tendo em conta os teus (presumo pela tua licenciatura) 16 anos de estudo só tiveste maus professores? Desculpa mas não compreendo novamente.

b) Já vi que acreditas que os professores não querem avaliação. Pois estás enganado. Eles querem ser avaliados. Agora não querem ser avaliados como se faz no Chile, quno ao mesmo tempo se entregam computadores aos alunos como se faz na Suécia. Porque não avaliar como na Suécia. Se eu levo a mal de ser avaliado? Não. Mas se levo a mal que mesmo sendo excelente posso não ter essa nota porque na minha escola existe esse limite? Isso levo.Eu, como qualquer um, exige no mínimo uma avaliação justa. Quanto a alternativas, gostava que não entrasses no comboio do PS, que afirma que não há alternativas mas se te deres ao trabalho a procurar na internet encontras e muitas. Nomeadamente no caso da educação. É pena os telejornais serem monipolizados por este partido de marketing.
Todos nós sabemos que para o sistema funcionar é preciso "as ferramentas" funcionarem. Então deixem funcionar como funcionam nos países nórdicos.

c) Pois acredito que seja difícil opinar alternativas válidas para os problemas que atravessamos. Eu por exemplo dificilmente daria alguma sugestão válida no campo da economia. Sinceramente: não percebo nada. Mas é disso que é feita a democracia. Interacção de opniões distintas no caminho do caminho mais acertado. Acredito (ou quero acreditar) que quando votamos num partido votamos não numa pessoa mas sim num conjunto de pessoas, moderadas por líder. Não acredito (ou não quero acreditar) que os nossos votos se destinam a aprovar ou não caprichos pessoais nas várias áreas fundamentais da sociedade. Acredito por fim que uma democracia está não só nisto que descrevi mas como na capacidade em reconhecer que "a galinha da vizinha é melhor que a minha". Ou seja vou conversar com a vizinha a fim de conseguir uma "galinha" da mesma qualidade, e não teimar na minha.

Cumprimentos.
 
Tenho uma quantidade razoavel de professores na familia, nos mais variados postos, e o grande problema parece-me mais a vontade dos sindicatos malharem no governo, no entanto apresentar alternativas coerentes é que é complicado. E apresento esta opinião em segunda mão, já que eu não tenho conhecimento suficiente do sistema para conseguir distinguir a informação da desinformação que polui os media.

Obviamente que um p.m. não vai conhecer por nome 10 milhões de pessoas, portanto como é que pode governar de forma estratégica o Pais? Com base em indicadores, para interpretar a situação do passado, como já disseram, é exactamente o mesmo que fazem os gestores de grandes empresas.

É preciso por isso tornar esses indicadores na verdade real e não na verdade desejada.[;)]
 
Relativamente à situação da Educação vou deixar aqui o meu testemunho pessoal. Depois retirem daí as conclusões que pretenderem.

(a) O Pedro Abrunhosa refere-se ao exemplo do seu avô nos anos 40 em Portugal. Ora, tanto quanto eu sei, o mundo mudou muito desde essa altura e as soluções têm que mudar concomitantemente.

Antes do 25 de Abril apenas 13% dos alunos continuavam os estudos após a 4ª classe. A profissão de Prof. Primário era dificil de obter e respeitada. Vejamos este estudo feito o ano passado pela Univ. de Lisboa - o mesmo conclui que os alunos com mais recursos são a maioria nos cursos com média mais alta e com maior empregabilidade, ao passo que os alunos mais pobres vão para as áreas com menos empregabilidade. Democratização do ensino? Têm a certeza? Link para o estudo: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1367196&idCanal=58

(b) O sistema de ensino encontra-se dominado por interesses: o interesse dos professores que querem progredir na carreira sem avaliações e o interesse das editoras que querem obrigar os pais a gastar rodos de dinheiro em manuais escolares. Antigamente um livro dava para gerações: actualmente dá para um ano lectivo. Aliás acho engraçado uma coisa no meio deste debate todo: ainda ninguém falou no interesse dos alunos! Apenas falam no estatuto remuneratório dos professores e dos critérios de acesso e progressão na carreira! Mas alguém se interessa pelos alunos? Isso é o que menos interessa num sistema de ensino onde 90% dos professores lá estão com o objectivo de fugir ao desemprego!

(c) Mas deixemos de generalidades e vamos dar exemplos concretos desta fabulosa missão democratizadora do ensino português. Por exemplo sabiam que:

(c.1) Existem duas escolas privadas no Porto (que são escolas de elite) cuja cooperativa de ensino foi composta por professores do ensino público de dois liceus elitistas do Porto e que servem para reencaminhar alunos dos liceus públicos para os privados? Eu, quando era aluno, ouvi professores a sugerirem que fossem para esses colégios se quisessem entrar em Medicina.

(c.2) No caso concreto daquela rapariga do "Dá-me o telemóvel JÁ" sabem quem é que foi punido no meio daquela palhaçada toda? O aluno que tirou as imagens e as divulgou na internet!!!!!!!!!!! Ou seja, o tipo que fez um serviço público de divulgar uma cena vergonhosa das escolas nacionais foi punido em vez do prevaricador. O conselho directivo não queria era que se soubesse da sua inutilidade e da sua incapacidade de realizar uma tarefa básica que era impôr ordem e disciplina na escola! Se nem para isso serve então que respeitabilidade têm estes professores?

(c.3) A avaliação dos professores e o ranking das escolas servem unicamente o interesse dos alunos. Servem para os alunos identificarem as escolas melhores e irem para essas escolas e obrigar os professores a melhorar a qualidade do ensino se quiserem alunos e manter o emprego! O Pedro Abrunhosa apenas fala do interesse dele como neto de professor!

Eu não vejo nada de mal na privatização dos sistemas de ensino desde que os mesmos sirvam o interesse da população e a grande maioria da população possa ter acesso a esses bens de qualidade - sejam eles públicos ou privados. Mas no sistema actual temos dois regimes: o público para a populaça e o privado para os ricaços!
 
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