Não entro em concursos de quem é mais pobre, é o lado salazarento do país que eu rejeito, odeio a pobreza e suas consequências, não odeio pobres porque ao contrário dos liberais acho que a maioria das pessoas não escolheu a vida que tem. A mim vão me ver sempre defender que se pode comer bifes todos os dias, uma vida, em suma, decente. A pobreza devia ser tabu e quem é pobre não deve clamar que os outros para lá vão todos juntos a afundar-se num poço, mas que o ajudem a sair dali. Um salário médio de 1300 brutos em Portugal hoje com o custo de bens essenciais é um mau salário, isto porque paga "à rasca", contas de casa, alimentação, vestuário, cuidados dos filhos, se quiserem levá-los ao cinema e ao teatro, um dia por mês, com esse salário, já não conseguem porque só a casa engoliu 500 em renda e contas.
Mas não é o salário médio da Auto Europa, isso é uma notícia falsa. É hoje de cerca de 900 (brutos), sendo que há chefias com 3 mil, e há mais de 30% dos operários com 660 brutos, daí a média de 900 - daí também que a média seja pouco importante, porque se eu tiver 4 carros e vocês nenhum na média diz que cada um tem um carro. Todos os que entraram agora na AE ganham 660 brutos e a maioria ganha menos de 1000 brutos. Mil brutos em Portugal é um real salário mínimo, ou seja, serve para para pagar as contas e ir trabalhar no dia seguinte chama-se tecnicamente «salário de reprodução biológica». O salário efectivo depois dos turnos mais comum agora na AE é este 611 líquidos. Abaixo da reprodução biológica - é isto que nos faz «competitivos».