Azeites de Oliva

:confused:
O que aconteceu no ano passado (leia-se colheita final 2022) foi que houve menos produção do que em anos anteriores.

Oscilações de produção é perfeitamente normal! Acontece! No nosso caso, há 3 anos houve uma produção acima da média, recorde de 30/40 anos no caso de um olival, no seguinte nem 25% desse ano deu.
Tem de compensar uns anos para os outros, sempre foi assim e é o normal na agricultura, pelo menos na que é feita de modo responsável e sem prejudicar o meio ambiente...

Não se confunda azeite com os refinados, que sendo misturas, óbvio que a "qualidade" pode variar.

Espanha sendo um grande produtor que está a sofrer cada vez mais à conta das alterações climáticas e do abuso da agricultura extensiva em determinada áreas, acabam por pressionar o mercado todo.
Para se perceber onde chega a loucura, andaram espanhóis a comprar aos pequenos produtores nas zonas de fronteira, todo tipo de azeite, recente ou com vários anos, pagavam um valor por litro acima do habitual para azeite de colheita nova. Não vendeu/despachou quem não quis...
Pelo que me referiu a pessoa a quem compro, parece que os pequenos agricultores estão também a preferir vender as azeitonas "na árvore" aos espanhóis. Portanto, menos matéria -prima disponível para os portugueses.

Por aqui consumimos o Tapada do Vencerei Gold. Mais que duplicou o preço nos últimos anos.
 
Atualmente há muito azeite "português" que de português não tem nada. Nem espanhol, italiano ou grego. Os grandes produtores estão a comprar cada vez mais na Turquia, Tunisia, até na Colômbia. Isso por si só não tem mal nenhum.
 
Não noto, nem nunca notei perda de qualidade no azeite que consumo (produção própria).
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O que aconteceu este ano foi que o excesso de procura fez despontar a ganância de certos produtores/vendedores que adulteraram o produto em maior escala. Isto sempre aconteceu, mas no ano passado piorou.

Depois muita gente também confunde azeite com outros produtos refinados ou outros óleos alimentares que são vendidos como "azeite", mas que de azeite não têm nada...
O preço reflete isso mesmo.

Fazes produção a frio? Qtas toneladas tens? [:cool:]
 
Não noto, nem nunca notei perda de qualidade no azeite que consumo (produção própria).
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O que aconteceu este ano foi que o excesso de procura fez despontar a ganância de certos produtores/vendedores que adulteraram o produto em maior escala. Isto sempre aconteceu, mas no ano passado piorou.

Depois muita gente também confunde azeite com outros produtos refinados ou outros óleos alimentares que são vendidos como "azeite", mas que de azeite não têm nada...
O preço reflete isso mesmo.


E não tens para venda com desconto de associado MotorGuia?! [:D]
 
Fazes produção a frio? Qtas toneladas tens? [:cool:]

Pequena produção de família.
A Produção é feita a frio, em cooperativa local que trabalha com os produtores locais.
"Toneladas" [:D]...de azeitona neste momento deverá rondar as 2 toneladas anual, mas o azeite que sai é bastante menos. O rendimento é baixo (no máximo uns 12%).

De realçar que a apanha é feita em processo manual, alguns terrenos são muito inclinados e inacessíveis a máquinas.
Mais de metade das árvores ainda são pequenas (mas algumas já têm mais de 30 anos), a produção é irregular e a área total para esta amostra de quantidade são uns 2,5ha, que demoram vários dias a apanhar.

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E não tens para venda com desconto de associado MotorGuia?! [:D]

Não sou eu que faço a gestão dessa parte, mas mais houvesse...
Faz-se isto pelo auto consumo, além disso o produto é de muito boa qualidade (a região tem condições favoráveis - Douro Internacional), porque se fosse para ganhar dinheiro, as azeitonas ficavam na árvore!
 
Pequena produção de família.
A Produção é feita a frio, em cooperativa local que trabalha com os produtores locais.
"Toneladas" [:D]...de azeitona neste momento deverá rondar as 2 toneladas anual, mas o azeite que sai é bastante menos. O rendimento é baixo (no máximo uns 12%).

De realçar que a apanha é feita em processo manual, alguns terrenos são muito inclinados e inacessíveis a máquinas.
Mais de metade das árvores ainda são pequenas (mas algumas já têm mais de 30 anos), a produção é irregular e a área total para esta amostra de quantidade são uns 2,5ha, que demoram vários dias a apanhar.

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Ah, ok ehe

Compensa adquirir uma máquina (€) mas se tivesses pelo menos umas 10T no total. Menos que isso é lazer!

Já foi para Tremês (santarém) uma máquina que faz 50 kg/h e o fulano despachou a azeitona toda em 8 horas [:D] , tinha 400kg no total para 20 ou 25 oliveiras.

Diz ele "em vez de comprar uma mota, compro isto".

Ele tem rendimento de 15% (depende dos anos, e se a azeitona tem mais ou menos água). Portanto teve 60L de azeite ehe!
 
Ah, ok ehe

Compensa adquirir uma máquina (€) mas se tivesses pelo menos umas 10T no total. Menos que isso é lazer!

Já foi para Tremês (santarém) uma máquina que faz 50 kg/h e o fulano despachou a azeitona toda em 8 horas [:D] , tinha 400kg no total para 20 ou 25 oliveiras.

Diz ele "em vez de comprar uma mota, compro isto".

Ele tem rendimento de 15% (depende dos anos, e se a azeitona tem mais ou menos água). Portanto teve 60L de azeite ehe!

Acho que o meu irmão costuma ir levar a um lagar a Tremês. Por aqui são ~100 oliveiras...

Com este aumento dos preços já começa a compensar mais andar a penar a apanhá-la manualmente.
 
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Ah, ok ehe

Compensa adquirir uma máquina (€) mas se tivesses pelo menos umas 10T no total. Menos que isso é lazer!

Já foi para Tremês (santarém) uma máquina que faz 50 kg/h e o fulano despachou a azeitona toda em 8 horas [:D] , tinha 400kg no total para 20 ou 25 oliveiras.

Diz ele "em vez de comprar uma mota, compro isto".

Ele tem rendimento de 15% (depende dos anos, e se a azeitona tem mais ou menos água). Portanto teve 60L de azeite ehe!

Temos um varejador destes de gancho, é uma ajuda para não ser tudo à vara.
https://www.stihl.pt/pt/p/varejadore...asolina-107825

Mas isto para mim não conta como maquinaria [:D]

Em termos de rendimento a apanhar também é muito relativo.
Por exemplo 2 olivais com o mesmo número de arvores e a produzir +/- a mesma quantidade, um é a 300m de casa, plano, 3 pessoas apanham todo numa manhã. O outro é muito inclinado e difícil, a 6km de casa em acessos por caminhos de terra, demora 4x mais e ainda se tem de carregar os sacos e maquinaria às costas montanha a cima/baixo.

Agora há quem tenha umas máquinas tipo chapéu de acoplar ao trator, o problema é que só dão para certos terrenos mais planos, além das árvores tem de ter a estrutura adaptada para isso.
Em oliveiras mais antigas é um bocado difícil, e geralmente essas são as melhores e que dão mais produção. Demoraram décadas a crescer.

Entretanto a agricultura de Olival tem "evoluído" muito nos últimos anos, sobretudo em termos de agricultura intensiva no Alentejo, com espécies adaptadas, sistemas de produção, rega gota a gota, etc. São esses que, para o bem e para o mal, sustentam o mercado.
 
Acho que o meu irmão costuma ir levar a um lagar a Tremês. Por aqui são ~100 oliveiras...

Com este aumento dos preços já começa a compensar mais andar a penar a apanhá-la manualmente.

Por aqui, entre grandes e pequenas já são 500 ou mais oliveiras. E outras tantas amendoeiras.

O problema é que por cada grande que dá um saco de 30kg, há umas 10 que só enchem um balde.

Temos lá umas já com 30 anos que só estão a fazer numero, já disse ao meu pai que dava mais lucro vende-las para jardim, parecem bonsais [:D]
 
Por aqui, entre grandes e pequenas já são 500 ou mais oliveiras. E outras tantas amendoeiras.

O problema é que por cada grande que dá um saco de 30kg, há umas 10 que só enchem um balde.

Temos lá umas já com 30 anos que só estão a fazer numero, já disse ao meu pai que dava mais lucro vende-las para jardim, parecem bonsais [:D]

As minhas são todas raparigas centenárias. O meu irmão quer plantas mais umas quantas, e também alguns sobreiros, para substituir umas centenas de laranjeiras que arrancámos há uns meses.
 
Por falar em azeite, há tempos provei um feito à moda antiga, por aquele processo em que se aquece o azeite, que depois é coado e etc etc etc...

Tenho de referir que a mim disseram que aquilo era ilegal, porque supostamente não deveria estar no local onde está, por causa da poluição no rio que passa ao lado....


Mas para resumir: foi de longe o melhor azeite que já experimentei na vida, completamente diferente de tudo o resto que já experimentei. E eu já experimentei muita, muita coisa, principamente de pequenos produtores. Mas o sabor deste era tão melhor, que todos os outros que já provei parecem um produto diferente
 
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Por falar em azeite, há tempos provei um feito à moda antiga, por aquele processo em que se aquece o azeite, que depois é coado e etc etc etc...

Tenho de referir que a mim disseram que aquilo era ilegal, porque supostamente não deveria estar no local onde está, por causa da poluição no rio que passa ao lado....


Mas para resumir: foi de longe o melhor azeite que já experimentei na vida, completamente diferente de tudo o resto que já experimentei. E eu já experimentei muita, muita coisa, principamente de pequenos produtores. Mas o sabor deste era tão diferente, que todos os outros que já provei parecem um produto diferente

Tinha ideia que o tradicional era a frio. É que as unidades de produção que já visitei em Portugal e Espanha têm todas aquecimento, a um ou dois níveis de temperatura. Isto na extracção do azeite.
 
Temos um varejador destes de gancho, é uma ajuda para não ser tudo à vara.
https://www.stihl.pt/pt/p/varejadore...asolina-107825

Mas isto para mim não conta como maquinaria [:D]

Em termos de rendimento a apanhar também é muito relativo.
Por exemplo 2 olivais com o mesmo número de arvores e a produzir +/- a mesma quantidade, um é a 300m de casa, plano, 3 pessoas apanham todo numa manhã. O outro é muito inclinado e difícil, a 6km de casa em acessos por caminhos de terra, demora 4x mais e ainda se tem de carregar os sacos e maquinaria às costas montanha a cima/baixo.

Agora há quem tenha umas máquinas tipo chapéu de acoplar ao trator, o problema é que só dão para certos terrenos mais planos, além das árvores tem de ter a estrutura adaptada para isso.
Em oliveiras mais antigas é um bocado difícil, e geralmente essas são as melhores e que dão mais produção. Demoraram décadas a crescer.

Entretanto a agricultura de Olival tem "evoluído" muito nos últimos anos, sobretudo em termos de agricultura intensiva no Alentejo, com espécies adaptadas, sistemas de produção, rega gota a gota, etc. São esses que, para o bem e para o mal, sustentam o mercado.

A malta nem imagina a quantidade de azeitona que não é apanhada.

O que é uma pena por vários motivos!

Até eu aqui no Minho, de 3 em 3 ano a oliveira dá-me azeitonas e tenho preguiça em as curtir!
 
Por falar em azeite, há tempos provei um feito à moda antiga, por aquele processo em que se aquece o azeite, que depois é coado e etc etc etc...

Tenho de referir que a mim disseram que aquilo era ilegal, porque supostamente não deveria estar no local onde está, por causa da poluição no rio que passa ao lado....


Mas para resumir: foi de longe o melhor azeite que já experimentei na vida, completamente diferente de tudo o resto que já experimentei. E eu já experimentei muita, muita coisa, principamente de pequenos produtores. Mas o sabor deste era tão melhor, que todos os outros que já provei parecem um produto diferente

A quente é "proibido" porque produzem águas russas poluentes.

Creio que a frio, a temperatura máxima é 21 graus, mais quente que isso é preciso falar com a câmara municipal local e com o departamento de ambiente.

Mas as máquinas que conheço são todas a frio, ainda agora foi uma gigante (processa 1.000 kg/h) para Pinhal Maior.
 
A quente é "proibido" porque produzem águas russas poluentes.

Creio que a frio, a temperatura máxima é 21 graus, mais quente que isso é preciso falar com a câmara municipal local e com o departamento de ambiente.

Mas as máquinas que conheço são todas a frio, ainda agora foi uma gigante (processa 1.000 kg/h) para Pinhal Maior.

Provavelmente era a frio então...

Eu não vi fazer o azeite, mas como foi dito que era mesmo à moda antiga, depois fui ver uns videos no Youtube e pareceu-me que havia um processo qualquer de aquecimento. Mas então devo estar enganado. Bem, o que interessa é que o azeite era muito muito bom [:D]
Comprei 5L a 50,00€, saiu mais barato do que as marcas vulgares de supermercado. O problema é que já está quase no fim, e aquilo é longe como o @@@@@@@
 
Provavelmente era a frio então...

Eu não vi fazer o azeite, mas como foi dito que era mesmo à moda antiga, depois fui ver uns videos no Youtube e pareceu-me que havia um processo qualquer de aquecimento. Mas então devo estar enganado. Bem, o que interessa é que o azeite era muito muito bom [:D]
Comprei 5L a 50,00€, saiu mais barato do que as marcas vulgares de supermercado. O problema é que já está quase no fim, e aquilo é longe como o @@@@@@@

Lamento desiludir-te, mas nos grandes lagares de Azeite parece-me que será tudo a quente, porque a quantidade extraída será maior.


"O que significa azeite extraído a frio?

Os azeites virgem e virgem extra são extraídos a temperaturas inferiores a 27°C. O objetivo é reduzir a quebra das cadeias de ácidos gordos para evitar danos nos atributos positivos do azeite e do seu sabor.

Na extração “a quente” obtém-se maior quantidade de azeite, mas de menor qualidade. Um método comum nesse tipo de processo é adicionar água quente durante a moagem das azeitonas.

Quando extraídos a temperaturas mais altas não apresentarão as composições organoléticas e químicas necessárias dos azeites virgem e extra virgem.

Se encontrar num rótulo: “azeite virgem extra extraído a frio”, já sabe que é uma redundância, pois se não fosse extraído a frio não seria virgem extra."
 
Lamento desiludir-te, mas nos grandes lagares de Azeite parece-me que será tudo a quente, porque a quantidade extraída será maior.


"O que significa azeite extraído a frio?

Os azeites virgem e virgem extra são extraídos a temperaturas inferiores a 27°C. O objetivo é reduzir a quebra das cadeias de ácidos gordos para evitar danos nos atributos positivos do azeite e do seu sabor.

Na extração “a quente” obtém-se maior quantidade de azeite, mas de menor qualidade. Um método comum nesse tipo de processo é adicionar água quente durante a moagem das azeitonas.

Quando extraídos a temperaturas mais altas não apresentarão as composições organoléticas e químicas necessárias dos azeites virgem e extra virgem.

Se encontrar num rótulo: “azeite virgem extra extraído a frio”, já sabe que é uma redundância, pois se não fosse extraído a frio não seria virgem extra."

Atenção que o mesmo lagar pode fazer diferentes tipos de extracção, por norma de forma sequencial. Dos que visitei entre Portugal e Espanha, de dimensão média, existem 3 fases de prensagem, uma abaixo dos tais 27 graus, outra a uma temperatura intermédia e uma última, pelo que me lembro, na casa dos 80 graus (??).

Portanto, o mesmo lagar apresenta vários tipo de azeite produzidos.
 
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Lamento desiludir-te, mas nos grandes lagares de Azeite parece-me que será tudo a quente, porque a quantidade extraída será maior.


"O que significa azeite extraído a frio?

Os azeites virgem e virgem extra são extraídos a temperaturas inferiores a 27°C. O objetivo é reduzir a quebra das cadeias de ácidos gordos para evitar danos nos atributos positivos do azeite e do seu sabor.

Na extração “a quente” obtém-se maior quantidade de azeite, mas de menor qualidade. Um método comum nesse tipo de processo é adicionar água quente durante a moagem das azeitonas.

Quando extraídos a temperaturas mais altas não apresentarão as composições organoléticas e químicas necessárias dos azeites virgem e extra virgem.

Se encontrar num rótulo: “azeite virgem extra extraído a frio”, já sabe que é uma redundância, pois se não fosse extraído a frio não seria virgem extra."

Deve haver sempre um processo de manipulação da temperatura em qualquer extração mecânica, seja aquecimento, seja refrigeração, consoante a temperatura da pasta no momento, No caso do Virgem e Virgem Extra, o processo de aquecimento não pode, na fase da centrifugação, ultrapassar os 27 graus. Mas também não deve ser feito abaixo dos 25 graus, não só porque a produção cai, mas também porque a baixa temperatura não se extraem algumas das componentes mais importantes.

Atualmente esta questão da temperatura é cada vez mais complicada, porque com o aquecimento global é muito comum os lagares receberem pastas quentes (acima dos 30 graus), sobretudo quanto se fazem extrações em Setembro e Outubro. Ora, a esmagadora maiorias dos lagares mais antigos não tem equipamentos de refrigeração e portanto a pasta vai fazer a extração à temperatura que estiver, seja ela qual for.
 
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