Comparando um pouco com o que a BMW faz actualmente, ou melhor, fazia, tendo em conta a sua viragem recente para o banal.
Tinhamos um estilo em que uma fina pele era esticada ao longo de um esqueleto, criando superficies admiravelmente tensas, quando bem executadas. Superficies que se adaptavam de forma orgânica a esse esqueleto, mudando a sua orientação de horizontal para vertical, criando espaços negativos, dando um dinamismo que há muito não se via na indústria.
Este concept mostra outra filosofia de construção estilistica, basicamente desconstruindo.
É um estilo por camadas.
Como se tivessemos um núcleo, acrescentando apenas a pele necessaria, por camadas, cumprindo mais objectivos funcionais que puramente estilisticos.
A evocar alguns pequenos sports-cars anoréticos, como o 340R, o Atom, o X-BOW, ou então o mundo das duas rodas, onde temos exemplares apenas com esparsos elementos de carenagem.
A carenagem deste concept permite perceber claramente cada peça do puzzle. Não tenta ser um objecto uno. Não tenta ser um maciço de metal esculpido.
Também prova como um problema pode ter várias soluções.
Um Cx. de apenas 0.22 num objecto que parece desconstruido, mostra como existem soluções válidas para além das que no geral são defendidas (sobretudo pela troupe dos hibridos), como as Kammtail.
Esta abordagem cria ligações visuais aos resultados obtidos pela Mazda com a linguagem Nagare, até agora também só vista em concepts.
Em comum com a linguagem Nagare há esta percepção de fluidez e leveza. Dá a percepção de que alguns elementos parecem estar a flutuar, ou apenas a esvoaçar ao vento.
O habitáculo é também curioso... Uma bolha transparente. Definida de perfil por 2 linhas curvas aparentemente simétricas.
A pele apenas cobre o que interessa para os seus propósitos aerodinâmicos. Ou seja, as rodas e a parte inferior.
E mesmo aí assiste-se a um conjuntos de superficies quase entrelançadas, formando a entrada de ar para o motor em posição central traseira.
Interessante esta escolha de colocação do motor. Desde o M1 que não se via um BMW com motor central, o que também alterou as proporções gerais do concept, comparando com o que se está acostumado a ver da BMW.
A frente apresenta-se mais curta, com a linha do párabrisas praticamente em cima do eixo dianteiro.
Se na frente temos os elementos tipicos da BMW, que identificam a marca, herdando alguns dos pormenores do M1 Hommage, como a definição dos grupos ópticos, é a traseira complexa que se destaca.
Um conjunto de "laminas" a evocar o universo da F1, com os seus apêndices, barbatanazinhas na procura da melhor eficiência aerodinâmica possivel.
E contando, aqui, com um dos pormenores mais deliciosos do ponto de vista do design.
As lâminas que são os grupos ópticos traseiros, uma fusão brilhante e entusiasmante de funcionalismo/styling. Aquilo que o design deveria ser sempre.
O interior segue harmoniosamente o exterior. Uma evolução 3 passos à frente, do estilo por camadas que começamos a ver no CS concept.
Um estilo futurista e minimalista. Mas um minimalismo interessante, com um complexo jogo de superficies sobrepostas a criar interesse visual, no que é actualmente, algo de bastante nu. Uma fina linha azul aparece em alguns contornos, parecendo ser a única concessão a um pormenor decorativo gratuito.
Pormenor brilhantemente executado também no tecto, com um conjunto de elementos estruturais de aparência bastante orgânica.
Na vista de topo percebe-se algum desenvolvimento assimétrico, na definição de alguns elementos na frente e na traseira, que encontram eco no interior.
Também permite perceber a fluidez inerente ao desenho da carenagem. Quase que parece esculpida pelo vento.
O material acaba por parece ser extremamente flexivel, sobretudo exemplificado na faixa de pele que nasce da frente, envolvendo a roda anterior, sobe, formando a linha de contorno do tejadilho, acabando por contornar os grupos ópticos traseiros, e quase como se dobrando sobre ela própria, acaba por formar mais um elemento aerodinâmico na canalização de ar.
Pormenor interessante é a escolha de cores. O azul, o branco e os grupos opticos traseiros em vermelho vivo são as clássicas cores da BMW Motorsport, o que pode indicar futuros desenvolvimentos.
Apesar de visualmente, não conseguir, a meu ver, o factor apelativo que a linguagem Nagare consegue, este será concerteza o concept do ano (a não ser que apareça algo melhor até ao final do ano).
Isto é o que deve ser um verdadeiro concept car. Exploração de ideias novas.
Seja no campo tecnológico, como no campo formal.
Esta é sem dúvida uma expressão pura de uma linguagem formal.
Até que ponto pode ser aplicada no mundo real, há que esperar para ver.