Gabinete de Bush acusado de destruir milhões de documentos
Gabinete de Bush acusado de destruir milhões de documentos
Convem apagar tudinho sem deixar rasto de nada.
Gabinete de Bush acusado de destruir milhões de documentos
À grande e à americana: cinco milhões de
emails podem ter sido destruídos nos EUA de uma assentada. Mas não são uns
emails quaisquer, daqueles que se eliminam diariamente um pouco por todo o mundo, até para não entupir as caixas de correio electrónico. São
emails, compreendendo o período entre 2003 e 2005, que, alegadamente, terão desaparecido do Gabinete ("Executive Office") do Presidente George W. Bush. O que, está bem de ver, deixou as organizações de defesa dos direitos cívicos à beira da apoplexia. Multiplicam-se em iniciativas com o objectivo de levar a Administração, concretamente o Departamento de Justiça, a nomear o que apelidam de magistrado "independente" para descobrir o como, quando e porquê desta história mal contada.
Aproveitando para malhar no ferro enquanto está quente, em plena pré-campanha para as presidenciais de Novembro, uma dessas organizações não governamentais, The National Security Archive, Arquivo Nacional de Segurança, com sede na Universidade de George Washington, recorda que antecessores de Bush, como Ronald Reagan, George H. W. Bush e Bill Clinton também sentiram a tentação do "delete" (apagar), acabando a justiça por definir regras muito concretas de preservação de documentos de carácter público. Facto que, orgulham-se os membros da organização, levou a que fossem salvos "mais de 30 milhões de
emails da Casa Branca dos anos 80 aos 90".
A bola está agora no campo do poder executivo. Ainda no dia 8,o juiz John Facciola, do Tribunal Federal do Distrito de Columbia, ordenou à Casa Branca que respondesse às perguntas da justiça sobre esta polémica. As respostas sobre o paradeiro dos
emails têm obrigatoriamente de chegar no dia 13.
Em causa está, por exemplo, a troca de correspondência electrónica sobre o furacão
Katrina, que assolou Nova Orleães em Agosto de 2005, o afastamento de magistrados incómodos e a divulgação do nome de Valerie como agente da CIA. Enfim, episódios marcantes da história recente dos Estados Unidos.
Como se não bastasse, outra causa que tem mobilizado a sociedade civil americana prende-se também com outra destruição, esta de registos visuais de alegadas torturadas praticadas na prisão militar de Guantánamo. "Actividades ilegais", denuncia-se, mesmo nestes tempos de guerra global contra o terrorismo.
Mais uma vez pressionado, o responsável pela Justiça americano, o
Attorney General Michael Mukasey, decidiu agir, abrindo uma investigação sobre estas presumíveis práticas por parte de agentes da CIA, agência liderada por Michael Hayden.
Mas nada de embandeirar em arco: a investigação será efectuada sob a alçada da Administração Bush. Errado, denunciam os detractores, como Anthony Romero, da American Civil Liberties Union, para quem o que está em causa é "uma conduta vergonhosa". "A Administração não pode investigar-se a si própria!"
O que se terá passado exactamente? Ao que tudo indica, as gravações, que, apesar da insistência alheia, nunca chegaram ao conhecimento da Comissão do 11 de Setembro. Ao invés, foram destruídas pela CIA, para evitar que os operacionais torcionários fossem identificados, assim fugindo a eventuais consequências sentados no banco dos réus.
http://dn.sapo.pt/2008/01/12/internacional/gabinete_bush_acusado_destruir_milho.html