Estar com a conversa que o C6 desvaloriza igual aos outros ou pouco menos é, muito sinceramente, uma parvoíce.
E um comprador de um C6 deve sabê-lo.
A procura em 2ª mão, não tem nada a ver com S5, A6, ou E, obviamente.
Desvaloriza mais que um S80 que por sua vez desvaloriza mais que os anteriores.
Comparativamente a VS e 607, até é capaz de se sair relativamente bem, mas também é bem mais dispendioso no acto da compra.
Comprar um C6, a meu ver, nunca é racional.
Exige mesmo ter muito dinheiro, porque a retoma é terrível.
E, para mim, não é um carro que se venda. É um carro para ficar como clássico.
Como produto possui uma presença que, do meu ponto de vista, nenhum no segmento consegue igualar.
Vale a sua existência pelo design e conforto.
Em tudo o resto é inferior ao trio germânico.
Como tal só faz sentido com um V6, interior claro, bancos TGV.
Em termos de performance comercial, as estimativas da Citroën foram muito realistas (acho que é 30.000/ano) e têm sido cumpridas até ao ano passado, quando se começou a fazer sentir o peso das emissões pouco competitivas e respectivas consequências fiscais nos diversos mercados (principalmente no francês, já agora...).
E o realismo -por incrível que possa parecer- levou mesmo a Citroën a cometer a "ousadia" de vender o C6 ao nível de preços da concorrência alemã, exactamente porque sabia que não ia vender muito, como tal, havia que assegurar um lucro por unidade minimamente decente.
Como todos os outsiders do segmento, sofre da síndrome do costume: a racionalidade de compra decaí consideravelmente ao longo dos anos dado que, face às vendas residuais, as marcas não vão investindo no modelo ao longo do seu ciclo de produto (comparativamente aos MBA - Mercedes, BMW e Audi) e, como tal, vai ficando muito ultrapassado.
O C6 compensa pela sua intemporalidade, algo que um VS ou muito menos um 607 possuem.